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O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, afirma que o estado investiu R$ 1,9 bilhão em 2025 em ações de “prevenção contra desastres”, incluindo chuvas e alagamentos. A declaração ocorre em meio à repercussão de levantamentos baseados no Portal da Transparência e em reportagens que apontam queda em rubricas específicas ligadas ao enfrentamento de danos causados pelas chuvas. O governo contesta essa leitura e a atribui a “cálculo errado” e “incompreensão” sobre o orçamento público.
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Foto: crédito: Leonardo Costa/Tribuna de Minas
Em nota divulgada na noite de 25 de fevereiro de 2026, o Governo de Minas reagiu a publicações que indicavam redução dos investimentos em prevenção e combate aos impactos das chuvas. No texto, o Executivo estadual afirma que “não é verdadeira” a informação de queda e sustenta que, na média anual, os investimentos cresceram 170% em relação ao último ano da gestão anterior.
De acordo com a nota, os recursos aplicados em 2025 em prevenção contra desastres somaram R$ 1,9 bilhão. O governo classifica esse montante como o “segundo maior” dos dois mandatos de Zema, atrás apenas do período da pandemia.
Enquanto isso, reportagens regionais e nacionais destacam valores menores quando o recorte considera programas e rubricas específicas do orçamento voltadas ao “suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas”. Os números variam conforme o indicador analisado — dotação prevista, orçamento reservado ou valores efetivamente pagos — e de acordo com o período considerado.
Na versão apresentada pelo governo por meio da Agência Minas, a leitura de queda nos investimentos decorre, segundo a gestão estadual, de “cálculo errado” e de análise superficial dos dados. A administração mineira reforça que o montante de R$ 1,9 bilhão em 2025 foi destinado à proteção contra “desastres de todos os tipos”, entre eles chuvas e alagamentos, e volta a mencionar o aumento médio anual de 170% em comparação com o último ano do governo anterior.
A Defesa Civil de Minas Gerais destaca, como marco na área, o Plano Estadual de Enfrentamento ao Período Chuvoso 2025–2031, apresentado em outubro de 2025. O plano traz diretrizes de articulação entre estado e municípios e prevê integração de ações de prevenção e resposta a eventos extremos.
Outro ponto citado pelo Executivo é o “Edital Municípios 2025”, anunciado em fevereiro de 2025 pela Agência Minas em parceria com o BDMG. O programa prevê R$ 400 milhões em linhas de crédito para projetos municipais, incluindo iniciativas de prevenção a inundações e à seca.
Para a população, a controvérsia em torno dos dados de orçamento e execução não fica restrita ao campo político. Ela impacta diretamente a cobrança por obras e ações concretas, como drenagem, contenção de encostas, manutenção de vias, estruturação de Defesas Civis municipais, mapeamento de risco e sistemas de alerta.
Em períodos de chuva intensa, a diferença entre “orçamento previsto”, “empenhado” e “pago” pode significar atraso ou até ausência de intervenções em áreas vulneráveis. Na prática, o debate sobre se houve ou não aumento real nos gastos em prevenção às chuvas influencia a percepção sobre a capacidade de resposta do estado.
Para as prefeituras, a situação é ainda mais sensível. Os municípios dependem de uma combinação de fontes de recursos — verbas próprias, repasses, convênios e financiamentos. Linhas de crédito como as oferecidas via BDMG podem aliviar parte da pressão, mas exigem projetos prontos, capacidade técnica e tramitação de contratos, o que nem sempre ocorre com rapidez em cenários de emergência.
No centro da disputa está o recorte usado para medir o investimento anunciado por Zema em prevenção às chuvas. O governo trabalha com um conceito amplo de “prevenção contra desastres”, somando gastos relacionados a desastres em geral, não apenas aqueles diretamente vinculados a enxurradas, enchentes e alagamentos.
Já parte das reportagens se concentra em programas específicos ligados a chuvas ou em recortes mais restritos do orçamento, comparando, por exemplo, apenas valores pagos ou determinadas rubricas voltadas ao “suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas”. A escolha do indicador — dotação inicial, créditos adicionais, empenhado, liquidado ou pago — influencia o resultado final e alimenta leituras divergentes.
Há questões que seguem em apuração e que podem ajudar a esclarecer o impacto real do “investimento de R$ 1,9 bilhão” citado por Zema. Uma delas é a metodologia detalhada usada pelo Governo de Minas para chegar a esse valor: quais ações, órgãos, programas e classificações orçamentárias foram incluídos na conta.
Outro ponto é a comparação, lado a lado, entre os números apresentados na nota oficial e aqueles destacados em reportagens, considerando dotação inicial, créditos adicionais, valores empenhados, liquidados e pagos, bem como as diferentes unidades orçamentárias envolvidas, como Defesa Civil e DER.
No campo político, a tendência é de novos pedidos de explicações na Assembleia Legislativa de Minas e de reforço nas cobranças por transparência na execução de obras e ações preventivas, especialmente em regiões mais atingidas no período chuvoso.
Para o acompanhamento público, um caminho é monitorar notas oficiais de órgãos como Agência Minas e Defesa Civil, além de planilhas e relatórios de execução por programa e por órgão, quando disponibilizados. Essa checagem permite verificar se houve migração de gastos para outras rubricas e em que medida o “investimento de R$ 1,9 bilhão” em prevenção contra desastres, incluindo chuvas, se traduz em ações práticas nos territórios mais vulneráveis.