Entidades de imprensa repudiam :Arthur Maia proíbe fotógrafo de acompanhar CPMI
Restrição a jornalista em CPMI gera protestos e pedidos de reconsideração
Por Plox
26/08/2023 11h57 - Atualizado há cerca de 2 anos
Na quinta-feira (26), a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre os atos de 8 de janeiro presenciou uma decisão polêmica. Lula Marques, fotógrafo da EBC, foi impedido de acessar o plenário da comissão por ordem do presidente da CPMI, o deputado Arthur Maia (União-BA).

A razão para tal proibição está atrelada a uma imagem capturada por Marques: a tela do celular do senador Jorge Seif (PL-SC), que continha uma conversa com uma jornalista. A mensagem em questão abordava a operação de busca e apreensão contra Jair Renan Bolsonaro, funcionário no gabinete do senador Seif. O fotógrafo, ao expressar sua insatisfação com o ocorrido, afirmou em rede social: "Fui proibido pelo presidente da CPMI do Golpe de entrar na comissão por ter feito uma foto do celular do senador Jorge Seif tentando explicar a contratação no seu gabinete do filho do Bolsonaro, Renan".
Reações e pedidos de reconsideração
Após o incidente, Antônio Carlos de Almeida Castro, advogado conhecido como Kakay, divulgou uma nota. Nela, é mencionado que Leandro Bueno, Secretário da Comissão, informou ao fotógrafo que, por determinação do presidente da CPMI, ele "estaria proibido de entrar no plenário onde são realizados os trabalho". Kakay ressaltou a gravidade do ato, declarando: "O incidente que aconteceu com o fotógrafo Lula Marques claramente atenta contra a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão e até mesmo o livre exercício de sua profissão em um ambiente público e plural como o Congresso Nacional".
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) também manifestou descontentamento, classificando o ato como "ilegal e inconstitucional". A ABI acredita que essa decisão não é apenas uma censura ao trabalho jornalístico, mas também reflete uma tendência preocupante, fortalecida por ataques recentes à democracia e ao estado democrático de direito. A entidade fez um apelo às figuras influentes, como os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), além do próprio Arthur Maia, pedindo que Lula Marques recupere seu direito de cobrir presencialmente a CPMI.
Reforçando o coro dos descontentes, Hélio Doyle, presidente da EBC, solicitou a Arthur Maia que reconsiderasse a decisão de descredenciar Marques. Doyle frisou a importância da liberdade de trabalho para os profissionais de imprensa e destacou que, caso a decisão não fosse revertida, a EBC optaria por não enviar outro fotógrafo para cobrir os trabalhos da CPMI.