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Economia
Ceia de Natal fica 4,53% mais cara, menor alta desde 2019, aponta IPC-Fipe
Prévia da cesta natalina do IPC-Fipe mostra aumento médio de 4,53% nos alimentos típicos, com forte alta de peru, chester, azeitonas e caixa de bombom, enquanto azeite de oliva extra virgem e algumas frutas ficam mais baratos; coordenador recomenda planejamento antecipado das compras.
26/11/2025 às 10:36por Redação Plox
26/11/2025 às 10:36
— por Redação Plox
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Os alimentos tradicionais da ceia de Natal vão ficar, em média, 4,53% mais caros neste fim de ano, segundo a prévia da cesta natalina do IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor), divulgada nesta semana. Mesmo assim, trata-se da menor variação desde 2019, quando o aumento foi de 3,19%. Em 2024, a chamada “inflação natalina” havia chegado a 9,16%.
Entre os itens que mais pressionam o bolso do consumidor estão peru e chester — aves produzidas especialmente para o período —, além das azeitonas e do chocolate, que reflete a alta global do cacau.
Peru e chester lideram a lista de pratos principais mais buscados nos supermercados brasileiros
Foto: Reprodução / Freepik.
Cesta natalina mais cara, mas com menor alta em seis anos
A pesquisa do IPC-Fipe é divulgada todos os anos, no mês que antecede o Natal, e compara os preços da segunda quadrissemana de dezembro com a segunda quadrissemana de novembro. Para este ano, o valor médio da cesta natalina completa ficou em R$ 453,06.
Dos 15 itens analisados, quase todos ficaram mais caros. A exceção foi o azeite de oliva, que registrou queda expressiva de 23,06% e ajudou a conter a inflação da cesta. Entre os produtos que subiram, peru e chester encareceram cerca de 14% em relação ao ano anterior, as azeitonas ficaram 12,53% mais caras e a caixa de bombom, sobremesa típica de fim de ano, aumentou 10,18%, acompanhando a alta do cacau. Outro item tradicional, o filé mignon, registrou alta de 9,70%.
Na contramão, alguns produtos tiveram queda, principalmente frutas. O pêssego ficou 6,85% mais barato e o sorvete, 6,99%. A redução de preços do azeite extravirgem também foi apontada como uma surpresa depois de anos consecutivos de alta.
Segundo o coordenador do IPC-Fipe, Guilherme Moreira, alimentos mais tradicionais da ceia, como peru, pernil, lombo e chester, tendem a sofrer oscilações mais fortes à medida que o Natal se aproxima. Para o especialista, planejar as compras com antecedência é fundamental para reduzir o impacto no orçamento das festas de fim de ano.
Peru e chester: aves típicas do Natal brasileiro
De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), peru e chester são produzidos no Brasil com foco nas comemorações de fim de ano. No caso do peru, boa parte da produção ao longo do ano é destinada à exportação. Já o chester, cujo nome se refere a uma marca e não a uma espécie específica de ave, é produzido exclusivamente para o Natal.
O que é o chester e por que ele é mais caro
O chester é uma marca registrada, originada de uma linhagem de frangos trazida da Escócia para o Brasil nos anos 1980. Pouco tempo depois, passou a ser vendido como o principal concorrente do tradicional peru de Natal, que já tinha forte apelo publicitário. Hoje, a produção do chester está concentrada em Goiás, em uma única agroindústria. O nome faz alusão à palavra inglesa chest (peito).
O tempo de criação do chester é maior do que o do frango convencional. Enquanto o frango comum leva cerca de 42 dias até o abate, o chester precisa, em média, de 50 dias para alcançar o peso ideal. Nas granjas parceiras, o manejo inclui dieta balanceada, com vitaminas e minerais específicos para o desenvolvimento da ave.
Esse manejo mais complexo é apontado como o principal fator para o preço mais alto, já que envolve o uso de cereais mais caros, como milho e farelo de soja, além de concentrados alimentares importados. A combinação de genética, alimentação e suplementação faz com que o chester tenha mais carne e peito maior do que o frango convencional.
Produção de peru em queda no país
A produção de peru no Brasil é considerada tímida e vem diminuindo. Dados da ABPA indicam que, em média, são produzidas 140 mil toneladas de carne de peru por ano. Em 2017, porém, o volume chegou a 390,48 mil toneladas, o maior já registrado.
Em 2024, 64,1 mil toneladas de carne de peru foram exportadas. No mesmo período, as exportações de frango somaram 5,3 milhões de toneladas, evidenciando a diferença de escala entre as duas produções.
A criação de peru é concentrada na região Sul do país. Assim como o chester, as aves recebem alimentação especial, o que encarece tanto o custo de produção quanto o preço final ao consumidor. O consumo médio de carne de peru no Brasil é de 0,291 quilo por pessoa.
Itens da ceia analisados pela Fipe
A Fipe avaliou 15 produtos típicos da ceia natalina, que compõem a cesta usada no cálculo da inflação de fim de ano. São eles:
Peru
Lombo de porco
Atum sólido
Macarrão espaguete
Caixa de bombom
Panetone com frutas cristalizadas
Vinho tinto
Champanhe
Sucos de laranja e morango
Molho de tomate
Azeitona verde com caroço
Palmito
Queijo ralado
Azeite de oliva extra virgem
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