MG vai autuar Vale por danos ambientais e demora em comunicar extravasamentos em minas
Governo de Minas anuncia autuações contra a Vale após extravasamentos com sedimentos em minas de Congonhas e Ouro Preto, que levaram ao assoreamento de afluentes do Rio Maranhão; empresa nega transporte de rejeitos e contaminação
26/01/2026 às 18:18por Redação Plox
26/01/2026 às 18:18
— por Redação Plox
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O governo de Minas Gerais informou, nesta segunda-feira (26), que vai autuar a Vale pelos danos ambientais provocados e pela demora na comunicação sobre os extravasamentos registrados em duas minas localizadas entre Congonhas e Ouro Preto, na Região Central do estado.
Áreas de vazamento passam por vistorias
Foto: Prefeitura de Congonhas / Divulgação
Segundo o Executivo estadual, as infrações se baseiam nos artigos 112 e 116 do Decreto nº 47.383/2018, que estabelece normas para licenciamento ambiental e tipifica violações às regras de proteção ao meio ambiente.
De acordo com o governo, foram identificados danos ambientais decorrentes do carreamento de sedimentos e do assoreamento de cursos d’água afluentes do Rio Maranhão.
Medidas emergenciais impostas à mineradora
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) determinou que a Vale adote uma série de ações emergenciais nas áreas afetadas.
Entre as medidas exigidas estão:
• ações de limpeza no local impactado;
• monitoramento do curso d’água atingido;
• apresentação de um plano de recuperação ambiental, incluindo limpeza das margens, desassoreamento e demais intervenções necessárias para recuperar o curso d’água afetado.
Vale minimiza impactos e nega rejeitos nos rios
Em entrevista concedida à Itatiaia na tarde desta segunda-feira, o vice-presidente Executivo Técnico da Vale, Rafael Bittar, minimizou possíveis impactos ambientais decorrentes dos episódios de extravasamento em estruturas da empresa no interior de Minas Gerais.
O executivo afirmou que não houve transporte de rejeitos de mineração para os rios e que não foram identificados contaminantes levados pelos extravasamentos.
Dois extravasamentos em menos de 24 horas
Os incidentes ocorreram nesse domingo (25) em duas estruturas da mineradora na Região Central do estado.
O primeiro caso foi registrado durante a madrugada, na mina de Fábrica, em Ouro Preto. O líquido extravasado alagou áreas da CSN Mineração.
Horas depois, um novo extravasamento de água com sedimentos foi comunicado na mina Viga, localizada entre a Plataforma e o Esmeril, em Congonhas.
Os dois episódios aconteceram exatamente sete anos após o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Grande Belo Horizonte, em 25 de janeiro de 2019. O desastre deixou 270 mortos — ou 272, se incluídas as vítimas grávidas — e ainda provoca profundos impactos na vida de famílias e comunidades atingidas, que seguem cobrando justiça, responsabilização criminal e avanços concretos na reparação.
O que diz a Vale sobre os extravasamentos
Em nota, a empresa declarou que os extravasamentos registrados em Congonhas e Ouro Preto foram contidos e que não houve feridos nem impactos à população e às comunidades próximas.
A Vale esclarece que os extravasamentos de água identificados em Congonhas e Ouro Preto no domingo (25) foram contidos. Ninguém ficou ferido e a população e as comunidades próximas não foram afetadas.
Nenhuma das duas situações tem qualquer relação com as barragens da Vale na região, que seguem sem alterações nas suas condições de estabilidade e segurança e são monitoradas 24 horas por dia, 7 dias por semana. A Vale esclarece, ainda, que não houve carreamento de rejeitos de mineração, apenas água com sedimentos (terra).
A Vale realiza periodicamente ações preventivas de inspeção e manutenção de suas estruturas, que são seguras. A empresa reforça esses procedimentos durante o intenso período chuvoso. As causas dos dois extravasamentos estão sendo apuradas e os aprendizados extraídos serão imediatamente incorporados aos planos de chuva da companhia. A Vale segue à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.