Mateus Simões faz visitas-surpresa e cobra obras no João XXIII e mudanças em presídio de Ribeirão das Neves
Governador aponta pacientes em corredores no hospital e dá 10 dias para cronograma de intervenções; na unidade prisional, anuncia bloqueadores de celular, reformas e diz que vai pagar obras na capela do próprio bolso.
26/03/2026 às 07:13por Redação Plox
26/03/2026 às 07:13
— por Redação Plox
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O governador Mateus Simões (PSD) dedicou a maior parte dos primeiros dias de mandato ao que chamou de “visitas-surpresa” em áreas sensíveis do governo estadual, com passagens pelos sistemas de saúde e de segurança. Ele esteve no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, e no Presídio Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana da capital.
No João XXIII, Simões afirmou ter visto a necessidade de obras e citou que pacientes ainda seguem sendo atendidos nos corredores. O governador estabeleceu prazo de dez dias para a apresentação de um cronograma de intervenções estruturantes.
Reprodução
Intervenções anunciadas no Dutra Ladeira
No Presídio Antônio Dutra Ladeira, Simões anunciou a instalação de bloqueadores de sinal de celular e reformas em muros e guaritas. Disse ainda que vai pagar, do próprio bolso, obras na capela da unidade.
Estratégia abre espaço para questionamentos e disputa política
A linha adotada por Simões, ao enumerar problemas em áreas como saúde, educação e segurança, abre dois flancos para ataques de rivais: um direcionado ao próprio governador e outro ao antecessor e aliado Romeu Zema (Novo). Isso porque, mesmo antes de assumir o cargo atual, Simões já tinha atuação relevante no comando do Estado quando era vice.
O texto aponta ainda que a força política do governador é anterior à participação na chapa de Zema no segundo mandato, em 2022, e remonta ao período em que ele se tornou secretário-geral do Estado, em 2020. Nesse cenário, a exposição de problemas agora pode provocar a pergunta sobre por que essas questões não teriam sido identificadas anteriormente.
Rodoanel entra na agenda com nova “ida surpresa”
Outra frente da agenda do governador, nos primeiros dias de governo, foi uma “ida surpresa”, na segunda-feira (23/3), à reunião de conciliação da ação judicial sobre o Rodoanel. A via deve ligar as duas pontas da BR-381 — na chegada a Belo Horizonte, vindo de São Paulo, e na saída em direção a Vitória (ES) — com o objetivo de desafogar o Anel Rodoviário.
Nesse caso, porém, Simões atuou como linha auxiliar de Zema. O governador afirmou que o governo Lula, por meio do Ministério da Integração Racial — que enviou representante à audiência — teria colocado entraves ao projeto em uma atitude que ele classificou como de natureza política.
O projeto foi paralisado no ano passado por decisão judicial, para discussão sobre os impactos da obra na população quilombola que vive na região a ser cortada pela rodovia. Segundo Simões, o ministério se prontificou a ajudar no impasse, mas não apontou formas de como isso ocorreria.
Possível redirecionamento de recursos e reação do governo federal
Diante do impasse, Simões afirmou que poderia retirar os recursos da obra — um total de R$ 5 bilhões — e transferi-los para a expansão do metrô da capital. As críticas do governador foram repassadas ao governo federal, que, conforme o texto, ainda não havia se posicionado sobre as declarações.