Governo aumenta Imposto de Importação de mais de mil produtos; veja lista
Resolução Gecex nº 852/2026 reajusta a TEC para 1.252 códigos NCM, com aplicação escalonada entre fevereiro e março e alíquotas que podem chegar a 25% em alguns itens
Os dados do Censo Escolar 2025, divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), indicam que, mesmo com a queda acentuada no número total de alunos da educação básica — são 1 milhão de matrículas a menos em um ano —, dois pilares seguem em expansão: a educação em tempo integral e o ensino técnico, sobretudo integrado ao novo ensino médio.
Imagem ilustrativa
Foto: Freepik
A ampliação da jornada escolar, com estudantes permanecendo pelo menos 35 horas semanais na escola, é apontada por especialistas como estratégia para reduzir a evasão, fortalecer o vínculo com a comunidade escolar, enriquecer a formação pedagógica, cultural, esportiva e cidadã, permitir mais tempo para reforço em leitura e matemática e diminuir o risco de exposição à violência, especialmente entre os mais vulneráveis.
Entre 2024 e 2025, todas as etapas da educação básica registraram aumento, ainda que discreto, na proporção de alunos matriculados em tempo integral, com destaque para a rede pública.
Esse avanço, porém, ocorre em um cenário de forte retração dos repasses diretos da União ao programa de tempo integral. Os valores caíram de cerca de R$ 2,1 bilhões em 2023 e R$ 2,5 bilhões em 2024 para apenas R$ 75,8 milhões em 2025.
A mudança está ligada à aprovação da Emenda Constitucional nº 135/2024, parte do pacote de ajuste fiscal, que vinculou os recursos ao Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) e transferiu a responsabilidade de financiamento para estados e municípios.
A partir de 2026, prefeitos e governadores devem aplicar pelo menos 4% da verba do fundo em iniciativas voltadas à ampliação das matrículas em tempo integral.
É uma responsabilidade que entra dentro de um dinheiro que eles já recebiam antes. Precisamos acompanhar essa repercussão e ver se os avanços vão se sustentar. Tivemos uma evolução recente importante
Gabriel Corrêa, diretor de políticas públicas da ONG Todos Pela Educação
No novo ensino médio, parte da carga horária dos alunos é destinada aos chamados itinerários formativos, trilhas de aprofundamento em áreas escolhidas pelos próprios estudantes. As escolas podem, por exemplo, combinar Matemática e Ciências da Natureza ou unir Linguagens e Ciências Humanas em um mesmo percurso.
Uma das possibilidades de itinerário é a Educação Profissional e Tecnológica (EPT), que inclui o ensino técnico. A proposta é articular o currículo básico do ensino médio com formações profissionalizantes, voltadas à inserção mais qualificada dos jovens no mercado de trabalho.
No levantamento a partir dos dados do Censo, foram consideradas três modalidades: educação técnica associada ao ensino médio (para alunos que optaram por esse itinerário formativo), magistério/normal (formação de nível médio para professores) e ensino técnico integrado à Educação de Jovens e Adultos (EJA – ensino médio).
Entre 2024 e 2025, o segmento registrou incremento de cerca de 208 mil matrículas, passando de 1.082.146 para 1.290.081 alunos.
A maioria (75%) desses estudantes está em escolas estaduais. Em seguida aparecem os institutos federais, com 19% das matrículas, a rede privada, com 4%, e as escolas municipais, com 0,8%.
O Censo Escolar também aponta para a manutenção de um elevado contingente de docentes contratados de forma temporária. Em 2025, mais de 813 mil professores tinham esse tipo de vínculo, o que corresponde a cerca de 42,6% de todos os profissionais da educação básica.
Esse tipo de contratação costuma estar associado a condições de trabalho mais precárias, como ausência de progressões salariais ou bonificações por tempo de carreira.
Na rede estadual, o quadro é ainda mais crítico: os temporários são maioria, representam 48,6% e superam os efetivos, que somam 48,5%. Há ainda 0,63% de docentes terceirizados e 2,18% contratados via CLT.
O Censo revela também uma queda no índice de professores da educação básica com licenciatura. Em 2025, 96,1% dos docentes tinham formação específica para o magistério; em 2024, esse percentual era de 96,85%.
Quanto à titulação stricto sensu, apenas 4,04% dos professores em atuação em 2025 possuíam mestrado e 1,13% tinham doutorado. No ano anterior, esses índices eram de 3,9% e 1,11%, respectivamente.
Os dados raciais mostram um crescimento no número de estudantes que se declaram pardos e pretos na educação básica.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, a proporção de alunos pardos passou de 41,37% em 2024 para 45,15% em 2025, um aumento superior a 545 mil estudantes em números absolutos.
Nos anos finais, o grupo de pardos também cresceu: representava 43% em 2024 e chegou a 46,15% em 2025, com acréscimo de 255.997 declarações.
Entre os alunos pretos, houve avanço no ensino fundamental entre 2024 e 2025. Nos anos iniciais, a participação passou de 3,93% para 4,65%; nos anos finais, de 4% para 4,74%.
Em sentido oposto, o total de estudantes classificados como amarelos diminuiu em toda a educação básica. Entre quase 42,5 milhões de alunos considerados nesse recorte, apenas 153.569 se declararam amarelos em 2025.
Na creche e no ensino médio, o número de matrículas de estudantes indígenas aumentou, mas esse grupo ainda não chega a representar 1% do corpo discente em nenhuma das etapas da educação básica.