RS projeta safra de uvas acima da média histórica em 2025/2026
Maior produtor de uvas do país, Rio Grande do Sul prevê 905,3 mil toneladas na safra 2025/2026, impulsionado por inverno rigoroso e avanço tecnológico na viticultura
26/01/2026 às 19:20por Redação Plox
26/01/2026 às 19:20
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
O Rio Grande do Sul, maior produtor de uvas do Brasil, projeta para a safra 2025/2026 um resultado acima da média histórica, tanto em volume quanto em regularidade produtiva. A estimativa é de 905.291 toneladas, de acordo com avaliação do extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Thompsson Didone, que acompanha o desenvolvimento da cultura no estado, especialmente na Serra Gaúcha, principal região produtora. O crescimento esperado varia entre 5% e 10% em relação a uma safra considerada normal, reforçando um ciclo de alta produtividade e qualidade.
Estado possui aproximadamente de 42,4 mil hectares cultivados com uva
Foto: Divulgação Emater/RS-
A viticultura gaúcha tem forte peso social e econômico. Aproximadamente 15 mil famílias, em sua maioria agricultores familiares, estão diretamente envolvidas com o cultivo da uva. Atualmente, o estado conta com cerca de 42,4 mil hectares plantados, dos quais 36,6 mil hectares se concentram na Serra Gaúcha, consolidando a região como o maior polo de produção e processamento de uvas do país.
Predomínio da uva para processamento industrial
De acordo com Didone, a maior parte das áreas é ocupada por uvas destinadas ao processamento industrial, usadas na elaboração de vinhos, sucos e espumantes. O estado, no entanto, também mantém uma área relevante de mais de 3 mil hectares voltada à produção de uva de mesa, destinada ao consumo in natura.
Segundo o extensionista rural, a expectativa para a safra atual é positiva. Ele aponta que, em termos de quantidade, a produção tende a superar uma safra considerada normal, favorecida por um inverno com frio adequado e de boa qualidade, condição essencial para o bom desenvolvimento das videiras.
Frio acima da média impulsiona produção
As condições climáticas do inverno de 2025 foram determinantes para o desempenho da safra. As videiras necessitam de um número mínimo de horas de frio abaixo de 7,2 °C para garantir brotação uniforme e boa formação dos cachos. Variedades americanas demandam entre 150 e 250 horas, enquanto algumas uvas viníferas exigem até 400 horas de frio.
Neste ano, em várias regiões do estado, o volume de frio superou as 400 horas, com temperaturas estáveis e sem grandes oscilações, o que favoreceu a emissão de brotos e cachos e se reflete diretamente no potencial produtivo.
Atraso na colheita, mas sem prejuízo
Apesar do bom potencial produtivo, a colheita começou entre 10 e 15 dias mais tarde em comparação com o padrão. O atraso é atribuído a um mês de setembro menos ensolarado e com temperaturas mais baixas, o que retardou o desenvolvimento vegetativo das plantas.
Didone destaca que esse alongamento do ciclo não comprometeu os resultados. As primeiras cargas recebidas pelas vinícolas apresentam boa sanidade, e o processo de industrialização já foi iniciado, com tendência de intensificação nas próximas semanas.
O foco do setor se volta, agora, para as principais variedades cultivadas. As uvas americanas e híbridas, que respondem por cerca de 85% da produção, apresentam rendimento superior à média. Já as uvas viníferas ocupam aproximadamente 15% da área, com destaque para a Chardonnay, essencial para a elaboração dos espumantes gaúchos reconhecidos no país e no exterior.
Clima será decisivo na reta final da safra
Com a intensificação da industrialização para vinhos, sucos e espumantes, o setor monitora de perto as condições climáticas das próximas semanas. A qualidade final da uva de mesa, que ocupa cerca de 3 mil hectares, e das uvas destinadas ao processamento dependerá da combinação entre sol e regime de chuvas durante a colheita, prevista para se estender por até dois meses.
Se as projeções da Emater/RS-Ascar se confirmarem, o aumento de aproximadamente 5% em relação à safra anterior — que já havia sido considerada positiva — reforçará a resiliência e o avanço tecnológico da fruticultura gaúcha diante dos desafios climáticos recentes.