Relatório da PF põe sob suspeita lobistas ligados a Lula por visitas sem registro ao Planalto

Kalil Bittar e Carla Ariane Trindade, com vínculos pessoais com o presidente, foram ao menos dez vezes ao Palácio do Planalto entre 2023 e 2025 atuando em favor de empresário da área educacional, com repasses de R$ 210 mil e viagens custeadas, segundo investigação

26/01/2026 às 09:30 por Redação Plox

Pagamentos identificados pela Polícia Federal (PF) e viagens financiadas por um empresário colocaram sob suspeita a circulação de dois lobistas com ligações pessoais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Palácio do Planalto.

Uma reportagem do UOL publicada neste sábado (24) aponta que Kalil Bittar, amigo da família do presidente, e Carla Ariane Trindade, ex-nora de Lula, acessaram a sede do governo ao menos dez vezes entre 2023 e 2025, sem registros formais nas agendas oficiais.

Palácio do Planalto

Palácio do Planalto

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil


As investigações indicam que os dois atuavam em favor do empresário André Gonçalves Mariano, dono da Life Educacional, que buscava ampliar sua atuação em Brasília. Entre 2022 e 2024, Mariano transferiu R$ 210 mil a Bittar, segundo relatório da PF. Um dos repasses, de R$ 30 mil, ocorreu dois dias após uma visita ao Planalto.

Lobista levou empresário a reuniões no Planalto

De acordo com os registros citados na reportagem, em pelo menos três ocasiões Bittar levou o empresário a reuniões com o chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.

Carla Trindade e André Mariano já haviam sido alvo da Operação Coffee Break, que investiga o pagamento de propina para destravar licitações e liberar recursos do Ministério da Educação. Documentos mostram que os dois viajaram juntos a Brasília, com despesas custeadas pelo empresário, e estiveram no Planalto em mais de uma oportunidade.

Defesas negam irregularidades

Segundo a reportagem, a Secretaria de Comunicação da Presidência informou que o recebimento de representantes da sociedade integra a rotina institucional do governo. As defesas de Bittar e Carla negam irregularidades e afirmam que as visitas foram informais e sem intermediação de interesses.

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