Núcleo de Atenção ao Autismo em Timóteo prevê início de atendimentos no 2º semestre
Audiência pública aponta demanda reprimida e detalha estrutura do NATEA, que funcionará em imóvel alugado no bairro Bromélias com atendimento multidisciplinar para crianças
26/03/2026 às 11:23por Redação Plox
26/03/2026 às 11:23
— por Redação Plox
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Uma audiência pública realizada na noite desta quarta-feira (26) debateu as políticas públicas oferecidas pelo Município de Timóteo a crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Durante o encontro, foi destacada a demanda reprimida por atendimento e a urgência em ampliar a estrutura de suporte às famílias atípicas.
Foto: Divulgação
Entre os encaminhamentos apresentados, está a criação do Núcleo de Atenção ao Transtorno do Espectro Autista (NATEA), que está em fase de reforma no imóvel onde vai funcionar. Segundo a secretária de Saúde, Érica Ferreira, a previsão é que o centro comece a receber pacientes no segundo semestre deste ano.
Esta audiência é uma oportunidade de diálogo. A demanda aumentou. Como gestores, não podemos criar serviços que não terão condições de continuar, temos que ter responsabilidade
Érica Ferreira
Câmara aponta atraso e cobra avanço nas políticas públicas
Autor do requerimento que motivou a audiência, o vereador Dr. Lair Bueno reforçou a necessidade de acelerar a implementação de políticas públicas voltadas às famílias atípicas. Ele lembrou que a lei municipal que reconhece o autismo como deficiência e assegura o direito às políticas públicas é de 2010, mas que o município ainda não conta com um centro especializado.
O parlamentar também citou que o tema já havia sido discutido anteriormente no Legislativo e avaliou que os avanços foram limitados. Na fala, ele mencionou o impacto sobre as mães atípicas e relatou perdas registradas no ano passado.
NATEA será instalado no bairro Bromélias e prevê atendimento multidisciplinar
A diretora da Saúde de Timóteo, Nicole Coqui, apresentou o que classificou como evolução da política pública de atendimento às pessoas com TEA. De acordo com ela, um imóvel no bairro Bromélias já foi alugado e passa por reforma para abrigar o NATEA.
Conforme as informações apresentadas, a casa terá nove salas com atendimento multidisciplinar voltado a crianças de dois a dez anos. A perspectiva anunciada é de atender 3.376 pacientes mensalmente. Nicole também afirmou que o município busca cofinanciamento estadual e federal e destacou a importância de emendas parlamentares, com expectativa de reduzir o tempo de espera e fortalecer a rede de inclusão social.
Modelos de outras cidades são apresentados como referência
Para ampliar o debate, Dr. Lair convidou representantes da Prefeitura de Santana do Paraíso e da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, que apresentaram experiências consideradas bem-sucedidas no atendimento às famílias atípicas.
O vereador do Rio de Janeiro, Paulo Messina, explicou que o programa de atendimento a pessoas com TEA no município integra ações de educação, saúde e assistência social. Na saúde, ele destacou o diagnóstico precoce e um tratamento com intensidade e repetição. Na educação inclusiva, citou professores capacitados, sala de recurso multidisciplinar, atividades personalizadas, programa de ensino individualizado e mediador escolar, especialmente para os níveis 2 e 3 de autismo.
Na assistência social, Messina relatou acompanhamento voltado às mães, sobretudo as mães solo, e defendeu que o cuidado inclua toda a família. Em sua fala, ele mencionou que cerca de 70% dos pais atípicos abandonam a criança até os cinco anos de idade e alertou para o adoecimento dessas mulheres diante da falta de acesso ao tratamento necessário.
Santana do Paraíso relata crescimento do atendimento e adesão das famílias
A gerente do Centro de Terapias de Santana do Paraíso (CETESP), Flávia Silva, apresentou resultados do serviço em sua cidade. Segundo ela, em um ano e meio de funcionamento (de setembro de 2024 a março de 2026), o centro triplicou o número de pacientes atendidos.
Flávia detalhou que o trabalho inclui acolhimento e direcionamento das famílias, tratamento contínuo e integral — com agendas fixas dentro do plano terapêutico —, desenvolvimento de autonomia para a vida adulta, melhora da qualidade de vida e segurança em saúde. Ela afirmou que as equipes passam por diversos treinamentos ao longo do ano e que, até o momento, a taxa de abandono precoce do tratamento é zero. Também relatou aprovação de 100% nas pesquisas de satisfação feitas com as famílias.
De acordo com a gerente, a unidade promove ações para inserir as famílias no processo terapêutico, como terapia integrativa familiar, oficinas para responsáveis, sala de espera, cine família e momentos de fé com missas e cultos. Ela acrescentou que, neste ano, os pacientes deverão contar com novas terapias, como musicoterapia e aquaterapia.
Projeto de lei mira apoio a mães atípicas empreendedoras
Ao final, o autor da audiência informou que está finalizando um projeto de lei para apreciação na Câmara, com foco em ajudar mães atípicas empreendedoras a conseguirem trabalhar de casa e também expor produtos em feiras.