Falta de diesel atinge 166 municípios no RS, aponta Famurs

Boletim com dados até 9h desta quarta (25) mostra alta no número de cidades com dificuldades; prefeituras priorizam serviços essenciais e suspendem obras

25/03/2026 às 16:21 por Redação Plox

Subiu para 166 o número de municípios do Rio Grande do Sul que relatam problemas relacionados à escassez no abastecimento de óleo diesel. A informação consta em boletim da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), ao qual a Agência Brasil teve acesso nesta quarta-feira (25).

Os dados estão atualizados até as 9h. Na última quinta-feira (19), o total de cidades atingidas era 142. Dois municípios, Formigueiro e Tupanciretã, mantêm estado de emergência.


Quase 200 cidades do Rio Grande do Sul relatam problemas com a falta de óleo diesel, reflexo da guerra no Oriente Médio.

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil


Boletim aponta um terço dos municípios com dificuldades

A Famurs informou que recebeu retorno à consulta de 384 dos 497 municípios gaúchos. Com isso, os 166 municípios com dificuldades representam cerca de um terço das cidades do estado. A capital, Porto Alegre, não consta como afetada.

De acordo com a federação, os sinais de desabastecimento acendem “um sinal de alerta para o funcionamento dos serviços essenciais nas cidades”.

Com a restrição, prefeituras têm direcionado o combustível para áreas consideradas essenciais, como serviços na área da saúde e o transporte de pacientes. Obras e atividades que dependem de maquinário foram suspensas.

O óleo diesel é o principal combustível de veículos como caminhões, ônibus e tratores.


Preço do óleo diesel já subiu 20% no Brasil.

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil


ANP cita questões logísticas em balanço anterior

A Agência Brasil solicitou esclarecimentos à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão regulador do setor, mas não recebeu retorno até a conclusão da reportagem.

No último balanço, quando o levantamento registrava 142 cidades afetadas, a ANP informou que o cenário era de que “não havia falta de produtos, mas questões logísticas”.

Guerra no Irã pressiona cadeia do petróleo e eleva preços

A situação nas cidades gaúchas e o aumento do preço do óleo diesel em diversas partes do país são reflexos da guerra no Irã, que afeta a cadeia global do petróleo.

Entre os derivados, o diesel é o que mais sente os impactos do cenário internacional, já que o Brasil importa cerca de 30% do combustível que consome.

Segundo a ANP, desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, o preço do litro do óleo diesel no país subiu cerca de 20%.

Medidas do governo buscam reduzir repasse ao consumidor

O governo tem adotado medidas para atenuar o repasse da alta global ao consumidor final. Uma delas foi a zeragem das alíquotas dos tributos federais que incidem sobre o diesel, o PIS e a Cofins.

Outra frente é a subvenção às empresas — uma espécie de reembolso — de R$ 0,32 para cada litro de diesel produzido ou importado.

A Petrobras, principal fornecedora do país, reajustou o preço do óleo diesel em R$ 0,38 no último dia 14. De acordo com a presidente da estatal, Magda Chambriard, o reajuste nas bombas foi suavizado pelas ações do governo federal.

Além disso, há proposta para que os estados também colaborem com subsídio ao diesel.

A ANP atua ainda na fiscalização da cadeia de comercialização dos combustíveis, com visitas a postos e distribuidoras.

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