Movimento antivacina ameaça conquista da humanidade, diz ministro da Saúde

25/06/2019 14:42

"Temos um sistema de vacinação respeitado, é um patrimônio que a gente tem que zelar"

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Em entrevista a BBC News Brasil, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), ministro da Saúde, avalia que o movimento contra a vacinação é fruto de ignorância e ameaça a uma das maiores conquistas da humanidade. 

Mandetta afirma que o Brasil  tem se esforçado para conter epidemias com a vacinação em massa, e informa que o sistema de imunização brasileiro é referência internacional. "É um patrimônio que a gente tem que zelar".

Ele defende ainda o uso medicinal da maconha, mas informa ser contra o "uso banalizado em óleos, cremes e roupas". O ministro acredita ser necessário "evidência científica", a qual se refere ao uso do canabidiol, uma das 113 substâncias químicas encontradas na maconha que hoje se usa no tratamento de epilepsia.

Confira o trecho relacionado a vacinação em entrevista à BBC News Brasil:

BBC News Brasil - Falando em evidência científica, em vários países do mundo o movimento antivacina tem crescido e o Brasil começa, ainda de forma incipiente. Já existem blogueiros e youtubers contra vacinas. O sr. é médico. Por que movimentos como esse ganham força e qual é o perigo?

Mandetta - Eu acho que sobra ignorância. E quando sobra ignorância, aqueles que querem destruir conquistas da humanidade têm um campo fértil. Usam das suas próprias ignorâncias e proliferam. Se tem uma imprensa, um jornalista responsável, eles têm que dizer quais são as fontes. Ali naquela babel (da internet) pessoas se sentem à vontade com suas meias verdades e as suas convicções.

Acho que (os antivacina) são uma minoria. As vacinas são uma conquista da humanidade, talvez o maior passo do século 20 em saúde pública do mundo. A gente erradicou a varíola em 1969, 70. A gente terminou uma doença.

Só quem não sabe o que é uma cegueira, uma pneumonia, uma encefalite por sarampo... Enfim, a gente vê que é uma questão de geração. Se você perguntar às avós... Minha mãe procurou garantir as vacinas aos filhos porque via criança tendo pólio.

Hoje, parece que as pessoas acham que pólio é coisa de extraterrestre. A gente que viu sabe muito bem do que está falando. Uma pessoa mais jovem pode achar que não existe, que é coisa do século passado, não tem noção da gravidade.

BBC News Brasil - O sr. acha que há motivo para o Ministério da Saúde para fortalecer a comunicação, passar essa mensagem?

Mandetta - A gente tem feito um esforço. Tivemos a diáspora da Venezuela, quase três milhões de venezuelanos saíram de qualquer jeito. A gente começou com um surto de sarampo em Roraima, pegou os yanomami, desceu para Manaus e a gente conseguiu cercar com vacina. Seguramos, chegou em Belém frágil.

Depois a gente teve, no Carnaval, oito navios com turistas europeus, franceses que têm índice de vacinação baixa, pessoas com sarampo a bordo querendo descer na costa por conta do Carnaval. A gente teve que entrar no navio, vacinar oito mil pessoas e mesmo assim a gente não sabe se os que desceram estavam no período de incubação. Nova York decretou emergência.

Lógico que a gente vai fazer o dever de casa. Nosso programa de imunização é uma das partes mais fortes do SUS e temos um sistema de vacinação respeitado. É um patrimônio que a gente tem que zelar.

Atualizado às 16h42.



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