CEO do Grupo Fictor tentou comprar Banco Master na véspera da liquidação e vira alvo da PF
Rafael Góis e o ex-sócio Luiz Rubini são investigados na Operação Fallax, que apura fraudes bancárias contra a Caixa e outros bancos com possível prejuízo de até R$ 500 milhões
25/03/2026 às 09:31por Redação Plox
25/03/2026 às 09:31
— por Redação Plox
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O CEO e sócio do grupo Fictor, Rafael Góis, tentou comprar o Banco Master antes de a instituição ser liquidada pelo Banco Central (BC). A negociação ocorreu no dia anterior à operação que atingiu a instituição financeira ligada a Daniel Vorcaro.
CEO e ex-sócio da Fictor estão entre alvos da Operação Fallax, da PF, deflagrada nesta quarta (25).
Foto: Divulgação.
Góis e Luiz Rubini, ex-sócio da Fictor, estão entre os alvos de mandados de busca e apreensão da Operação Fallax, deflagrada nesta quarta-feira (25/3) pela Polícia Federal (PF), com apoio da Polícia Militar de São Paulo.
A operação busca desarticular um esquema de fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal e outros bancos, além de apurar crimes de estelionato e lavagem de dinheiro. Segundo as informações divulgadas, o volume sob investigação pode chegar a R$ 500 milhões.
Operação Fallax mira fraudes e cumpre prisões
Além das ordens de busca e apreensão, a operação também cumpre 21 mandados de prisão. Até o início da manhã desta quarta-feira, 13 pessoas haviam sido presas.
Recuperação judicial e dívida bilionária
No dia 1º de fevereiro, o Grupo Fictor protocolou no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) um pedido de recuperação judicial. A holding informou ter uma dívida de aproximadamente R$ 4 bilhões.
Em nota, a empresa afirmou que o pedido “foi consequência da crise de liquidez momentânea originada a partir de 18 de novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master”.
Segundo a Fictor, um consórcio liderado pelo grupo iria adquirir o Master, e a empresa afirma ser vítima da ação do Banco Central no caso. No mesmo comunicado, a holding atribui a perda de liquidez ao impacto de notícias negativas e especulações no mercado.
Compra do Master foi anunciada na véspera da liquidação
O anúncio de compra do Banco Master foi feito pelo Grupo Fictor em 17 de novembro de 2025, com previsão de aquisição por R$ 3 bilhões. As tratativas começaram depois de o Banco Central barrar o Banco de Brasília (BRB) de comprar o Master.
No dia seguinte ao anúncio, em 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação do banco de Daniel Vorcaro. Ainda segundo o texto, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero, que prendeu o banqueiro e outros integrantes da cúpula da instituição.
Quem é o Grupo Fictor
A Fictor Holding Financeira reúne participações e investimentos em três divisões: alimento, energia e serviços financeiros. O grupo informa ter cerca de 6 mil colaboradores, incluindo 1,5 mil assessores comerciais.
Em 2025, o conglomerado emprestou mais de R$ 1 bilhão em créditos consignados. Um braço do grupo, a Fictor Alimentos, entrou na bolsa de valores e já faturou R$ 100 milhões por mês. A empresa também ficou conhecida por ser a principal patrocinadora do Palmeiras.
Entre as empresas do grupo está a Fictor Agro, voltada ao agronegócio. Conforme foi revelado em maio de 2025 na coluna do Tácio Lorran, a companhia usou o modelo de sociedades em conta de participação (SCPs) para captar recursos de investidores. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu processo de investigação e determinou que a Fictor descontinuasse a prática, retirando o anúncio do produto do site. A compra do Master teria como um dos objetivos resolver essa questão.
Plano de recuperação prevê quitação sem deságio
No comunicado sobre o pedido de recuperação judicial, o Grupo Fictor declarou que pretende quitar os débitos, estimados em R$ 4 bilhões, sem nenhum deságio.
No mesmo texto, a empresa informa que pediu tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por um período inicial de 180 dias, argumentando que a medida reduziria o risco de corridas individuais e ajudaria a viabilizar uma solução coletiva.
A Fictor também afirmou que o pedido de recuperação judicial não inclui as subsidiárias, que, segundo a holding, são viáveis economicamente e devem seguir com rotinas, contratos e projetos.
Palmeiras rescinde patrocínio e aponta inadimplência
Um dia após o pedido de recuperação judicial, a Sociedade Esportiva Palmeiras anunciou a rescisão do contrato de patrocínio com a Fictor. No comunicado, o clube informou que a decisão ocorreu “em razão do inadimplemento contratual e do pedido de recuperação judicial realizado pelo grupo”.
A nota também afirma que a Fictor deve valores ao clube e que o Palmeiras “estuda providências cabíveis”. A dívida é apontada como sendo de R$ 2,6 milhões. Firmado em abril de 2025, o contrato de patrocínio tinha valor de R$ 30 milhões.
Liquidação do Banco Master e impacto nos credores
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 18 de novembro. O BC alegou haver fraude na venda de carteiras de créditos. Desde então, credores elegíveis tiveram de acionar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para requisitar garantias que, somadas, chegam a R$ 40,9 bilhões.
O Tribunal de Contas da União (TCU) indicou a possibilidade de reversão da liquidação extrajudicial, mas, após repercussão negativa, recuou.