Hospital Márcio Cunha realiza procedimento inédito para tratar metástase no fígado e paciente recebe alta
Quimioembolização hepática por microesferas foi feita pela primeira vez na instituição e marcou avanço no tratamento de metástase hepática no Leste de Minas
26/03/2026 às 11:46por Redação Plox
26/03/2026 às 11:46
— por Redação Plox
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O Centro Cirúrgico do Hospital Márcio Cunha (HMC) viveu, na última semana, um procedimento inédito que trouxe uma nova perspectiva ao aposentado João Bosco de Miranda, de 71 anos, morador de Coronel Fabriciano. Há dois anos, ele descobriu um câncer de cólon e, desde então, faz sessões de quimioterapia paliativa na Unidade de Oncologia do hospital.
Foto: Divulgação
Com perfil ativo e determinado, João Bosco seguiu o tratamento com rigor. Diante da evolução do quadro, com metástase no fígado, passou por avaliação multidisciplinar e foi considerado elegível para uma abordagem inovadora.
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Procedimento inédito busca controle da metástase no fígado
De forma inédita, o HMC realizou uma quimioembolização hepática por microesferas para tratar a metástase hepática originada do câncer de cólon. A técnica é indicada para controle locorregional de metástases no fígado que não podem ser ressecadas.
O resultado foi rápido: o procedimento foi bem-sucedido e o paciente recebeu alta hospitalar, com alívio e esperança renovada. Segundo o hospital, a intervenção pode permitir melhor controle da doença e, em casos selecionados, abrir caminho para abordagens mais agressivas, com potencial de transformar propostas paliativas em estratégias com intenção curativa.
Como a técnica funciona e por que ela é um marco
O método combina a aplicação direta de microesferas calibradas — que permitem liberação local do quimioterápico no tumor — com o bloqueio do fluxo sanguíneo que o alimenta. A proposta é potencializar o efeito do tratamento e reduzir impactos no restante do organismo. No caso realizado no HMC, o uso das microesferas aumentou a precisão da terapia.
Além do avanço técnico, o procedimento carrega um aspecto de acesso: o método não está amplamente disponível no SUS na forma como foi realizado. Ainda assim, segundo o texto institucional, a viabilização ocorreu por meio de parcerias com a iniciativa privada e engajamento do hospital.
Equipes envolvidas e atuação integrada
A quimioembolização foi realizada pelos cirurgiões vasculares Dr. Leonardo Augusto Dávila Gonçalves, Dr. Vinícius Vaz de Melo e Dra. Giselly Gomes Carvalho, com participação dos cirurgiões oncológicos Dr. Djalma Gonçalves e Dr. Andres Vargas, além do oncologista clínico Dr. Luciano Viana e do anestesiologista Dr. José Eduardo.
Também integraram a equipe os residentes de cirurgia vascular Dr. Thiago Bemerguy e Dra. Marcela Maia, com apoio do técnico de radiologia Edson Pereira e da instrumentadora cirúrgica Ida Maria.
Especialistas destacam impacto fora dos grandes centros
É uma tecnologia minimamente invasiva, com menor risco, menos tempo de internação e mais qualidade de vida. Em regiões como o Leste de Minas, isso significa acesso real à medicina de ponta sem a necessidade de deslocamentos para capitais.
Dr. Leonardo Augusto Dávila Gonçalves
O coordenador do serviço de Cirurgia Vascular do HMC também ressaltou que a técnica amplia possibilidades terapêuticas. De acordo com ele, muitos pacientes não têm indicação para cirurgia convencional/aberta, cenário em que a quimioembolização pode ser alternativa eficaz, seja como tratamento principal, paliativo ou como ponte para outras abordagens.
Para o cirurgião oncológico do HMC, Dr. Djalma Gonçalves, o caso exigiu integração entre cirurgia vascular, cirurgia oncológica e oncologia clínica. Ele descreveu que o paciente chegou com diagnóstico de câncer de intestino com metástase no fígado em localização de difícil abordagem cirúrgica e, inicialmente, a indicação foi de quimioterapia paliativa. Houve resposta importante no início, com redução significativa do tumor, mas depois ocorreu progressão da doença.
Nesse cenário, a quimioembolização com microesferas apareceu como alternativa moderna e altamente especializada, com potencial de impactar a evolução do quadro e ampliar as possibilidades de controle.
Paciente relata esperança com a nova abordagem
João Bosco afirmou que a confiança aumenta quando surge um tratamento novo e que isso melhora a perspectiva. Ele relatou fé no tratamento e disse acreditar que suas chances aumentaram, além de se considerar privilegiado por ter sido o primeiro a receber o procedimento no Hospital Márcio Cunha, na expectativa de que a tecnologia possa alcançar mais pessoas com o tempo.
Impacto vai além do caso individual
O avanço, segundo o texto, também tem reflexos no sistema de saúde: procedimentos minimamente invasivos tendem a reduzir complicações, acelerar a recuperação e diminuir custos indiretos. Outro ponto destacado é a redução da necessidade de deslocamentos longos para grandes centros urbanos, o que contribui para maior equidade no acesso ao tratamento.
Para o diretor técnico do hospital, Dr. Alexandre Silva Pinto, o procedimento consolida o protagonismo do HMC e reforça o compromisso da instituição com a excelência ao oferecer um tratamento desse nível a um paciente do SUS.
Hospital Márcio Cunha
O Hospital Márcio Cunha é um hospital geral de alta complexidade com 60 anos de atuação. A instituição tem 558 leitos e três unidades, sendo uma exclusiva para tratamento oncológico. Atende uma população de mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e conta com cerca de 500 médicos em 58 especialidades, com serviços em ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva (adulta, pediátrica e neonatal), urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular e oncologia adulta e infantil, entre outras áreas.
No último ano, foram cerca de 5.580 partos, cerca de 35 mil internações, mais de 17 mil cirurgias e mais de 67 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, o hospital registrou mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.
O HMC foi o primeiro hospital do país a ser acreditado em nível de excelência (ONA III) pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além disso, aparece por sete anos consecutivos em classificação da revista norte-americana Newsweek entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, sendo o 6º em Minas Gerais.