Os reflexos do garimpo ilegal no cotidiano dos Yanomami.

Desafios da Crise: Garimpo, Fome e Esperança entre os Yanomami

Por Plox

26/08/2023 09h25 - Atualizado há cerca de 2 anos

Passados sete meses desde a declaração de emergência de saúde pública pelo Ministério da Saúde, os Yanomami, residentes no Norte do Brasil, enfrentam desafios marcantes. A emergência foi uma resposta à presença de 20 mil garimpeiros ilegais na área. Ainda que progressos tenham sido feitos, a enfermeira mineira Eliane Clara Opoxina, integrante da equipe de saúde emergencial, destaca que a situação atual do povo indígena é de "recomeço lento".

 

 

Foto: Divulgação

Ela ressalta a presença contínua de problemas como fome, malária e outros desafios de saúde. Apesar dos obstáculos, Opoxina observa que "a assistência começa a chegar aos lugares que estavam completamente desassistidos". Contudo, o aliciamento de jovens Yanomami por garimpeiros ilegais, agora em menor número, persiste como uma preocupação. "Hoje em dia, o garimpo não está tão próximo dos postos de saúde, como era antes. Eles vão tentando se esconder em lugares mais distantes", revela.

 

 

A Voz da Linha de Frente: Revelações da enfermeira Eliane Clara Opoxina

Com uma década de trabalho próximo aos Yanomami, Eliane Clara Opoxina entende profundamente os desafios de uma operação desse tamanho. Ela sublinha a importância das "bases de proteção" que a Funai está implementando, salientando que sua eficácia será assegurada pela constante presença delas, evitando assim o retorno dos garimpeiros.

Opoxina, recentemente, compartilhou suas experiências em uma palestra no Programa de Extensão em Direitos Humanos, Educação e Saúde Yanomami/Ye’kwana da UFMG. Refletindo sobre o momento atual dos Yanomami, ela expressa que se trata de "um momento de reconstruir a história", com um renovado senso de esperança palpável na comunidade.

Por outro lado, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, enfatizou que mais de 80% dos garimpeiros já deixaram o território Yanomami. No entanto, ela também apontou a ligação de alguns desses indivíduos com o narcotráfico e o crime organizado, gerando conflitos internos entre os indígenas. A ministra ainda atribuiu a morte de uma criança de 7 anos e ferimentos a outros indígenas a ações dos garimpeiros.

Quanto à persistente cooptação indígena pelo garimpo, Opoxina expõe: "Para o garimpo continuar, ele precisa cooptar". E mesmo com os avanços na remoção dos garimpeiros, a enfermeira, após observações aéreas, confirma que, em muitos locais anteriormente dominados por grandes concentrações destes indivíduos, "a gente não vê mais".

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