Alunos de escola indígena no Jaraguá têm aulas improvisadas após interdição do prédio
Mais de 250 estudantes foram levados para um centro de convivência da aldeia; comunidade aponta falta de infraestrutura e problemas antigos na unidade
26/03/2026 às 07:33por Redação Plox
26/03/2026 às 07:33
— por Redação Plox
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Mais de 250 alunos da Escola Estadual Indígena Djekupe Amba Arandy, na Terra Indígena Jaraguá, na Zona Norte, passaram a ter aulas improvisadas em um centro de convivência da aldeia após a interdição do prédio por problemas estruturais.
Segundo apurado pela TV Globo e pelo g1, desde a última segunda-feira (25), os estudantes convivem com falta de infraestrutura no espaço provisório, como banheiros sem portas, ausência de bebedouros ou de água filtrada e salas adaptadas com quadros pequenos.
Escola estadual indígena em SP
Foto: Reprodução
Prédio foi interditado após problemas estruturais
A escola foi interditada em 10 de março pela Defesa Civil Municipal e pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) por questões de segurança, após um deslocamento natural de terra. Desde então, os alunos ficaram sem aulas.
Procurada inicialmente pela equipe de reportagem, a Secretaria da Educação afirmou que o espaço escolhido para a continuidade das atividades tinha condições de atender os estudantes “sem prejuízo ao processo de aprendizagem” e que um cronograma de reposição foi elaborado para assegurar a carga mínima anual.
Após novo questionamento, a pasta disse que o centro de convivência está sendo usado de forma temporária e passa por adaptações. Segundo a secretaria, a FDE mapeou os pontos que precisam de manutenção e iniciou os reparos nesta quarta-feira (24).
O governo também informou que uma geladeira e um fogão foram levados para a cozinha comunitária da aldeia para apoiar o preparo da merenda escolar, que, de acordo com a secretaria, está sendo servida normalmente.
Comunidade relata problemas há anos
Os problemas na escola são relatados pela comunidade indígena há ao menos cinco anos. Desde 2021, indígenas reclamam da falta de estrutura, principalmente no refeitório e na cozinha, e apontam rachaduras nas salas de aula do prédio principal.
Em março daquele ano, lideranças da comunidade impediram a saída de engenheiros da Secretaria da Educação do local como forma de pressionar por uma solução diante das condições da unidade. Os profissionais só foram liberados após conversa com a Defesa Civil.
Segundo o líder indígena Thiago Karai Djekupe, a ação buscava garantir que a Defesa Civil avaliasse a situação da escola e desse um encaminhamento, como interdição ou reforma.
Na época, o governo estadual afirmou ter feito intervenções na unidade, incluindo recuperação de alvenaria, manutenção da cobertura, troca de portas, luminárias e pintura, além de melhorias no sistema de iluminação.
Mesmo assim, a escola ainda apresentava problemas, como vidros, tijolos e telhas quebradas, além de rachaduras.
Nova escola está em construção
Após a interdição no início do mês, uma nova unidade escolar começou a ser construída para atender a comunidade, com investimento superior a R$ 3,5 milhões.
A previsão do governo é que a primeira etapa seja entregue no segundo semestre deste ano.