Espanhola de 25 anos obtém autorização e deve passar por eutanásia após disputa judicial

Noelia Castillo teve pedido avaliado por médicos e comissão independente; pai contestou na Justiça, mas decisões mantiveram que ela atende aos critérios legais na Espanha

26/03/2026 às 09:21 por Redação Plox

Uma espanhola de 25 anos deve passar por eutanásia nesta quinta-feira (26), após obter autorização legal e médica para o procedimento. O caso mobilizou tribunais e especialistas por anos na Espanha.

Noelia Castillo vive com paraplegia e dor crônica desde uma lesão grave provocada por uma queda de grande altura. A tentativa de suicídio ocorreu em meio a um quadro de sofrimento psicológico intenso, desencadeado por uma violência sexual. Desde então, ela passou a depender de cadeira de rodas e a conviver com limitações físicas severas, dor persistente e condições emocionais descritas como irreversíveis.

O pedido de eutanásia foi iniciado há cerca de dois anos e percorreu diferentes instâncias. A solicitação foi analisada por equipes médicas, passou pela comissão responsável por avaliar esse tipo de demanda e acabou chegando à Justiça após contestação da família.


A espanhola Noelia Castillo, que entrou na Justiça para ter acesso à eutanásia

A espanhola Noelia Castillo, que entrou na Justiça para ter acesso à eutanásia

Foto: Reprodução/Antena 3


Disputa familiar levou o caso aos tribunais

A autorização para o procedimento não foi imediata. O pai da jovem tentou barrar a decisão judicialmente, argumentando que ela não teria condições psicológicas de decidir sobre a própria morte.

A contestação levou o caso a diferentes instâncias da Justiça espanhola, incluindo tribunais superiores e até cortes europeias. Ainda assim, as decisões mantiveram o entendimento de que a jovem atendia aos critérios legais para a eutanásia.

Segundo a mídia espanhola, pareceres técnicos indicaram um quadro clínico irreversível, com dependência funcional importante, dor contínua e sofrimento considerado incapacitante — elementos exigidos pela legislação do país.

Histórico de sofrimento físico e psicológico

Além das limitações físicas, o caso reúne um histórico complexo de sofrimento psicológico. Ainda de acordo com a mídia espanhola, antes da lesão que a deixou paraplégica, a jovem já havia passado por episódios de violência e por atendimentos em serviços de saúde mental.

Após a lesão, o quadro teria se agravado com dores persistentes, dificuldades funcionais e impacto significativo na qualidade de vida, segundo relatos publicados pela imprensa europeia.

A combinação de fatores físicos e psíquicos foi considerada no processo de avaliação, que na Espanha leva em conta não apenas doenças terminais, mas também condições crônicas e incapacitantes.

O que diz a lei espanhola

A eutanásia é legal na Espanha desde 2021 e pode ser autorizada em situações específicas.

Para ter acesso ao procedimento, é necessário:

  • diagnóstico de doença grave e incurável ou condição crônica incapacitante;
  • sofrimento considerado intolerável;
  • pedido voluntário, informado e reiterado;
  • avaliação por mais de um profissional de saúde;
  • validação por uma comissão independente.

O paciente também precisa estar mentalmente apto para tomar a decisão — ponto que se tornou central neste caso diante da contestação familiar.

Como o tema é tratado no Brasil

No Brasil, a eutanásia é proibida e pode ser enquadrada como crime.

O Conselho Federal de Medicina autoriza, no entanto, a ortotanásia — quando tratamentos que apenas prolongam a vida são suspensos, priorizando o conforto do paciente.

Essas situações costumam ser associadas aos cuidados paliativos, abordagem médica voltada ao controle da dor e de outros sintomas em doenças graves, sem a intenção de antecipar a morte.

Quando o sofrimento entra na decisão médica

O caso chama atenção por envolver não apenas uma condição física irreversível, mas também sofrimento psicológico associado, um dos pontos mais sensíveis na aplicação da lei.

Na Espanha, a legislação admite que o sofrimento psíquico seja considerado, desde que esteja associado a uma condição clínica grave e que o paciente tenha capacidade de decisão comprovada.

A avaliação costuma envolver equipes multidisciplinares e etapas sucessivas justamente para evitar decisões precipitadas.

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