Intolerância à lactose: derrubando mitos e entendendo alternativas

Em muitos casos, não é necessário cortar todos os derivados de leite da dieta, afirmam nutricionistas

Por Plox

26/08/2023 07h33 - Atualizado há quase 2 anos

Estima-se que 2 bilhões de pessoas ao redor do mundo enfrentem dificuldades em digerir alimentos derivados do leite, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Contrariando a ideia popular, não é sempre que a solução é a exclusão completa da lactose. Segundo Edvânia Soares, nutricionista da Estima Nutrição, a intolerância à lactose não é igual a uma alergia. Essa condição é caracterizada pela diminuição ou incapacidade de digerir a lactose, o açúcar presente no leite e seus derivados. "É preciso restringir, mas não necessariamente excluir esses alimentos", destaca.

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Alternativas para quem tem intolerância A questão que muitos se perguntam é: "Então, o que se pode consumir?". Melina Conejo, outra especialista da área, pontua que muitos dos produtos rotulados como "sem lactose" já contêm a enzima lactase inserida. "O ideal é que a pessoa entenda o quanto pode consumir sem desencadear sintomas e quando pode ser necessário o uso da lactase", completa.

Há uma série de alimentos que, naturalmente, têm menos lactose. Dentre eles estão os iogurtes com lactobacilos, que possuem menor quantidade de lactose devido ao processo de fermentação, leites que já vêm sem lactose ou com a adição da enzima lactase, e queijos maturados. Alguns exemplos destes queijos são o parmesão, gruyére, emmental, gouda, provolone e brie.

O diagnóstico e a atenção aos sintomas Mesmo consumindo produtos com baixa lactose, se os sintomas persistirem, é crucial uma análise mais detalhada. Pode não ser apenas intolerância à lactose, mas outros quadros como alergias ou SII (síndrome do intestino irritável). Problemas como SII e SIBO (supercrescimento bacteriano) podem agravar os sintomas da intolerância. Melina Conejo enfatiza que os sintomas dessas síndromes são principalmente intestinais, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico correto.

Quanto ao diagnóstico da intolerância, ele pode ser feito por vários métodos, como exame de sangue, teste genético e molecular ou pela observação dos sintomas ao retirar e reinserir alimentos com lactose na dieta. No entanto, o tratamento mais comum envolve uma reestruturação da dieta, evitando produtos com alta concentração de lactose. "Mesmo introduzindo lactase, ela deve ser vista como um suplemento para auxiliar a digestão. O paciente não pode depender exclusivamente dela", reforça Edvânia.

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