Boletim Focus prevê inflação menor em 2026 e Selic em queda a partir de 2026

Projeções do Banco Central indicam inflação de 4% em 2026, dentro da nova meta contínua, além de recuo gradual da Selic após pico em 2025 e câmbio perto de R$ 5,50 nos próximos anos

26/01/2026 às 09:16 por Redação Plox

Os economistas do mercado financeiro reduziram de 4,02% para 4% a projeção de inflação para 2026. A estimativa consta do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Banco Central, a partir de pesquisa feita na última semana com mais de 100 instituições financeiras.


Dinheiro em espécie

Dinheiro em espécie

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Se confirmada, a previsão indica que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará abaixo do registrado no ano passado, quando somou 4,26%.

Para os anos seguintes, as projeções de inflação foram mantidas:

➡️ Para 2027, a expectativa permaneceu em 3,80%;
➡️ Para 2028, a previsão continuou em 3,50%;
➡️ Para 2029, a estimativa seguiu em 3,50%.

Metas de inflação e poder de compra

Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%. O índice é considerado dentro da meta se oscilar entre 1,50% e 4,50%.

Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população, principalmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem mais rápido do que a renda, que nem sempre acompanha esse movimento.

Juros ainda elevados, mas em trajetória de queda

Após a taxa básica de juros ter fechado 2025 em 15% ao ano — o maior patamar em quase duas décadas — na tentativa de conter a inflação, o mercado financeiro mantém a expectativa de recuo dos juros em 2026.

Para o fim de 2026, a projeção segue em 12,25% ao ano, o que representa uma queda de 2,25 pontos percentuais da Selic ao longo do ano. Para o fechamento de 2027, a estimativa do mercado permanece em 10,50% ao ano. Já para o fim de 2028, os analistas mantêm a previsão de 10% ao ano.

Crescimento econômico moderado

Para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a projeção de crescimento foi mantida em 1,80%, abaixo dos cerca de 2,25% estimados para 2025. O resultado oficial do PIB do ano passado ainda não foi divulgado pelo IBGE.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e é usado como principal indicador do desempenho da economia.

Para 2027, o mercado também manteve a expectativa de expansão de 1,80%.

Câmbio deve seguir estável

As projeções do mercado indicam relativa estabilidade da taxa de câmbio neste ano, mesmo em um cenário de eleições, período que costuma pressionar o dólar para cima.

Depois de recuar mais de 11% no ano passado — movimento influenciado pelos juros altos no Brasil — e encerrar 2025 em R$ 5,4887, a moeda norte-americana é estimada pelos economistas dos bancos em R$ 5,50 no fim de 2026.

Para o encerramento de 2027, a previsão do mercado para a cotação permanece em R$ 5,51.

O desempenho do dólar em 2025 foi o pior em quase uma década, refletindo apostas em novos cortes de juros pelo Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, além de preocupações com o déficit das contas públicas e com a condução da economia pelo presidente Donald Trump.

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