Rombo das contas externas sobe para US$ 68 bilhões em 2025, o maior em 11 anos
Resultado negativo de US$ 68 bilhões nas contas externas reflete menor superávit comercial e maior déficit em serviços e renda; projeção do BC para 2026 prevê déficit de US$ 60 bilhões e recuo do investimento estrangeiro direto para US$ 70 bilhões
26/01/2026 às 08:52por Redação Plox
26/01/2026 às 08:52
— por Redação Plox
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O déficit em transações correntes do Brasil alcançou US$ 68 bilhões em 2025, ao mesmo tempo em que o ingresso de investimento estrangeiro direto no país também aumentou, informou o Banco Central (BC) nesta segunda-feira (26).
Terminal de contêineres de Rio Grande (RS)
Foto: Divulgação/Portos RS
Um déficit nas contas externas significa que o país enviou mais recursos ao exterior do que recebeu, seja por meio da importação de bens e serviços, seja pelo envio de lucros, juros e dividendos de empresas instaladas no Brasil para seus controladores no exterior.
Em 2024, o déficit das contas externas havia somado US$ 66,2 bilhões. O resultado de 2025 foi o pior para um ano fechado desde 2014, intervalo de 11 anos, considerando a série histórica do BC, iniciada em 1995.
Como são formadas as contas externas
O saldo em transações correntes é um dos principais indicadores do setor externo da economia brasileira. Ele é composto por três grandes blocos:
Balança comercial: registra o comércio de produtos entre o Brasil e outros países.
Serviços: engloba gastos de brasileiros no exterior e contratação de diversos serviços, como transporte, seguros e serviços financeiros.
Rendas: inclui remessas de juros, lucros e dividendos de empresas e investimentos do Brasil para o exterior.
De acordo com o Banco Central, o tamanho do rombo das contas externas costuma estar ligado ao desempenho da atividade econômica. Quando a economia cresce, o país tende a importar mais e a gastar mais com serviços no exterior, o que, em geral, amplia o déficit.
Desempenho da balança comercial, serviços e renda
A piora nas contas externas em 2025 esteve principalmente associada ao comportamento da balança comercial, que registrou superávit, mas em nível menor do que em 2024, quando o saldo positivo havia sido de US$ 65,9 bilhões, segundo a metodologia de cálculo do BC.
Na conta de serviços, que reúne receitas e despesas com transportes, seguros, serviços financeiros, viagens internacionais e outros itens, o déficit aumentou em 2025 em relação ao ano anterior. Em 2024, o saldo negativo havia sido de US$ 55,2 bilhões.
Já a conta de renda primária, que capta remessas de lucros, dividendos e juros ao exterior, também apresentou resultado negativo maior em 2025. No ano anterior, o déficit somara US$ 81,3 bilhões.
Perspectivas do Banco Central para 2026
Para 2026, o Banco Central projeta um déficit menor nas contas externas, de US$ 60 bilhões, estimativa apresentada no Relatório de Política Monetária divulgado em dezembro do ano passado.
O déficit nas transações correntes deve mostrar algum alívio em 2026 (...) Espera-se aumento do saldo comercial em relação a 2025 – com expansão das exportações e estabilidade nas importações –, acrescido de pequenos recuos dos déficits nas contas de serviços e de renda primária – resultantes do menor dinamismo da atividade econômica doméstica.
Banco Central
Na avaliação da instituição, parte do crescimento esperado das exportações em 2026, frente a 2025, virá de maior volume embarcado, com destaque para o petróleo.
Nas importações, a tendência estrutural de alta — em especial nas compras de bens intermediários — deve ser compensada pela moderação da demanda doméstica e pela redução no valor importado de plataformas de petróleo.
Investimento estrangeiro direto em alta
O Banco Central informou ainda que o investimento estrangeiro direto na economia brasileira aumentou em 2025. Os aportes somaram US$ 77,6 bilhões, acima dos US$ 74,1 bilhões registrados em 2024.
Foi o melhor resultado para um ano fechado desde 2012, um intervalo de 13 anos, de acordo com a série histórica do BC iniciada em 1995.
Com esse volume, o ingresso de investimento estrangeiro direto foi suficiente para cobrir integralmente o déficit de US$ 68 bilhões nas contas externas registrado em 2025.
Para 2026, a projeção do Banco Central é de recuo desse tipo de aporte, para US$ 70 bilhões.