Censo Escolar 2025 aponta queda de 1 milhão de matrículas e avanço do tempo integral e do ensino técnico

Dados do Inep mostram redução no total da educação básica, enquanto cresce o ensino integral e o técnico integrado ao novo ensino médio, mesmo com forte corte nos repasses diretos da União

26/02/2026 às 11:25 por Redação Plox

Os dados do Censo Escolar 2025, divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), indicam que, mesmo com a queda acentuada no número total de alunos da educação básica — são 1 milhão de matrículas a menos em um ano —, dois pilares seguem em expansão: a educação em tempo integral e o ensino técnico, sobretudo integrado ao novo ensino médio.


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Foto: Freepik


Educação integral cresce, mas muda a fonte de financiamento

A ampliação da jornada escolar, com estudantes permanecendo pelo menos 35 horas semanais na escola, é apontada por especialistas como estratégia para reduzir a evasão, fortalecer o vínculo com a comunidade escolar, enriquecer a formação pedagógica, cultural, esportiva e cidadã, permitir mais tempo para reforço em leitura e matemática e diminuir o risco de exposição à violência, especialmente entre os mais vulneráveis.

Entre 2024 e 2025, todas as etapas da educação básica registraram aumento, ainda que discreto, na proporção de alunos matriculados em tempo integral, com destaque para a rede pública.

Esse avanço, porém, ocorre em um cenário de forte retração dos repasses diretos da União ao programa de tempo integral. Os valores caíram de cerca de R$ 2,1 bilhões em 2023 e R$ 2,5 bilhões em 2024 para apenas R$ 75,8 milhões em 2025.

A mudança está ligada à aprovação da Emenda Constitucional nº 135/2024, parte do pacote de ajuste fiscal, que vinculou os recursos ao Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) e transferiu a responsabilidade de financiamento para estados e municípios.

A partir de 2026, prefeitos e governadores devem aplicar pelo menos 4% da verba do fundo em iniciativas voltadas à ampliação das matrículas em tempo integral.

É uma responsabilidade que entra dentro de um dinheiro que eles já recebiam antes. Precisamos acompanhar essa repercussão e ver se os avanços vão se sustentar. Tivemos uma evolução recente importante

Gabriel Corrêa, diretor de políticas públicas da ONG Todos Pela Educação

Ensino técnico avança com o novo ensino médio

No novo ensino médio, parte da carga horária dos alunos é destinada aos chamados itinerários formativos, trilhas de aprofundamento em áreas escolhidas pelos próprios estudantes. As escolas podem, por exemplo, combinar Matemática e Ciências da Natureza ou unir Linguagens e Ciências Humanas em um mesmo percurso.

Uma das possibilidades de itinerário é a Educação Profissional e Tecnológica (EPT), que inclui o ensino técnico. A proposta é articular o currículo básico do ensino médio com formações profissionalizantes, voltadas à inserção mais qualificada dos jovens no mercado de trabalho.

No levantamento a partir dos dados do Censo, foram consideradas três modalidades: educação técnica associada ao ensino médio (para alunos que optaram por esse itinerário formativo), magistério/normal (formação de nível médio para professores) e ensino técnico integrado à Educação de Jovens e Adultos (EJA – ensino médio).

Entre 2024 e 2025, o segmento registrou incremento de cerca de 208 mil matrículas, passando de 1.082.146 para 1.290.081 alunos.

A maioria (75%) desses estudantes está em escolas estaduais. Em seguida aparecem os institutos federais, com 19% das matrículas, a rede privada, com 4%, e as escolas municipais, com 0,8%.

Temporários já são quase metade dos professores na rede estadual

O Censo Escolar também aponta para a manutenção de um elevado contingente de docentes contratados de forma temporária. Em 2025, mais de 813 mil professores tinham esse tipo de vínculo, o que corresponde a cerca de 42,6% de todos os profissionais da educação básica.

Esse tipo de contratação costuma estar associado a condições de trabalho mais precárias, como ausência de progressões salariais ou bonificações por tempo de carreira.

Na rede estadual, o quadro é ainda mais crítico: os temporários são maioria, representam 48,6% e superam os efetivos, que somam 48,5%. Há ainda 0,63% de docentes terceirizados e 2,18% contratados via CLT.

Cai a proporção de professores com licenciatura

O Censo revela também uma queda no índice de professores da educação básica com licenciatura. Em 2025, 96,1% dos docentes tinham formação específica para o magistério; em 2024, esse percentual era de 96,85%.

Quanto à titulação stricto sensu, apenas 4,04% dos professores em atuação em 2025 possuíam mestrado e 1,13% tinham doutorado. No ano anterior, esses índices eram de 3,9% e 1,11%, respectivamente.

Mais alunos pretos e pardos na educação básica

Os dados raciais mostram um crescimento no número de estudantes que se declaram pardos e pretos na educação básica.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, a proporção de alunos pardos passou de 41,37% em 2024 para 45,15% em 2025, um aumento superior a 545 mil estudantes em números absolutos.

Nos anos finais, o grupo de pardos também cresceu: representava 43% em 2024 e chegou a 46,15% em 2025, com acréscimo de 255.997 declarações.

Entre os alunos pretos, houve avanço no ensino fundamental entre 2024 e 2025. Nos anos iniciais, a participação passou de 3,93% para 4,65%; nos anos finais, de 4% para 4,74%.

Em sentido oposto, o total de estudantes classificados como amarelos diminuiu em toda a educação básica. Entre quase 42,5 milhões de alunos considerados nesse recorte, apenas 153.569 se declararam amarelos em 2025.

Na creche e no ensino médio, o número de matrículas de estudantes indígenas aumentou, mas esse grupo ainda não chega a representar 1% do corpo discente em nenhuma das etapas da educação básica.

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