PGR apoia liberação de Bolsonaro para cirurgia no ombro; decisão será de Moraes

Defesa cita dores recorrentes e recomendação médica para reparo do manguito rotador durante prisão domiciliar humanitária

25/04/2026 às 07:57 por Redação Plox

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou nesta sexta-feira (24/4) a favor da liberação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para realizar uma cirurgia no ombro direito. A decisão sobre o pedido agora cabe ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.


De acordo com a defesa, Bolsonaro enfrenta dores no ombro direito e recebeu recomendação de um médico especialista para passar por um procedimento de reparação do manguito rotador e de lesões associadas. Os advogados solicitaram que a cirurgia seja realizada nos dias 24 ou 25 de abril e pediram que a autorização inclua todas as etapas do tratamento, como preparação, pré-operatório, internação, procedimento, pós-operatório e reabilitação.

Jair Bolsonaro aguarda decisão do ministro Alexandre de Moraes para cirurgia no ombro

Jair Bolsonaro aguarda decisão do ministro Alexandre de Moraes para cirurgia no ombro

Foto: Gustavo Moreno/STF


Defesa diz que Bolsonaro já faz exercícios preparatórios em casa

Mais cedo, os advogados informaram ao STF que Bolsonaro já realiza exercícios pré-operatórios em casa, onde cumpre temporariamente a pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

No documento encaminhado ao tribunal, o cardiologista Brasil Ramos Caiado afirmou que Bolsonaro tem apresentado melhora progressiva após o quadro de broncopneumonia, mas ainda relata dores.

“A queixa principal no momento se refere às dores recorrentes e intermitentes no ombro direito, tanto em repouso, quanto aos movimentos do membro”, indicou. No documento encaminhado ao tribunal, o cardiologista Brasil Ramos Caiado

Relatório de fisioterapia aponta “condições funcionais” para a cirurgia

O fisioterapeuta Kleber Caiado avaliou que o ex-presidente está em “condições funcionais” para passar pela intervenção.

“O paciente se encontra em condições funcionais para realização do procedimento cirúrgico do ombro direito. Conforme relatório médico, o paciente apresenta lesões que necessitam de reparação por meio de intervenção cirúrgica”, reforçou. O fisioterapeuta Kleber Caiado

Segundo ele, os exercícios feitos na última segunda e na quinta-feira ajudaram na preparação para o procedimento, especialmente para manter a amplitude de movimento, favorecer o restabelecimento funcional, melhorar a força muscular e aliviar dor e rigidez.

Médico indicou cirurgia antes de alta hospitalar e ida à domiciliar

A defesa sustenta que Bolsonaro sofre com “dor persistente e incapacidade funcional no ombro direito, mesmo após tratamento conservador”, com necessidade de uso diário de medicação analgésica.

O cardiologista Brasil Ramos Caiado apontou a necessidade da cirurgia às vésperas de Bolsonaro deixar o hospital DF Star, em Brasília (DF), para cumprir prisão domiciliar humanitária, em março. Na ocasião, ele projetou que o procedimento ocorreria agora.

“Estimo que, no final do mês de abril, ele provavelmente retornará, com tudo organizado”, estimou. O cardiologista Brasil Ramos Caiado

Bolsonaro ficará em domiciliar humanitária ao menos até junho

O ex-presidente permanecerá em prisão domiciliar humanitária ao menos até junho, quando seu estado de saúde será reavaliado para verificar se o benefício segue necessário. Antes de Moraes decidir se prorroga o prazo inicialmente fixado, Bolsonaro ainda pode passar por nova perícia médica da Polícia Federal (PF).

O ministro autorizou a domiciliar por 90 dias, considerando o período necessário para recuperação do quadro de broncopneumonia.

“Conforme literatura médica, devido às condições mais frágeis do sistema imunológico de idosos, o processo de recuperação total de pneumonia nos dois pulmões, com retorno da força, fôlego e disposição, pode durar entre 45 e 90 dias”, pontuou. O ministro

Na avaliação de Moraes, um ambiente controlado reduz o risco de infecção generalizada, já que, durante os 90 dias, as visitas estão suspensas. O ministro também observou que a medida favorece repouso, alimentação adequada — com a recomendação de evitar “alimentos farelentos como bolachas” — e cuidados de postura ao ingerir alimentos.

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