Após multa, prefeitura em MG suspende alvarás da Vale por vazamentos

Incidentes em menos de 24 horas nas minas de Fábrica e Viga provocaram lamaçal em rios, levaram à suspensão de atividades pela Prefeitura de Congonhas e a multas do Governo de Minas, enquanto órgãos ambientais e de mineração avaliam impactos

27/01/2026 às 14:39 por Redação Plox

A Prefeitura de Congonhas (MG) determinou a suspensão dos alvarás de funcionamento das atividades da mineradora Vale na região após a identificação de vazamentos de água em duas minas da empresa. A decisão, formalizada em ofício enviado na segunda-feira (26/1), está vinculada à adoção de medidas emergenciais para mitigar impactos ambientais provocados pelos vazamentos.


O lamaçal de duas minas atingiu o Rio Goiabeiras, que atravessa a parte urbana de Congonhas e o rio Maranhão, em Minas Gerais

O lamaçal de duas minas atingiu o Rio Goiabeiras, que atravessa a parte urbana de Congonhas e o rio Maranhão, em Minas Gerais

Foto: Reprodução X

Paralelamente, o Governo de Minas Gerais também decidiu multar a Vale em razão do mesmo problema, ampliando a pressão sobre a mineradora.

Vazamentos em duas minas em menos de 24 horas

Em menos de 24 horas, foram registrados vazamentos em duas unidades da empresa: a Mina de Fábrica, em Ouro Preto, e a Mina Viga, em Congonhas. Os incidentes se deram após a ruptura de uma leira usada para contenção de água.

O rompimento gerou um fluxo de água, sedimentos e rejeitos de mineração, que se espalharam pela área e desceram em direção aos cursos d’água da região.

O lamaçal oriundo das duas minas atingiu o Rio Goiabeiras, que corta a área urbana de Congonhas, e o Rio Maranhão. Segundo a prefeitura, apenas a ruptura da contenção na Mina de Fábrica resultou no vazamento de 263 mil m³ de água turva, que ainda alcançou área da CSN Mineração, provocando danos materiais.


Após multa, prefeitura em MG suspende alvarás da Vale por vazamentos

Após multa, prefeitura em MG suspende alvarás da Vale por vazamentos

Foto: Prefeitura de Congonhas

Após multa, prefeitura em MG suspende alvarás da Vale por vazamentos

Após multa, prefeitura em MG suspende alvarás da Vale por vazamentos

Foto: Prefeitura de Congonhas

Impactos ambientais e monitoramento em campo

De acordo com a Defesa Civil, não houve bloqueio de vias nem registro de comunidades diretamente atingidas pelo lamaçal. O órgão reforça que o impacto se concentra na esfera ambiental, com prejuízos significativos ao ecossistema local.

A Defesa Civil permanece na região monitorando a situação. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas atua na avaliação dos danos e na definição das providências cabíveis.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) informou que descarta cenário de ruptura, colapso ou qualquer comprometimento de barragens ou pilhas de rejeitos de mineração.

Posicionamento da Vale e desdobramentos

Em nota, a Vale afirmou que mantém o acompanhamento permanente de suas estruturas na região.

A Vale reitera seu compromisso com a segurança das pessoas e de suas operações, esclarecendo que suas barragens na região seguem com condições de estabilidade e segurança inalteradas, sendo monitoradas 24 horas por dia, sete dias por semana

Vale

A companhia também informou que suspendeu as operações nas unidades afetadas e que irá responder às determinações dos órgãos responsáveis, colaborando com as autoridades e prestando os esclarecimentos necessários, além de ressaltar que suas projeções oficiais permanecem inalteradas.

Enquanto isso, a prefeitura de Congonhas mantém a suspensão dos alvarás da mineradora, e o Governo de Minas Gerais avança com o processo de aplicação de multa pelos vazamentos.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem cobrado uma solução imediata e efetiva para o caso, reforçando a cobrança por respostas da empresa e por ações de reparação.

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