Paciente é internado para retirar desodorante preso no reto após brincadeira sexual
Caso relatado por coloproctologista expõe aumento de atendimentos por objetos presos no intestino e reforça orientações para sexo anal mais seguro, com uso de acessórios adequados e cuidados com higiene
26/01/2026 às 07:33por Redação Plox
26/01/2026 às 07:33
— por Redação Plox
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Explorar o prazer na região anal, seja por curiosidade, para apimentar a relação ou para experimentar a própria sexualidade, é algo comum. Especialistas alertam, porém, que é essencial ter cuidado com os objetos introduzidos. Um médico foi às redes sociais chamar a atenção para o risco após atender um jovem que precisou ser internado para retirar um desodorante preso no reto.
Paciente ficou com desodorante preso no reto
Foto: Arquivo Pessoal
De acordo com o cirurgião coloproctologista Daniel Brosco, o paciente tem 19 anos e relatou ter colocado o desodorante no ânus durante uma “brincadeira” sexual. A embalagem acabou subindo para o reto e não pôde ser retirada em casa, sendo necessária intervenção médica.
A fantasia sexual em si não é o problema; o risco está em usar objetos que não foram feitos para esse tipo de prática. Nessas situações, há possibilidade de vazamento do conteúdo da embalagem, de deslocamento para áreas mais internas do intestino e de necessidade de cirurgia para remoção. Segundo o médico, já houve casos que evoluíram para infecções graves e morte.
A região anal é uma zona erógena importante, com grande concentração de terminações nervosas. Especialistas reforçam que o sexo anal em si não causa hemorroidas e pode ser praticado com segurança, desde que alguns cuidados sejam observados.
Casos de objetos presos no reto estão mais frequentes
O médico relata que o atendimento a pacientes com objetos presos no reto tem se tornado mais comum. Nos últimos meses, ele precisou remover itens como batata, partes de cadeira, garrafa de vidro e plug anal.
Esses casos acontecem porque o intestino pode “sugar” os objetos, em função dos movimentos peristálticos — contrações involuntárias que ajudam no funcionamento do órgão — ou pelo vácuo criado em áreas como o reto. Assim, o objeto pode ficar preso rapidamente.
Nessas situações, a orientação é procurar atendimento hospitalar imediato e evitar soluções caseiras, como o uso de laxantes. A contração provocada por esses medicamentos pode agravar ainda mais o quadro e aumentar o risco de lesões internas.
Uso de sex toys reduz riscos na prática anal
Segundo o médico, é possível explorar a sexualidade anal de forma segura com o uso de sex toys específicos. Esses acessórios são pensados em termos de formato, material e acabamento para reduzir o risco de lesões graves.
Um ponto fundamental é escolher modelos com base alargada de segurança, que impede que o objeto seja completamente sugado, e, preferencialmente, com algum tipo de alça ou cordão que facilite a retirada em caso de sucção.
O especialista destaca que muitas pessoas recorrem a objetos improvisados por vergonha de ir a uma sex shop e acabam utilizando o que têm à mão. Essa prática aumenta muito o risco de perfurações, vazamento de conteúdo intestinal para a cavidade abdominal e infecções graves com potencial de levar à morte.
Plug anal não deve ser usado como dilatador contínuo
De acordo com os profissionais, o uso eventual de um plug anal, feito para esse fim e utilizado da forma correta, não costuma representar risco significativo. O que é totalmente contraindicado é utilizar o plug como dilatador por longos períodos ao longo do dia.
Algumas pessoas mantêm o acessório inserido por horas, tentando dilatar a musculatura da região. Isso é considerado perigoso porque o plug fica apoiado na área do esfíncter anal, estrutura responsável pela continência fecal.
É preciso lembrar que o esfíncter, região onde esses plugs ficam, é responsável pela continência fecal. Se a pessoa usa por muito tempo, a musculatura pode ficar enfraquecida, levando à incontinência fecal — ou seja, a pessoa não consegue segurar as fezes
Daniel Brosco
O uso prolongado e inadequado desses acessórios pode comprometer a força da musculatura e provocar perda de controle sobre as fezes.
Lubrificação e higiene: cuidados para o sexo anal seguro
Apesar do tabu, especialistas ressaltam que a região anal pode ser explorada com segurança, desde que alguns cuidados básicos sejam observados.
O primeiro é o uso de lubrificante, já que o ânus não possui lubrificação natural. O gel ajuda a reduzir o atrito, diminui o risco de dor e de lesões e evita pequenas fissuras que podem facilitar a transmissão de infecções.
Outro ponto frequentemente citado é a higiene prévia à relação, conhecida como “chuca” — a limpeza interna do ânus e do reto. Embora muitas pessoas recorram a essa prática para evitar situações constrangedoras, ela deve ser feita com cautela.
Entre os principais riscos está a introdução de objetos no ânus para a lavagem, como a ducha do chuveiro, objetos pontiagudos ou garrafas, o que é expressamente contraindicado pelos especialistas.
Os proctologistas reforçam que a lavagem não é obrigatória. Se a pessoa optar por fazê-la, a recomendação é usar a menor quantidade de água possível, sem pressão, para evitar que o líquido alcance o reto. Além disso, a prática não deve ser frequente, pois a região abriga microrganismos importantes para o equilíbrio da flora intestinal e para a saúde do intestino.
Respeitar os limites do corpo, usar apenas acessórios adequados e procurar ajuda médica diante de qualquer complicação são medidas essenciais para uma vida sexual anal mais segura.