Rio Itapetininga transborda por chuva, afluentes e planícies; entenda os fatores

Cheias em áreas rurais foram associadas às chuvas intensas de setembro, ao volume dos afluentes e ao relevo plano da bacia.

26/09/2026 às 08:25 por Redação Plox

As cheias que atingiram áreas rurais de Itapetininga (SP) desde o início de setembro são resultado da combinação entre chuvas intensas, o recebimento de água de diversos afluentes e as características naturais do relevo na bacia do Rio Itapetininga. Ao ultrapassar a capacidade de sua calha regular, o curso d’água avança sobre a planície de inundação — área onde, naturalmente, o rio se espalha em períodos de maior vazão.

Mapa apresenta o trajeto completo do Rio Itapetininga (SP)

Mapa apresenta o trajeto completo do Rio Itapetininga (SP)

Foto: Google ©2026, Google BR


O município enfrentou um período de atenção meteorológica na primeira quinzena do mês. A Defesa Civil do Estado emitiu alertas para tempestades fortes na região de Sorocaba, com possibilidade de rajadas de vento, raios e granizo entre 11 e 12 de setembro. Fonte de apuração: Prefeitura de Itapetininga/Defesa Civil do Estado de São Paulo.

Da formação do rio às áreas de extravasamento

Com quase 300 quilômetros de extensão considerados desde seus formadores, o Rio Itapetininga percorre diferentes municípios até desaguar no Rio Paranapanema, em Campina do Monte Alegre. O nome Itapetininga passa a ser usado após o encontro do Rio Turvo com o Rio Pinhal Grande. Dentro do município, o rio corre no sentido leste-oeste e integra a bacia do Alto Paranapanema, segundo informações geográficas da Prefeitura.

O engenheiro ambiental e professor Vinicius Valio, ouvido pelo g1, explica que o rio passa a concentrar maior volume à medida que recebe novos tributários pelas margens. Em Itapetininga, destacam-se nessa dinâmica o Ribeirão do Chá e o Ribeirão dos Cavalos, que se encontram e seguem em direção ao Rio Itapetininga.

Nas proximidades do Bairro do Porto, o terreno já se torna mais plano e o rio acumula a contribuição de vários afluentes. Mais abaixo, áreas como Alciati, Curuçá e Pescaria ficam mais suscetíveis aos impactos das cheias. No Curuçá, a situação pode ser agravada pela água que escoa dos ribeirões do Chá e dos Cavalos, passa pelo Ponte Alta e, em excesso, alcança o Itapetininga.

Em 12 de setembro, o transbordamento do Ribeirão Ponte Alta provocou alagamento em um trecho da Rodovia Raposo Tavares. Um carro ficou submerso após o motorista tentar atravessar a área inundada. Fonte de apuração: reportagem do g1 Itapetininga e Região.

O relevo de Itapetininga é marcado por pequenas ondulações e extensas várzeas, condição que ajuda a explicar o comportamento do rio em períodos de muita chuva. A Prefeitura informa que o Itapetininga é o principal rio que banha o município e que possui 72 quilômetros de percurso dentro do território municipal. Fonte de apuração: Prefeitura de Itapetininga.

Chuvas acima do padrão e ocupação das margens

Rio Itapetininga subiu oito metros acima do nível normal

Rio Itapetininga subiu oito metros acima do nível normal

Foto: Defesa Civil/Divulgação


Até 19 de setembro, Itapetininga havia acumulado 259,5 milímetros de chuva no mês, índice 79% superior ao registrado em setembro de 2022, que detinha a maior marca da década, com 145 milímetros, conforme dados do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas citados pelo g1. A intensidade da precipitação elevou o nível do rio e ampliou o risco de inundação nas áreas mais baixas.

O documentarista Maurício Hermann relatou ao g1 que os trechos rurais nas regiões do Porto e do Alciati historicamente sofrem extravasamentos, mas a ocupação das margens por ranchos e outras construções ampliou a exposição de moradores e imóveis. Relatos de moradores mais antigos indicam a ocorrência de grandes enchentes em intervalos aproximados de uma década, sem que haja uma periodicidade oficialmente estabelecida.

A retirada de mata ciliar é outro ponto de preocupação. A vegetação das margens ajuda a reter parte da água e dos sedimentos carregados pelas chuvas; sem essa proteção natural, o escoamento tende a ganhar velocidade e levar resíduos para o rio. Hermann também citou o risco de resíduos de agrotóxicos alcançarem o curso d’água em propriedades onde o manejo do solo não adota práticas adequadas de conservação.

Abastecimento, qualidade da água e importância histórica

Apesar dos desafios ambientais, o Rio Itapetininga é o principal manancial de abastecimento urbano da cidade. Em nota enviada ao g1, a Sabesp informou que a Estação de Tratamento de Água de Itapetininga atende aproximadamente 160 mil pessoas — cerca de 95% da população estimada em 164.687 habitantes pelo IBGE. A companhia informou ainda que realiza monitoramento sistemático da qualidade da água desde a captação até a rede de distribuição e que não há estudos em andamento para construir barragens no rio.

Estudo conduzido por Vinicius Valio, com coletas entre a região da nascente e a foz, apontou impactos sobre a qualidade da água associados a atividades desenvolvidas na bacia, entre elas o lançamento de esgoto. A análise incluiu um ponto no Ribeirão Ponte Alta, que recebe o efluente final da estação de tratamento de esgoto de Itapetininga. A região da Chapadinha, onde ocorre a captação para abastecimento, apresentou a melhor qualidade da água entre os locais avaliados, segundo o levantamento.

O rio também faz parte da história local. O Bairro do Porto recebeu esse nome por sua ligação com a navegação, a pesca e as rotas de tropeiros que levavam gado do Sul do país. Atualmente, o Itapetininga passa nas proximidades de bairros como Chapada Grande, São Gonçalo, Vila dos Pescadores, Alciati, Porto, Sotemo, Porto Velho, Registro Velho, Curuçá I, II e III, Itarecreio e Rechã. A Prefeitura informa que a profundidade pode ficar abaixo de 60 centímetros na estiagem e superar quatro metros em cheias intensas.

A ocorrência recente reforça a necessidade de atenção às áreas sujeitas a inundação, especialmente durante episódios de chuva forte. A recomendação dos órgãos de defesa civil é não atravessar vias alagadas e evitar a permanência em locais próximos a cursos d’água durante tempestades ou elevação rápida do nível dos rios. Fonte de apuração: Prefeitura de Itapetininga/Defesa Civil do Estado de São Paulo.

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