Abertura da Expozebu tem críticas à proposta do governo Lula de acabar com a escala 6x1
Lideranças do agronegócio pediram reação do Congresso e questionaram mudança na jornada durante cerimônia em Uberaba, com presença de Caiado e Zema
26/04/2026 às 09:53por Redação Plox
26/04/2026 às 09:53
— por Redação Plox
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Lideranças do agronegócio reunidas neste sábado (25 de abril), na abertura da Expozebu, em Uberaba, no Triângulo Mineiro, criticaram a proposta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de acabar com a escala de trabalho 6x1 no país.
Principal evento da pecuária nacional, a feira é organizada pela ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), que reúne 22 mil associados. A entidade realiza anualmente a exposição pecuária e, neste ano, prevê mais de R$ 200 milhões em negociações envolvendo bovinos, distribuídas em 41 leilões e 11 shoppings de animais programados até o próximo dia 3.
Pecuarista o pecuarista Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges pede que parlamentares sejam contrários à aprovação do fim da escala 6x1
Foto: ABCZ/ Divulgação
Presidente da ABCZ pede reação do Congresso
Presidente da ABCZ, o pecuarista Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges afirmou, em discurso na abertura, que é necessário discutir “com a devida seriedade” temas como o fim da escala 6x1, considerando “todas as consequências possíveis”. A cerimônia contou com os presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, e Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais.
Para o bom funcionamento da economia do setor produtivo do Brasil. Pedimos aos nossos parlamentares que apoiem contrariamente essa pauta tão nociva da nossa economia, com consequências graves e sem precedentes ao nosso agro
Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges
Segundo o texto, a fala foi aplaudida pela plateia, formada por entidades do setor e pecuaristas.
Faesp critica prioridades e cobra foco em estrutura do país
Na sequência, o presidente da Faesp (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo), Tirso Meirelles, também questionou a proposta do governo federal. Ao criticar políticas públicas, ele afirmou que existem outras prioridades antes de debater mudanças na jornada de trabalho e defendeu que o país resolva problemas estruturais antes de mexer no 6x1.
Meirelles ainda elogiou Caiado e Zema por estarem na pré-disputa presidencial, em um cenário de polarização, e defendeu a construção de um projeto de país. Ele comparou o desempenho econômico do Brasil com o da Coreia do Sul, citando que em 1965 o país asiático produzia 25% a menos do PIB brasileiro e que, após 60 anos, teria crescido 700%, enquanto o Brasil cresceu 100%.
Governo e Câmara divergem sobre formato da proposta
Enquanto o tema foi criticado no evento do setor, governo e Congresso disputam detalhes do texto e do formato de tramitação da proposta de redução da jornada de trabalho na Câmara. Na quarta-feira (22 de abril), a Comissão de Constituição e Justiça aprovou relatório favorável à tramitação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) relacionada à jornada 6x1.
Pelo desenho da PEC, a tramitação é mais lenta e não há possibilidade de veto presidencial. Por isso, o governo defende que a mudança avance como PL (projeto de lei), em sentido oposto ao que deseja o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O texto aprovado, segundo a reportagem, trata apenas da constitucionalidade da proposta, sem entrar no conteúdo da emenda. Duas PECs tramitam em conjunto, de Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP), propondo a redução da jornada semanal de 44 horas para 36 horas. A proposta de Hilton também altera a escala, com quatro dias de trabalho por três de folga.
O governo considera esse desenho superado e defende um limite de 40 horas semanais, sem fixar um regime de escala, deixando esse ponto para negociações entre categorias e empresariado. A redução da jornada é apresentada como uma das apostas do governo para melhorar a popularidade do presidente Lula em ano eleitoral.
Arroba valorizada e expectativa de público na feira
A Expozebu ocorre em um momento de valorização da arroba bovina. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, houve alta de 11,18% em um ano no preço da arroba (15 quilos): na quinta-feira (23), a cotação foi de R$ 362,40, ante R$ 325,95 há 12 meses.
Realizada desde 1935 em Uberaba e apontada como a maior feira de gado zebu do mundo, a Expozebu chega à 91ª edição com previsão de receber 400 mil visitantes até 3 de maio. A programação inclui julgamentos de animais, concurso leiteiro, área comercial, rodadas de negócios internacionais, 11 shoppings de animais e 41 leilões — dois leilões e dois shoppings a mais que em 2025.