Famílias denunciam mais de um ano de atraso na entrega de condomínio em Niterói

Compradores do Pendotiba 3, no Largo da Batalha, relatam insegurança, mudanças de planos e custos extras com aluguel enquanto construtora volta a adiar previsão de entrega para março de 2026

26/01/2026 às 14:01 por Redação Plox

Famílias que compraram apartamentos na planta em um condomínio no Largo da Batalha, em Niterói, denunciam sucessivos atrasos na entrega das unidades e afirmam que esperam há mais de um ano além do prazo previsto em contrato. Enquanto isso, parte dos compradores segue pagando aluguel ou vivendo de favor, sem uma previsão concreta de quando poderá se mudar.


Compradores denunciam atrasos sucessivos na entrega de condomínio em Niterói, que ainda não teve as obras concluídas

Compradores denunciam atrasos sucessivos na entrega de condomínio em Niterói, que ainda não teve as obras concluídas

Foto: Reprodução/TV Globo

O condomínio Pendotiba 3, com 224 apartamentos, começou a ser vendido em 2020 pela MP Construtora e Incorporadora. Na época do lançamento, unidades de três quartos custavam cerca de R$ 270 mil, e as coberturas chegavam a R$ 500 mil. A promessa inicial era de conclusão das obras até o fim de 2024.

Seis anos após o início das vendas, os compradores relatam que ainda não receberam as chaves e acumulam uma sequência de prazos não cumpridos. Segundo eles, a entrega já foi remarcada para novembro de 2024, depois para maio e novembro de 2025 e, agora, para março de 2026.

Moradores relatam incerteza e mudança de planos

O analista de sistemas Harrison Pepezio conta que o atraso já ultrapassa um ano em relação ao prazo que tinha como referência.

A estudante Gabriela Oliveira diz viver em um cenário de insegurança e falta de informações sobre o futuro do imóvel e da família.

Entre os compradores está Lorrany da Silva, que investiu mais de R$ 300 mil junto com o marido pensando no futuro da família. Ela relata que chegou a marcar o casamento acreditando que já estaria morando no apartamento quando oficializasse a união.

Segundo Lorrany, a família acabou tendo que morar de favor na casa da mãe, junto com a filha pequena, enquanto aguarda a conclusão do empreendimento e a entrega das chaves.

Comissão de moradores cobra prazos e condições da obra

Diante dos sucessivos adiamentos, os futuros moradores criaram uma comissão para acompanhar o andamento das obras e manter diálogo com a construtora e com a Caixa Econômica Federal, responsável pelo financiamento do empreendimento.

Para a representante da Comissão de Moradores, Camilla dos Reis, o novo prazo de entrega não condiz com o estágio atual da construção. Ela afirma que ainda há pendências importantes e aponta, por exemplo, a falta de guarda-corpo em alguns blocos.

Harrison relata que o atraso impactou diretamente os planos da família. Quando fechou negócio, tinha apenas uma filha recém-nascida; hoje, já é pai de duas crianças e continua morando de aluguel, sem saber quando poderá se mudar para o imóvel próprio.

Os compradores contestam a avaliação de que a obra esteja praticamente concluída. Segundo eles, ainda faltam itens básicos, como gesso, acabamentos, portas, louças e metais, além de apontarem ocorrência de vazamento de gás em determinado momento do andamento da construção.

Lorrany também reforça as críticas à qualidade do serviço e diz que, em uma das visitas, observou problemas visíveis nas portas das varandas, que estariam desalinhadas, o que reforça, na visão dela, a percepção de que ainda há muito trabalho a ser feito.

Construtora cita aumento de custos; Caixa confirma novo prazo

Em nota, a MP Construtora informou que os atrasos decorreram, segundo a empresa, do aumento expressivo dos custos da construção civil, que teriam praticamente dobrado desde o lançamento do projeto, sem atualização por parte do agente financeiro.

A construtora afirma que as reprogramações de cronograma foram necessárias, realizadas de forma transparente e aprovadas pela Caixa Econômica Federal, com acompanhamento da Comissão de Moradores.

A empresa sustenta ainda que o empreendimento está em fase final, com 95,35% das obras concluídas, e que passa por tratativas internas que serão encaminhadas à Caixa para viabilizar a conclusão no menor prazo possível.

Já a Caixa Econômica Federal confirmou que a construtora não conseguiu cumprir o prazo inicial em razão de dificuldades financeiras. O banco informou que a nova previsão de entrega é março de 2026 e que segue acompanhando tecnicamente a execução da obra, em contato com a construtora e com representantes dos compradores.

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