Flávio Dino defende reforma do Código Penal para endurecer punições por corrupção no Sistema de Justiça

Em artigo no Correio Braziliense, ministro do STF propõe criação de tipos penais específicos, afastamento imediato após denúncia e perda automática do cargo em caso de condenação definitiva

26/04/2026 às 16:22 por Redação Plox

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, defendeu uma reforma no Código Penal para endurecer a punição de crimes contra a Administração da Justiça. A proposta foi apresentada em um artigo publicado neste domingo (26) no Correio Braziliense.

No texto, Dino sustenta que a corrupção no Judiciário não decorre apenas da falta de instrumentos legais para penalizar juízes e demais servidores. Ele aponta fatores como poder, ofertas milionárias, busca por opulência e a ideia falsa de que o merecimento profissional deve se traduzir em ganhos estratosféricos como incentivos ao que chama de “corrida pela vantagem ilícita”.

Victor Piemonte/STF.

Victor Piemonte/STF.


Tipos penais específicos e penas ampliadas no Sistema de Justiça

Na publicação, o ministro detalha a criação de tipos penais específicos, com penas ampliadas, para delitos como peculato, concussão e corrupção ativa e passiva quando cometidos no âmbito do Sistema de Justiça.

Para Dino, a intenção é fortalecer tanto a repressão quanto a prevenção do que ele define como “justicídio”. O magistrado argumenta ainda que a resposta do Estado deve ser proporcional à gravidade da conduta e considera “reprovável que um conhecedor e guardião da legalidade traia a sua toga ou beca”.

Afastamento imediato e perda automática do cargo

Entre as medidas defendidas no artigo, Dino destaca a necessidade de afastamento imediato das funções de magistrados, membros do Ministério Público e advogados públicos logo após o recebimento da denúncia pela Justiça.

Em caso de condenação transitada em julgado, ele sugere a perda automática do cargo, independentemente do tempo de pena privativa de liberdade imposto pelo juiz.

Para a advocacia privada, o ministro propõe rigor semelhante: a suspensão imediata da inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) após a denúncia e o cancelamento definitivo do registro profissional no caso de condenação definitiva.

Criminalização de atos de obstrução e defesa de legitimidade

Dino também defende a criminalização rigorosa de atos que visem obstruir o bom funcionamento do sistema judiciário, seja por meio de embaraços processuais ou de retaliações a investigações, mesmo em casos que não envolvam crime organizado.

Rememoro que Norberto Bobbio, em sua obra ‘Teoria da Norma Jurídica’ (2003), dispôs que o principal efeito da institucionalização da sanção é a maior eficácia das normas a ela relativas. Como profissional do Direito, nisso acredito, sem desprezar os mecanismos de soft power, que são importantes. — escreveu Dino.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a