Vereador diz que BH segue recebendo denúncias de carroças apesar de lei que proíbe circulação em 2026

Autor da norma afirma que a legislação prevê transição com alternativas de renda, como empréstimo de veículo elétrico e custeio de habilitação, mas relata descumprimento e novas propostas para reforçar a fiscalização

26/03/2026 às 11:25 por Redação Plox

Por décadas, Belo Horizonte conviveu com uma cena que, para muitos, deixou de causar espanto, mas segue grave: cavalos exaustos, feridos e subnutridos puxando cargas pesadas sob sol forte e em meio ao trânsito intenso. O relato aponta que não se trata de episódios isolados, e sim de uma realidade cotidiana em diferentes pontos da cidade.

O texto é assinado pelo vereador autor da lei que proibiu a circulação de carroças em Belo Horizonte a partir de 22 de janeiro de 2026. Segundo ele, a medida busca alinhar o município a práticas mais avançadas em proteção animal e segurança urbana.


BH sem carroças: entre mitos e verdades, uma escolha civilizatória

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Foto: Olhar Animal/Reprodução


Denúncias indicam descumprimento da lei

Apesar da proibição, o autor afirma que a legislação vem sendo descumprida. Ele diz receber diariamente denúncias com imagens de carroças circulando em diferentes regiões da capital, e relata que, embora haja indignação com o desrespeito, também existem defensores do descumprimento.

No texto, o vereador reconhece que a mudança envolve uma atividade usada há muitos anos como forma de subsistência, mas sustenta que parte da resistência estaria baseada em informações distorcidas. Para ele, é necessário separar fatos de narrativas.

Transição para trabalhadores e alternativas de renda

Um dos pontos rebatidos é o argumento de que o fim das carroças prejudicaria famílias. O autor afirma que a lei prevê transição, acolhimento e alternativas de geração de renda, com o objetivo de garantir dignidade sem depender do uso de animais.

Entre as medidas citadas, está a apresentação, pela prefeitura, de um modelo de veículo elétrico que seria emprestado a carroceiros cadastrados que desejarem continuar atuando com frete, sem custos. Ainda de acordo com o texto, quem não tiver carteira de habilitação teria os custos pagos pelo município.

O autor também afirma que trabalhadores que optarem por atuar em outras áreas seriam encaminhados para cursos e vagas de emprego. Já idosos ou pessoas com quadros de saúde que justifiquem a necessidade de apoio seriam direcionados a programas e benefícios sociais. No relato, ele compara essas medidas a outras atividades que deixaram de existir ao longo do tempo, como datilógrafo e ascensorista.

Tradição e bem-estar animal entram no debate

Outro argumento mencionado é o de que as carroças fariam parte de uma tradição. O vereador contrapõe que tradição não deve justificar sofrimento e defende que a revisão de práticas consideradas injustas faz parte da evolução social.

O texto também contesta a ideia de que os animais são bem tratados. O autor afirma haver inúmeros flagrantes de cavalos machucados, desnutridos e até mortos em vias públicas, e sustenta que ignorar esse cenário seria fechar os olhos para um problema visível aos cidadãos.

Fiscalização, multas e novos projetos na Câmara

Sobre a efetividade da medida, o vereador afirma que a proibição reduz acidentes, evita maus-tratos e protege animais e pessoas, contribuindo para uma cidade mais organizada, moderna e segura, inclusive para os próprios carroceiros.

Ele também rebate a ideia de que não haveria punição: segundo o texto, a legislação prevê apreensão do animal em caso de maus-tratos e aplicação de multas aos responsáveis. O autor observa, no entanto, que a cobrança das multas está suspensa por decisão liminar, e que a prefeitura já recorreu, com expectativa de restabelecimento.

Além disso, o vereador informa ter apresentado novos projetos de lei para inibir ainda mais a circulação de carroças. Um deles, de acordo com o relato, aumenta o valor das taxas para reaver animais vítimas de maus-tratos recolhidos pela prefeitura. Outro permitiria a apreensão da carroça. Ambos estariam em debate na Câmara.

Impacto e mudança de rumo na cidade

Na avaliação do autor, mais do que responder a desinformação, é necessário reforçar o que ele considera fatos. Ele destaca 1.825 dias a menos de sofrimento animal, atribuindo esse número à antecipação do fim das carroças.

O texto afirma ainda que Belo Horizonte não estaria sozinha: o fim da tração animal já seria realidade ou meta em diversas cidades, em um movimento descrito como global, associado a uma visão mais ética da relação com os animais.

Ao final, o vereador apresenta a discussão como uma escolha sobre o tipo de cidade desejada — entre tolerar o sofrimento como parte da paisagem ou avançar. Para ele, o fim das carroças vai além de uma medida administrativa e representa um marco civilizatório.

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