Consumo abusivo de álcool cresce nas capitais e pode chegar a 22,2% até 2030

Estudo coordenado pela UFMG, com dados do Vigitel, aponta alta no indicador geral e avanço mais acentuado entre mulheres; outro levantamento da Unifesp indica padrões de uso arriscado ainda elevados.

26/06/2026 às 10:31 por Redação Plox


O consumo abusivo de bebidas alcoólicas avançou nas capitais brasileiras e pode atingir 22,2% da população adulta até 2030, caso a tendência recente seja mantida. Estudo coordenado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostra que o crescimento foi especialmente forte entre as mulheres, enquanto outro levantamento nacional identificou padrões preocupantes entre adolescentes, sobretudo meninas.

Imagem ilustrativa

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Foto: Pixabay

A pesquisa da UFMG analisou dados do Vigitel coletados entre 2006 e 2023 nas 26 capitais e no Distrito Federal. Nesse período, a proporção de adultos que relataram consumo abusivo de álcool em uma única ocasião aumentou de 15,7% para 20,8%.

Crescimento é maior entre as mulheres

Entre as mulheres, o indicador passou de 7,8% para 15,2%, ficando próximo de dobrar em 17 anos. Entre os homens, a variação de 25% para 27,3% foi considerada estatisticamente estável pelos pesquisadores. O aumento também apareceu nas regiões Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul.

Pela projeção baseada no comportamento observado entre 2015 e 2023, a prevalência deverá chegar a 22,2% da população adulta das capitais em 2030, com índices estimados de 26,5% entre homens e 19,3% entre mulheres. Para cumprir a meta de redução prevista para a década, o indicador geral precisaria cair para cerca de 15,5%.

Menos adultos bebem, mas consumo de risco permanece alto

O 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, encontrou uma aparente contradição. A parcela de adultos que declarou ter consumido álcool no ano anterior à pesquisa caiu de 47,7%, em 2012, para 42,5%, em 2023, mas os padrões de uso arriscado continuam elevados.

O estudo, que entrevistou 16.608 pessoas com 14 anos ou mais, aponta que aproximadamente um em cada três adultos teve episódios de consumo pesado. Cerca de um em cada nove apresentou critérios compatíveis com transtorno relacionado ao uso de álcool.

Entre adolescentes de 14 a 17 anos, as meninas superaram os meninos nos principais recortes. O consumo no último ano foi relatado por 21,6% delas, contra 16,7% dos meninos. No mês anterior à pesquisa, os percentuais foram de 12,4% entre as meninas e 8,5% entre os meninos, apesar da proibição da venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos.

Impacto chega à saúde e à economia

O Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas estima que as consequências do consumo de álcool custem aproximadamente R$ 19 bilhões por ano ao país. Desse total, R$ 1,1 bilhão corresponde a internações e procedimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde, enquanto R$ 17,7 bilhões envolvem perdas de produtividade, afastamentos e aposentadorias precoces.

A Organização Pan-Americana da Saúde alerta que o consumo médio de álcool nas Américas é cerca de 40% superior à média mundial. Para conter os danos, a entidade recomenda medidas combinadas, como restrição à publicidade e à disponibilidade das bebidas, fiscalização contra a condução após o consumo, ampliação do acesso a tratamento e políticas de tributação e preços.

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