Michelle comemora decisão que autoriza Bolsonaro a cumprir prisão domiciliar por 90 dias

Medida humanitária começa a valer após alta do hospital DF Star; Moraes impôs tornozeleira e vetou celular e redes sociais

25/03/2026 às 07:11 por Redação Plox

BRASÍLIA - A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comemorou nesta terça-feira (24/3) a autorização para que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpra prisão domiciliar humanitária por 90 dias, a partir da alta hospitalar. Em publicação nas redes sociais, ela citou uma passagem bíblica e afirmou que pediu ajuda a Deus durante o período em que o marido esteve preso na Papudinha.

Michelle cita fé e diz celebrar “pequenas vitórias”

Sim, eu celebro as pequenas vitórias. Não me detenho nos detalhes do processo. Sou esposa e mãe, e clamei muito a Deus para que nos ajudasse, para que ele pudesse ir para casa e receber o cuidado necessário. O amanhã pertence a Deus. A justiça e o juízo estão nas mãos DeleMichelle Bolsonaro

Em seguida, Michelle escreveu que seguirá cuidando do marido “com amor, resiliência, dedicação e fé” e pediu que, antes de reações, as pessoas lembrem que quem está longe de casa, da filha menor de idade e do próprio lar é ele. A autorização prevê que Bolsonaro cumpra a medida por três meses, com reavaliação ao final.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro poderá acompanhar o marido, Jair Bolsonaro, durante a prisão domiciliar humanitária

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro poderá acompanhar o marido, Jair Bolsonaro, durante a prisão domiciliar humanitária

Foto: Beto Barata/PL


A postagem foi acompanhada por duas fotos de Bolsonaro no hospital, registradas em abril de 2025, no mesmo local em que ele está internado atualmente com quadro de broncopneumonia. Cumprindo pena de prisão, Bolsonaro não pode ter acesso a celular ou outros equipamentos eletrônicos.

Reunião no STF antecedeu a decisão

Na segunda-feira (23/3), Michelle Bolsonaro esteve no Supremo Tribunal Federal (STF) para uma reunião com o ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal do ex-presidente. Segundo o texto, a intenção foi reforçar o pedido para a prisão domiciliar.

Domiciliar por 90 dias só vale após alta, ainda sem previsão

O benefício da domiciliar humanitária temporária foi concedido no âmbito da execução penal em que Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado. A medida, porém, só passa a valer após a alta do hospital DF Star, para a qual não há previsão.

Na decisão, Moraes aponta um fato novo que justificaria a mudança de regime: o quadro de pneumonia. De acordo com o ministro, Bolsonaro está estável, mas, por causa da idade e do histórico de saúde, a recuperação seria mais segura em casa. Ele também registra que a recuperação em idosos pode levar de 45 a 90 dias, razão para fixar a domiciliar por três meses, com reavaliação ao final.

Moraes diz que estrutura na Papudinha era adequada

Ao mesmo tempo, Moraes afirma que não mudou os fundamentos que embasaram a negativa anterior. Segundo ele, a Papudinha — onde Bolsonaro estava preso e passou mal — oferecia estrutura adequada, com atendimento médico regular, equipe de saúde, além de acesso a fisioterapia, atividades físicas, visitas e assistência religiosa.

O ministro também registrou que Bolsonaro poderia ter antecipado seu atendimento no local caso tivesse acionado mais cedo o “botão de pânico” na cela, disponível 24 horas por dia.

Relato de sintomas e horários de atendimento

Bolsonaro relatou à cirurgiã-geral Ana Cristina Neves que teria sentido os primeiros sintomas, como náuseas e tremores, por volta das 2h. Em relatório enviado ao ministro, a cirurgiã-geral informou que os agentes acionaram a equipe médica apenas às 6h45.

Depois que o cardiologista foi chamado à Papudinha, a PMDF iniciou a transferência do ex-presidente para o DF Star às 8h22, com chegada cerca de 30 minutos depois, às 8h55.

Decisão impõe restrições e reforça que pena não foi abrandada

Na autorização para a domiciliar temporária, Moraes afirmou que o ex-presidente descumpriu reiteradamente medidas cautelares e citou a violação da tornozeleira como indício de tentativa de fuga. Para o ministro, isso afasta qualquer interpretação de que a prisão domiciliar represente um abrandamento definitivo da pena.

Por isso, a medida foi autorizada com uma série de restrições: uso de tornozeleira eletrônica, com monitoramento restrito ao endereço residencial e envio diário de relatórios ao juízo; proibição de uso de celular ou qualquer meio de comunicação, inclusive por terceiros; proibição de uso de redes sociais, direta ou indiretamente; e proibição de gravação de vídeos ou áudios.

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