Gastos em Hospedagens durante Viagens ao Exterior Marcam o Início do Terceiro Mandato de Lula

A comitiva presidencial gastou aproximadamente R$ 7,3 milhões em hospedagens em nove países

26/06/2023 às 14:05 por Redação Plox

O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou-se com uma enxurrada de viagens internacionais, refletindo uma ênfase renovada na política externa do Brasil. Neste semestre, Lula fez doze viagens oficiais ao exterior, marcando uma acentuada diferença em comparação com as seis viagens feitas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro no mesmo período em 2019. A comitiva presidencial gastou aproximadamente R$ 7,3 milhões em hospedagens em nove países. Esse valor não inclui os gastos da mais recente viagem à Europa, que abrangeu Itália, Vaticano e França.

 

 

Gastos Significativos e Hospitalidade dos Países Anfitriões

Lula e sua comitiva ficaram em hotéis de alto padrão, com a maioria das despesas de hospedagem sendo custeadas com dinheiro público. Entretanto, segundo o Itamaraty, há ocasiões em que os governos anfitriões oferecem acomodações como cortesia. "A acomodação do presidente nas viagens realizadas aos EUA e aos Emirados Árabes Unidos, entre outras, foram custeadas pelos governos anfitriões", afirmou o Itamaraty. Em Washington, Lula se hospedou na Blair House, enquanto em Abu Dhabi foi acomodado no luxuoso Emirates Palace Mandarin Oriental.

Destaque nos Gastos: Viagem à China

Entre as viagens, a que mais se destacou em termos de gastos com hospedagem foi a visita à China em abril, na qual R$ 1,8 milhão foi gasto ao longo de cinco dias. Em Xangai, Lula ficou no luxuoso Fairmont Peace Hotel e em Pequim, no hotel St. Regis. A viagem à China também foi marcada por uma grande comitiva, incluindo o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, cinco governadores, oito ministros de Estado e 26 parlamentares. Durante a visita, foram assinados 15 acordos de cooperação e investimentos com o líder chinês, Xi Jinping, e é projetado que estes acordos resultem em aproximadamente R$ 50 bilhões em investimentos.

Outros Destinos e Despesas

As viagens para o Reino Unido, Portugal e Espanha também apresentaram gastos significativos em hospedagem, totalizando R$ 1,4 milhão, R$ 1 milhão e R$ 815 mil, respectivamente. Em Londres, Lula participou da cerimônia de coroação do rei Charles III e conseguiu comprometimento de aproximadamente R$ 500 milhões em contribuição para o Fundo Amazônia por parte do Reino Unido.

Investimentos e Recuperação de Relações

A Secretaria de Comunicação da Presidência esclareceu que as viagens são parte de uma estratégia para reforçar a imagem do Brasil e restaurar relações comerciais com parceiros internacionais. De acordo com uma nota da secretaria, isto "resulta na atração de investimentos estrangeiros em áreas estratégicas que contribuem diretamente para recuperação da capacidade do mercado interno brasileiro, impulsionando a geração de emprego e renda".

Como evidência dos benefícios diretos dessas viagens, o governo citou contribuições de cerca de R$ 3,1 bilhões ao Fundo Amazônia, além dos investimentos negociados com a China e os Emirados Árabes Unidos, que somam cerca de R$ 50 bilhões e R$ 12 bilhões respectivamente.

Comparação com o Governo Anterior

Durante o mandato de Jair Bolsonaro, alguns apoiadores argumentavam que o ex-presidente economizava dinheiro em viagens internacionais ao se hospedar em embaixadas. No entanto, ele também se utilizou de hotéis de alto padrão em diversas ocasiões.

Viagem de Menor Custo e Importância da Política Externa

Contrastando com os gastos na China e em outros países, a viagem com o menor gasto em hospedagem foi a Montevidéu, onde a comitiva brasileira despendeu R$ 59,1 mil, mesmo sem pernoitar na cidade.

As viagens de Lula refletem a priorização da política externa, com foco na reinserção do Brasil na geopolítica, resgate do processo de integração da América do Sul, agenda ambiental, e negociações para um acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.

Com acomodações em hotéis de luxo, presença em eventos internacionais e assinatura de acordos, o governo de Lula no início de seu terceiro mandato sinaliza uma abordagem ativa e investimentos significativos na esfera da política externa.

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