Minas Gerais confirma 17 casos de mpox em 2026, com registros recentes em BH
Boletim da SES-MG aponta concentração na capital e em Contagem; todos os pacientes evoluíram para cura, e secretaria reforça prevenção e monitoramento
25/03/2026 às 12:33por Redação Plox
25/03/2026 às 12:33
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
Minas Gerais chegou a 17 casos confirmados de mpox em 2026. De acordo com boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) nesta quarta-feira (25/3), os registros mais recentes foram em Belo Horizonte e todos os pacientes evoluíram para cura.
Ao todo, foram contabilizados 11 casos em Belo Horizonte, três em Contagem e um em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana. Também houve uma notificação em Formiga, no Centro-Oeste do Estado, e uma em Manhuaçu, na Zona da Mata. Segundo a secretaria, todas as confirmações ocorreram em pessoas do sexo masculino, com idades entre 25 e 56 anos.
Pacientes têm entre 25 e 56 anos e todos evoluíram para cura.
Foto: Reprodução / Freepik.
Em nota, a SES-MG informou que mantém monitoramento permanente do cenário epidemiológico e reforçou a importância de buscar informações confiáveis e adotar medidas preventivas.
O que é mpox e quais são os sintomas
A mpox era anteriormente conhecida como “monkeypox” (varíola dos macacos). Segundo a infectologista Flávia Falci, do Grupo Santa Joana, trata-se de uma infecção causada pelo vírus mpox, da família do gênero Orthopoxvirus, o mesmo da varíola.
Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores no corpo, cansaço e aumento dos linfonodos. Depois, pode haver evolução para a fase eruptiva, quando surgem lesões progressivas na pele: começam avermelhadas, tornam-se vesículas, ficam mais amareladas e, em seguida, viram crostas. Essas lesões podem aparecer na face, região genital, perianal, palmas das mãos e dos pés e mucosas. Em casos graves, pode haver manifestações neurológicas e oculares.
Doença antiga na África e surto global a partir de 2022
A mpox existe há décadas em países da África, principalmente na República Democrática do Congo. O infectologista Dyemison Pinheiro, mestre em saúde coletiva e assistente no pronto-socorro do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, afirma que foi a partir de 2022 que a doença se tornou mundialmente conhecida, com o início de um surto global que segue até hoje.
Ele explica que o vírus se divide em dois clados, que são agrupamentos de espécies semelhantes com ancestral evolutivo comum, e que os clados 1 e 2 se subdividem em 1a e 1b, e 2a e 2b.
Essa avaliação indica a circulação do vírus. Classicamente, por exemplo, o 1a circula entre países da África Central, e o 2b foi primeiro detectado na Nigéria, que seguiu causando infecção entre humanos e é o principal responsável pelo surto global de 2022 até o momento
Dyemison Pinheiro
De acordo com o médico, os sintomas associados ao clado 1b tendem a ser mais exacerbados em pessoas mais vulneráveis ao vírus, como aquelas com déficit de imunidade.
Como ocorre a transmissão
A transmissão acontece principalmente por contato físico direto com as lesões antes do período de cicatrização — seja em contato sexual ou não, segundo Pinheiro. O período de incubação pode variar de poucos dias a cerca de três semanas. Por isso, a orientação é manter isolamento até a completa cicatrização das lesões, para reduzir o risco de transmissão.
Flávia Falci ressalta que a doença também pode ser transmitida antes do aparecimento de sintomas ou por pacientes assintomáticos. O contato com fluidos corporais, como saliva, sangue e sêmen, a transmissão da mãe para o bebê e a contaminação por objetos também são formas frequentes. Já a infecção por gotículas respiratórias pode ocorrer, mas é menos comum. A médica acrescenta que há relatos de transmissão de animais para pessoas, principalmente em surtos anteriores.
Segundo Falci, entre os grupos de maior risco estão homens que fazem sexo com homens, pessoas que vivem com HIV/Aids, pessoas imunossuprimidas, crianças pequenas e gestantes — neste último caso, também pelo risco de transmissão vertical e complicações para os fetos.
Tratamento e prevenção
Apesar de existirem estudos em busca de tratamentos específicos, Pinheiro afirma que não foi observada a efetividade esperada. Assim, o tratamento atual é feito com terapia de suporte, sem opção específica.
Para prevenção, os médicos apontam a vacina como a principal medida. O imunizante está disponível no SUS para pessoas maiores de 18 anos que vivem com HIV/Aids, usuários de PrEP e profissionais de saúde com contato com o vírus.
Pinheiro observa, porém, que a oferta de vacinas tem sido insuficiente, o que contribui para baixa cobertura. Ele relata aumento de casos suspeitos e confirmados, inclusive do clado 1b, pouco identificado em circulação no Brasil, e destaca o alerta em períodos de maior contato físico entre pessoas, como o Carnaval.
Na presença de lesões na pele — associadas ou não a febre, dor no corpo e aumento de gânglios —, a orientação é evitar contato com outras pessoas e procurar um infectologista para avaliação. Falci também aponta mudanças comportamentais em relação às parcerias sexuais como forma de prevenção e, no ambiente hospitalar, reforça a importância do uso de equipamentos de proteção e da higiene rigorosa do local de atendimento.