Polícia Civil faz buscas em investigação sobre morte de cão comunitário em Florianópolis

Operação apura maus-tratos e possível coação de testemunha envolvendo adolescentes suspeitos e pai policial civil; caso gerou protestos na Praia Brava e campanha #JustiçaPorOrelha

26/01/2026 às 08:32 por Redação Plox

Uma operação da Polícia Civil cumpre, na manhã desta segunda-feira (26), três mandados de busca e apreensão em endereços ligados a investigados por maus-tratos e coação no processo que apura a morte do cão comunitário Orelha, de cerca de 10 anos, agredido na Praia Brava, em Florianópolis.

As diligências têm como objetivo reunir novos elementos de prova. A investigação já identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento nas agressões que resultaram na morte do animal.


Orelha era um dos cães mascotes da região da Praia Brava, em Florianópolis

Orelha era um dos cães mascotes da região da Praia Brava, em Florianópolis

Foto: Reprodução/Redes sociais


Também é apurada a informação de que um policial civil, pai de um dos suspeitos, teria coagido uma testemunha. A delegada responsável pelo inquérito, Mardjoli Valcareggi, afirmou que essa denúncia está sob análise, mas negou qualquer participação de policial civil nas agressões. Os nomes dos investigados não foram divulgados.

Como foi a agressão ao cão comunitário

De acordo com relatos de moradores, Orelha, que vivia pelas ruas da Praia Brava, havia desaparecido. Dias depois, uma das pessoas que cuidavam do cão o encontrou durante uma caminhada, caído e agonizando.

O animal foi recolhido e levado a uma clínica veterinária, mas, diante da gravidade dos ferimentos, a equipe optou pela eutanásia. Em entrevista à NSC TV, o empresário e morador da região, Silvio Gasperin, relatou como o caso chegou até os cuidadores e se emocionou ao falar sobre a necessidade de responsabilização dos envolvidos.

A Fátima ficou sabendo, mas não encontrou ele de imediato. Em uma caminhada, achou ele jogado e agonizando. Recolheu, levou ao veterinário… precisa de justiça, né?

Silvio Gasperin

O papel de Orelha na comunidade

A Praia Brava conta com três casinhas destinadas a cães que se tornaram mascotes da região. Orelha era um desses animais comunitários, conhecido e acompanhado de perto por moradores.

Um aposentado que ajudava no cuidado aos cães relatou que as casas e a alimentação eram mantidas de forma voluntária por pessoas do bairro, que se revezavam nas tarefas cotidianas de cuidado.

Além da convivência com os moradores, Orelha também interagia com outros cães do entorno. A rotina incluía passeios, alimentação regular e a presença constante na paisagem da Praia Brava, o que reforçava o vínculo afetivo com quem circulava pela região.

Em nota divulgada na sexta-feira (17), a Associação de Moradores da Praia Brava ressaltou que o cão fazia parte do cotidiano do bairro havia muitos anos e era cuidado espontaneamente pela comunidade, tornando-se um símbolo do vínculo de cuidado com o espaço e com os animais da região.

Protestos e mobilização por justiça

Desde a morte de Orelha, moradores, protetores independentes, Organizações Não Governamentais (ONGs) e institutos ligados à causa animal passaram a se manifestar cobrando responsabilização pelos maus-tratos.


Moradores fazem protesto no sábado (24), após morte de cão comunitário em Florianópolis

Moradores fazem protesto no sábado (24), após morte de cão comunitário em Florianópolis

Foto: Divulgação/Fernanda Oliveira


No sábado (17), foi realizada a primeira mobilização pública na Praia Brava. No sábado seguinte (24), um novo protesto reuniu dezenas de pessoas na região, em uma caminhada com cartazes e camisetas com pedidos de justiça.

Os participantes carregaram faixas com frases como “Justiça Por Orelha”, caminharam acompanhados de seus próprios cães e fizeram uma oração em homenagem ao animal. A mobilização se estendeu às redes sociais, com moradores e protetores publicando imagens com a hashtag #JustiçaPorOrelha.

Nesse domingo (25), a repercussão ganhou ainda mais visibilidade com a publicação de vídeos de atrizes que se manifestaram nas redes sociais lamentando a morte do cão e cobrando providências das autoridades responsáveis pela investigação.

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