Governo aumenta Imposto de Importação de mais de mil produtos; veja lista
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Fernando Haddad, ministro da Fazenda, voltou ao centro da disputa política ao comentar o apelido “Taxad” e afirmar que se sente satisfeito por ser lembrado como o gestor que “taxou o andar de cima”. Ele associou essa imagem às ações voltadas a offshores, fundos, dividendos e setores como o de apostas, em um momento em que o governo busca alternativas para fechar as contas de 2026 após derrotas e impasses no Congresso em medidas de compensação fiscal.
Fernando Haddad, ministro da Fazenda
Foto: Diogo Zacarias/MF
Em entrevista repercutida nesta segunda-feira (19), Haddad minimizou o rótulo usado por adversários e sustentou que a agenda do Ministério da Fazenda mirou contribuintes de maior renda e segmentos antes pouco tributados. O debate ganhou contornos de bandeira política: de um lado, o governo defende a “correção de distorções”; de outro, oposição e parte do mercado reagem à percepção de aumento da carga tributária.
A fala se insere em um ambiente pré-eleitoral em que a pergunta sobre “quem paga a conta” do ajuste fiscal tende a dominar a discussão pública até 2026, tanto no Congresso quanto nas redes sociais.
No Congresso, a disputa em torno do equilíbrio das contas ganhou novo capítulo com a retirada de pauta da MP 1.303/2025, relacionada à compensação de medidas após recuos no IOF. A medida perdeu validade, o que ampliou a pressão por soluções para garantir a meta fiscal de 2026.
Depois da derrota, Haddad passou a defender, em conversas com a cúpula do Senado, a retomada parcial de trechos considerados “incontroversos” da MP, justamente para recompor o Orçamento de 2026 diante da perda de arrecadação prevista com o fim da medida.
Para contribuintes e consumidores, o embate político pode influenciar quais setores terão mudanças na tributação ou quais propostas deverão ser reapresentadas em novos projetos. O resultado pode trazer efeitos indiretos sobre crédito, investimentos e preços, a depender do desenho final aprovado pelo Congresso.
Para empresas e investidores, a sinalização do governo é de insistência em medidas que aumentem a arrecadação sobre segmentos específicos, como apostas e instrumentos financeiros. A viabilidade dessa agenda, porém, depende de negociação com Câmara e Senado e do espaço político em torno de Haddad.
No cenário político de 2026, a fala do ministro fortalece uma narrativa de “justiça tributária”, que o governo deverá usar como contraponto às críticas de que estaria promovendo apenas uma alta generalizada de impostos, num contexto em que o ajuste fiscal deve se tornar tema central de campanha.
Com a perda de validade da MP 1.303/2025, a tendência no governo é buscar novas propostas legislativas ou reapresentar partes do conteúdo derrubado, de forma a recompor receitas e sustentar a meta fiscal de 2026. A estratégia envolve costuras com lideranças do Congresso e provável fatiamento de medidas para facilitar a aprovação.
A oposição, por sua vez, deve explorar o tema como símbolo de “alta de impostos”, enquanto a equipe econômica insiste no discurso de correção de distorções e foco em contribuintes de maior renda. Até o momento, não há um texto único consolidado que substitua integralmente a MP que perdeu validade; o cenário mais provável é o de negociação caso a caso, mantendo Fernando Haddad, ministro da Fazenda, no centro da arena política e fiscal que se projeta até 2026.