Dólar abre atento ao IPCA-15 e tensão entre EUA e Irã; petróleo oscila e mercados ficam voláteis
Sessão desta quinta-feira (26) é marcada por influência do conflito no Oriente Médio, expectativa de alta de 0,29% no IPCA-15 de março e entrevista do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
26/03/2026 às 09:01por Redação Plox
26/03/2026 às 09:01
— por Redação Plox
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O dólar iniciou a sessão desta quinta-feira (26) atento ao cenário interno e ao ambiente externo, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h
Dólar, moeda norte-americana
Foto: Free Pik
Conflito no Oriente Médio volta a mexer com os mercados
No exterior, a escalada do conflito no Oriente Médio voltou a afetar os mercados nesta quinta-feira. A incerteza sobre um possível fim da guerra elevou o preço do petróleo e pressionou bolsas de valores ao redor do mundo.
Por volta das 8h49, o barril do Brent — referência internacional — avançava 3,26%, a US$ 100,43. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subia 3,27%, negociado a US$ 93,27.
Apesar de sinais de negociação, EUA e Irã ainda não chegaram a um acordo para encerrar o conflito. Na quarta-feira (25), os dois países apresentaram propostas diferentes para pôr fim à guerra, que completa um mês no próximo sábado (28).
IPCA-15 entra no radar e Galípolo fala sobre o RPM
No Brasil, o principal destaque da agenda econômica desta quinta-feira é a divulgação do IPCA-15 de março, indicador considerado uma prévia da inflação oficial. A expectativa do mercado é de alta de 0,29% em relação ao mês anterior.
Ainda pela manhã, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, concede entrevista sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), ao lado do diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, Paulo Picchetti.
Desempenho recente: dólar e Ibovespa
Dólar
Acumulado da semana: -1,67%
Acumulado do mês: +1,68%
Acumulado do ano: -4,89%
Ibovespa
Acumulado da semana: +5,22%
Acumulado do mês: -1,78%
Acumulado do ano: +15,08%
EUA enviam proposta de paz; Irã rejeita e apresenta contraproposta
Os Estados Unidos enviaram ao Irã uma proposta para encerrar a guerra no Oriente Médio, segundo reportagem publicada pelo “The New York Times” na terça-feira (24). De acordo com o jornal, o plano tem 15 pontos e aborda temas como o programa nuclear iraniano e o desenvolvimento de mísseis balísticos. A proposta teria sido encaminhada a Teerã por meio do Paquistão.
Ainda não está claro se Israel participou da elaboração do plano ou se concorda com os termos. Também não há confirmação sobre a disposição das autoridades iranianas em aceitar a proposta.
A emissora israelense Channel 12 disse ter tido acesso ao documento e afirmou que as conversas incluem a possibilidade de um cessar-fogo de 30 dias para permitir negociações entre as partes.
Na quarta-feira (25), porém, o Irã rejeitou a proposta enviada pelo governo americano, classificando o texto como “excessivo e desconectado da realidade” e afirmando que Trump não ditará o fim do conflito, segundo informações divulgadas pela TV estatal iraniana Press TV.
Teerã também ofereceu uma contraproposta e reiterou que seguirá com o que chamou de “ações defensivas”.
Desde antes do início da guerra, os EUA defendem que o Irã limite o enriquecimento de urânio, etapa do processo nuclear que pode ser usada para produzir combustível, mas também para desenvolver armas. Washington também quer que Teerã reduza o alcance de seus mísseis, com o objetivo de diminuir possíveis ameaças a países aliados.
Petróleo recua em meio a expectativa de redução de tensões
Os preços do petróleo voltaram a cair nesta quarta-feira, enquanto as bolsas globais registraram alta, em meio a sinais de possível redução das tensões na guerra envolvendo o Irã. Investidores acompanham as negociações entre o país e os EUA, o que alimenta expectativas de que o conflito possa perder intensidade.
Por volta das 17h30 (horário de Brasília), o Brent recuava 1,29%, a US$ 103,14, abaixo dos cerca de US$ 104 do dia anterior. O WTI caía 1,23%, a US$ 91,21.
Declarações do presidente americano, Donald Trump, sobre avanços nas conversas com Teerã nesta semana ajudaram a reforçar esse cenário. Também pesou a decisão de adiar, na segunda-feira, o prazo para uma possível ação contra usinas de energia iranianas, anunciada após a reabertura do Estreito de Ormuz.
O Estreito de Ormuz é uma rota marítima usada para transportar grandes volumes de petróleo e gás natural liquefeito. Por isso, mudanças na situação da região costumam afetar os preços dessas commodities, que vêm oscilando com força nos últimos dias.
Apesar do movimento, o governo iraniano negou que negociações estejam em andamento, enquanto ataques no Oriente Médio continuam sendo registrados.
O Paquistão se ofereceu para sediar eventuais conversas entre Washington e Teerã. Ao mesmo tempo, os EUA preveem enviar pelo menos mais mil soldados da 82ª Divisão Aerotransportada para a região nos próximos dias.
Bolsas sobem com expectativa de cessar-fogo e menor volatilidade
As bolsas ao redor do mundo registraram alta nesta quarta-feira, com a expectativa de que a guerra entre EUA e Irã possa perder intensidade. A possibilidade de um cessar-fogo reduziu parte da tensão nos mercados, especialmente após dias de forte volatilidade nos preços do petróleo.
Em Wall Street, os três principais índices fecharam no campo positivo: o Dow Jones subiu 0,66%, o S&P 500 avançou 0,54% e o Nasdaq teve ganhos de 0,77%.
O possível arrefecimento do conflito trouxe alívio aos investidores. Nos últimos dias, a escalada das tensões havia pressionado o petróleo, reacendendo preocupações com a inflação e com os rumos das taxas de juros definidas pelos bancos centrais.
Segundo a ferramenta CME FedWatch Tool, do CME Group, o mercado passou a esperar menos cortes de juros nos EUA. Atualmente, investidores não veem redução das taxas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) neste ano — cenário diferente do observado antes do início da guerra, quando havia expectativa de dois cortes.
Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 avançou 1,42%, aos 585,80 pontos. Entre os principais mercados, o FTSE 100, do Reino Unido, subiu 1,42%, o CAC 40, da França, avançou 1,33% e o DAX, da Alemanha, teve alta de 1,41%.
Na Ásia, o índice de Shanghai subiu 1,3%, enquanto o CSI 300 — que reúne grandes empresas listadas em Xangai e Shenzhen — avançou 1,4%. Em Hong Kong, o Hang Seng Index teve alta de 1,1%.
No Japão, o Nikkei avançou 2,87%, a 53.749 pontos. Já na Coreia do Sul, o KOSPI subiu 1,59%, encerrando o dia aos 5.642 pontos.