Desistência de Tarcísio expõe fragilidade do governo Lula e embaralha sucessão de 2026
Sem vitrine eleitoral consolidada e sob alta desaprovação, Planalto vê decisão do governador paulista reforçar Flávio Bolsonaro e agravar incerteza sobre reeleição de Lula
26/01/2026 às 18:28por Redação Plox
26/01/2026 às 18:28
— por Redação Plox
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanha de perto os movimentos que antecedem o ciclo eleitoral deste ano. Em público, reafirma a intenção de disputar a reeleição e voltar às urnas para impedir que a sucessão no Palácio do Planalto seja conduzida por um nome da direita. A postura, porém, expõe um quadro de fragilidade interna, ausência de plano sucessório e tensão crescente no campo governista.
As declarações de Lula têm sido usadas mais como instrumento de pressão política do que como sinal de consolidação de um projeto eleitoral robusto. O discurso funciona como tentativa de conter danos e reduzir impactos negativos que cercam o lulopetismo neste momento do governo. Esse esforço de comunicação, sustentado por marqueteiros, é visto no Planalto como um recurso para ganhar tempo diante de um cenário considerado desfavorável.
Um dos principais entraves para o PT é a inexistência de um plano alternativo para 2026. Ao longo dos últimos anos, o partido não tratou de formar uma liderança com capacidade de protagonizar uma eventual sucessão. A lacuna não é vista como mero acaso. Lula manteve a postura histórica de evitar o fortalecimento de nomes internos que pudessem ultrapassá-lo como referência central da esquerda. Em sua trajetória, o petista atuou para preservar o lugar de liderança máxima, limitando o surgimento de concorrentes dentro de seu próprio campo político.
Foto: Agência Brasil
Governo sem vitrine e desgaste crescente
O quadro se complica ainda mais quando se observam os indicadores do governo Lula 3. No Planalto, já está claro que as avaliações da atual gestão são negativas nas principais áreas. Desde o início do mandato, em 2023, nenhuma pasta conseguiu se firmar como vitrine eleitoral capaz de sustentar um eventual “Lula 4”. A desaprovação é elevada em diferentes regiões do país e se espalha de forma ampla, o que limita a capacidade de reação do governo e reduz as margens para uma narrativa de recuperação.
Esse desgaste começa a transbordar para além da política institucional. Na Faria Lima, a percepção dominante é de que a reeleição de Lula se tornou improvável. O mercado financeiro não demonstra confiança em uma eventual continuidade do atual governo em Brasília, e essa leitura já influencia apostas, projeções e expectativas para o cenário pós-2026.
Decisão de Tarcísio desorganiza cálculos do Planalto
É nesse contexto que surgiu a notícia que deixou Lula inconformado. O presidente foi informado, na última semana, da confirmação de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não será candidato à Presidência da República. Embora já houvesse sinais nessa direção, Lula ainda alimentava a expectativa de que o governador permanecesse como opção no tabuleiro eleitoral por mais tempo. O impacto da decisão foi maior do que o previsto no núcleo petista.
A preocupação não recai apenas sobre a saída de Tarcísio, mas principalmente sobre o timing dessa retirada. O entorno do presidente não contava com uma decisão tão precoce do governador paulista. A avaliação interna é de que essa debanda altera completamente a dinâmica das pesquisas e tende a produzir novos efeitos negativos sobre os índices de Lula.
Votos de Tarcísio e avanço de Flávio Bolsonaro
Dirigentes do PT e de outras siglas de esquerda já trabalham com o temor de que a desistência de Tarcísio provoque um deslocamento imediato das intenções de voto em direção a Flávio Bolsonaro. A expectativa é que o nome do senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, passe a registrar alta rápida ainda no segundo mês do primeiro trimestre, redesenhando os cálculos eleitorais feitos até agora.
Até então, a estratégia do campo governista partia da premissa de que Tarcísio e Flávio permaneceriam nas sondagens ao menos até abril ou maio, com possibilidade de avançar até junho. Esse quadro ajudaria a dividir os votos da direita e manter Lula competitivo em um cenário fragmentado. Com a saída antecipada do governador de São Paulo, essa lógica se quebrou.
No campo da esquerda, a leitura predominante é que um apoio explícito de Tarcísio tende a transferir parcela significativa de seu eleitorado para Flávio Bolsonaro. Estimativas internas apontam que cerca de 60% a 70% dos votos hoje vinculados ao governador poderiam migrar diretamente para o senador. Se esse movimento se confirmar, Lula corre o risco de ser ultrapassado nas principais pesquisas nacionais em um intervalo menor do que o previsto.
Apreensão no Planalto com próximas pesquisas
A notícia, recebida ainda nos primeiros dias do ano, causou desânimo e atritos no núcleo próximo a Lula. Entre aliados do presidente, o clima é de apreensão em relação às próximas rodadas de pesquisas, sobretudo as previstas para divulgação entre fevereiro e março. A expectativa é de que os números, que já não são favoráveis, sofram novos reveses e aprofundem a crise de expectativa em torno da candidatura à reeleição.