Operação Argos mira facção na Paraíba e bloqueia R$ 104,8 milhões em contas de investigados

Ação da Polícia Civil cumpre mandados de prisão e busca, aponta lavagem de dinheiro em larga escala e investiga movimentação de cerca de R$ 500 milhões desde 2023

26/02/2026 às 09:48 por Redação Plox

A Polícia Civil da Paraíba deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), a Operação Argos, ação contra o narcotráfico que cumpre mais de 40 mandados de prisão preventiva contra integrantes de uma organização criminosa suspeita de atuar no fornecimento de drogas na Paraíba e em outros estados. Somente no território paraibano, são 32 ordens de prisão.

De acordo com a corporação, o objetivo é desarticular um grupo estruturado para o transporte e a distribuição de entorpecentes, além da lavagem de dinheiro em larga escala, com atuação concentrada no estado e ramificações interestaduais.

A operação também cumpre mandados de busca e apreensão e determina o bloqueio de valores em contas bancárias ligadas aos investigados. Além da Paraíba, há ordens judiciais sendo executadas em São Paulo, Bahia e Mato Grosso, com apoio das polícias civis locais.


Residência de um dos alvos da operação da Polícia CIvil, em Hortolândia-SP

Residência de um dos alvos da operação da Polícia CIvil, em Hortolândia-SP

Foto: Polícia Civil/Divulgação

Medidas judiciais e alvos da operação

Para interromper o funcionamento da organização criminosa, a Justiça autorizou um conjunto de medidas que, segundo a Polícia Civil, têm como finalidade enfraquecer financeiramente o grupo. Entre as determinações estão:

  • 44 mandados de prisão preventiva, sendo 32 na Paraíba, 10 em São Paulo, 1 na Bahia e 1 no Mato Grosso;
  • 45 mandados de busca e apreensão;
  • Bloqueio de R$ 104.881.124,34 em contas bancárias ligadas a 199 investigados;
  • Sequestro de 13 imóveis;
  • Sequestro de 40 veículos, entre carros de luxo e frotas de transporte.

Prisões na Paraíba e em outros estados

Em João Pessoa, três pessoas foram presas até o momento – duas mulheres e um homem – durante o cumprimento de mandados nos bairros de Paratibe, Gramame e Mangabeira, na região Sul da cidade.

Em Campina Grande, a Polícia Civil cumpriu três mandados de prisão no bairro Três Irmãs, contra dois homens e uma mulher. Um dos alvos chegou à delegacia com a mão ensanguentada após quebrar o próprio celular no momento da abordagem, segundo a polícia. No município, também foram apreendidos uma arma de fogo, duas motocicletas e dois carros de luxo.

Em Pombal, no Sertão, foi preso o principal operador da organização criminosa na Paraíba, identificado como Luciano Moraes.

Outra liderança investigada foi detida em Hortolândia, em São Paulo. Trata-se de Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, natural de Cajazeiras. As investigações apontam que ele mantinha conexões com um núcleo de liderança de uma organização criminosa em São Paulo.

Segundo a polícia, essas conexões permitiram a estruturação de uma rota de distribuição interestadual, com a Paraíba como um dos principais destinos da droga, além de regiões do Sertão de Pernambuco e do Ceará.

Estrutura financeira e lavagem de dinheiro

As investigações identificaram que a organização criminosa mantinha um núcleo financeiro responsável pela lavagem de dinheiro e pela integração dos recursos obtidos com o tráfico. Segundo a Polícia Civil, esse esquema movimentou cerca de R$ 500 milhões desde 2023.

Ao todo, 40 integrantes foram identificados, sendo 12 ligados ao núcleo em São Paulo e 28 atuando na Paraíba. A apuração aponta que o fluxo financeiro seguia da Paraíba para São Paulo, enquanto as drogas percorriam o caminho inverso.

Dois nomes se destacam na investigação sobre a lavagem de dinheiro:

  • Giovanna Parafatti, ex-bancária, é investigada por movimentar mais de R$ 15 milhões por meio de uma holding familiar e de uma empresa de fachada, usando familiares para pulverizar valores e adquirir veículos para a cúpula do grupo;
  • Naiara Batistelo, médica formada na Bolívia e atuante no Mato Grosso, é apontada como intermediária financeira na fronteira. Segundo a apuração, ela recebeu mais de R$ 10,9 milhões em 29 meses em operações ligadas ao tráfico transfronteiriço de cocaína.

A investigação também revelou tentativas de infiltração do dinheiro ilícito em setores da economia formal, com uso de empresas de fachada e participação em contratos públicos.

Empresas de fachada e contratos públicos

A Polícia Civil identificou que a empresa AF Amaro Construções, com sede em Pombal, estaria ligada ao núcleo da organização criminosa na Paraíba, liderado por Luciano Moraes. Segundo a investigação, a empresa recebeu cerca de R$ 3 milhões em empenhos públicos em 2024, sem possuir funcionários registrados, e os valores eram utilizados para financiar o tráfico de drogas.

Os investigadores também localizaram uma empresa em Goiás que, mesmo com apenas um funcionário, movimentava valores ligados ao tráfico na Paraíba. Sócios desse negócio já eram investigados por crimes em Minas Gerais. A identificação dos suspeitos não foi divulgada.

Origem das investigações e modo de atuação do grupo

De acordo com a Polícia Civil da Paraíba, a investigação teve início em meados de 2023, após uma sequência de apreensões de grandes carregamentos de drogas em diferentes regiões do estado.

O trabalho revelou que a organização criminosa funcionava de forma estruturada, com divisão de tarefas e atuação em vários estados. O grupo era organizado em núcleos responsáveis pelo transporte, pela distribuição das drogas e pela movimentação do dinheiro obtido com o tráfico.

A droga era transportada em carretas e veículos de apoio, muitas vezes misturada a cargas lícitas. Na Paraíba, subnúcleos se encarregavam de distribuir o material até o consumidor final.

A polícia também detalhou a existência de um núcleo financeiro voltado à lavagem de dinheiro, responsável por ocultar e movimentar os valores do tráfico por meio de empresas de fachada, aquisição de veículos e imóveis e movimentações bancárias fracionadas.

A Operação Argos, segundo a Polícia Civil, foi planejada para atingir simultaneamente as três principais frentes da organização criminosa: transporte da droga, distribuição no varejo e estrutura financeira.

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