Investimentos em infraestrutura batem recorde em 2025, mas Brasil segue atrás em ranking global

Aportes de R$ 280 bilhões em obras públicas e privadas não impedem país de ocupar 58ª posição em levantamento do IMD, refletindo falta de planejamento, custos altos e atrasos em projetos como a Ferrovia Norte-Sul

26/01/2026 às 13:04 por Redação Plox

O investimento em infraestrutura, responsável por sustentar o funcionamento das cidades mesmo quando passa despercebido no dia a dia, atingiu um patamar inédito em 2025. Somados, os aportes públicos e privados chegaram a R$ 280 bilhões no setor, o maior volume já registrado.

Imagem ilustrativa

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Foto: Pixabay


Mesmo com esse avanço, o Brasil ocupa apenas a 58ª posição no ranking de infraestrutura do Instituto para o Desenvolvimento de Gestão (IMD), escola internacional de negócios. O país figura entre os últimos colocados da classificação, o que evidencia o descompasso entre o montante aplicado e a qualidade percebida dos serviços e obras disponíveis.

Limitações de orçamento e falta de planejamento

A colocação no ranking internacional é atribuída, em parte, às limitações de orçamento em um país de dimensões continentais e com recursos restritos. Além disso, há escassez de projetos estruturados com visão de longo prazo, tanto na área operacional quanto na financeira, o que compromete a continuidade das obras e a eficiência dos investimentos.

O professor Paulo Resende, do Núcleo de Infraestrutura da Fundação Dom Cabral (FDC), ressalta que o setor convive com custos operacionais elevados, o que acaba travando a execução e a conclusão de projetos importantes.

A questão é que, quando se gera dinheiro, até se consegue iniciar a obra, mas não garantir sua continuidade. Isso acontece porque o problema está na operação, e não no capital, no investimento inicial. O projeto da ferrovia Norte-Sul, por exemplo, é de 1980 e ainda não foi concluído

Paulo Resende, professor do Núcleo de Infraestrutura da Fundação Dom Cabral (FDC)

Desafio de ampliar o volume de recursos

Na avaliação do ministro dos Transportes, Renan Filho, elevar o nível de investimento em infraestrutura continua sendo um dos principais desafios do país. Segundo ele, o porte territorial brasileiro exige um padrão de aporte mais robusto, sustentado ao longo dos anos, para que estradas, portos, ferrovias e demais modais atendam ao crescimento da economia.

O ministro destaca que o Brasil precisa caminhar para aplicar uma fatia maior do Produto Interno Bruto em infraestrutura e lembra que, mesmo sob o impacto de tarifas impostas pelos Estados Unidos, o movimento em portos e rodovias cresceu recentemente. Esse aumento de fluxo, reforça, demanda mais capacidade logística e estruturas adequadas para escoar a produção pelo país.

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