Estudo aponta automutilação e ideação suicida em adolescentes trans e relaciona risco à não aceitação familiar
Pesquisa da UFPR com 64 entrevistas com pais e responsáveis indica conflitos em casa, bullying escolar e falta de rede de proteção como fatores associados a autolesão e tentativas de suicídio
25/04/2026 às 09:45por Redação Plox
25/04/2026 às 09:45
— por Redação Plox
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Um estudo com pais e responsáveis por adolescentes trans de 12 a 17 anos apontou que 50% desses jovens já praticaram automutilação, enquanto 37,5% apresentaram ideação suicida e 17% tentaram suicídio. A pesquisa foi publicada na revista Psicologia Argumento e reuniu 64 entrevistas com pais de meninos e meninas trans, além de responsáveis por pessoas não-binárias.
Conflitos familiares aparecem entre os principais fatores de risco
O artigo, elaborado por cientistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), indica que conflitos familiares estão entre os fatores de risco associados ao sofrimento desses adolescentes. Um dos desdobramentos citados é a saída precoce de casa, fenômeno descrito como êxodo LGBTI+.
Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), esse êxodo costuma ocorrer por volta dos 13 anos.
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Escola, violência e falta de proteção agravam o cenário
O estudo também aponta a exposição a riscos no ambiente escolar, onde são relatados bullying e agressões. Além disso, a não aceitação por amigos e familiares foi citada por 67% dos responsáveis como um fator central associado a comportamentos de autolesão e ideação suicida.
Entre outros agravantes, a publicação menciona a exposição contínua à violência, sem acesso a redes de proteção. A falta ou a má qualidade de serviços de saúde especializados também aparece como elemento que contribui para agravar a situação.
Vulnerabilidade social torna o problema ainda mais grave
A pesquisa destaca que o quadro é ainda mais grave entre adolescentes em situação de vulnerabilidade social. De acordo com a publicação, as famílias ouvidas já buscavam ativamente redes de apoio e suporte, o que reforça a dimensão do problema mesmo entre quem tenta acessar ajuda.