Canetas emagrecedoras ilegais viram negócio milionário e já somam R$ 600 milhões no país

Fantástico revela avanço do mercado clandestino, com apreensões milionárias, venda irregular no Paraguai e pela internet, e casos graves associados ao uso de medicamentos sem registro e sem prescrição

27/01/2026 às 14:10 por Redação Plox

O programa Fantástico expôs o avanço do perigoso contrabando de canetas emagrecedoras ilegais, um mercado clandestino que vem se expandindo rapidamente. Dados obtidos pela reportagem mostram que, em 2024, a Receita Federal apreendeu 2.500 unidades. No ano anterior, foram 30 mil canetas, em uma carga avaliada em mais de R$ 30 milhões.

As pesquisas têm identificado que se aprende apenas 5% de tudo que passa. Então, este mercado possivelmente é de R$ 600 milhões presidente do IDESF - Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteira, Luciano Stremel Barros

Para as autoridades, o avanço desse comércio clandestino já configura um problema de saúde pública.


Canetas emagrecedoras devem ser aplicadas com indicação médica

Canetas emagrecedoras devem ser aplicadas com indicação médica

Foto: Reprodução / TV TEM

O brasileiro que compra essas canetas de forma irregular pode ter praticamente a certeza de que está adquirindo um suposto medicamento que chegou ao país sem a devida refrigeração e sem condições adequadas de uso. Ele pode não ter os efeitos esperados ou ainda causar danos à saúde auditor fiscal da Receita Federal Daniel Link

Contrabando cruza fronteiras e alimenta o varejo informal

No Paraguai, a reportagem identificou a venda irregular das canetas em pelo menos duas frentes: negociações a céu aberto em cidades de fronteira e ofertas pela internet, com anúncios improvisados que simulam campanhas de grandes laboratórios. Em alguns casos, vídeos com “dancinhas” e promessas de perda de peso rápida são usados para atrair consumidores.

Do outro lado da fronteira, em cidades brasileiras, esse mercado informal também se expande. Em Porto Alegre, um flagrante mostrou a abordagem com forte apelo publicitário. Atravessadores oferecem ainda a entrega do produto em capitais como São Paulo, ampliando o alcance da rede clandestina.

A apuração revelou que intermediários captam clientes e os encaminham até farmácias. Parte dos vendedores afirma que não é necessária receita médica e orienta o transporte das canetas sem refrigeração por até 20 dias, mesmo com o risco de degradação do produto. Para escapar da fiscalização, são usados fundos falsos de veículos, pneus e estofamentos.

Casos graves expõem riscos à saúde

Os efeitos dessa prática já aparecem em casos concretos. Em novembro, Kellen Oliveira, de 42 anos, utilizou uma caneta emagrecedora vinda do Paraguai, proibida no Brasil. Dias depois, começou a sentir fortes dores abdominais e precisou ser internada. Os médicos diagnosticaram síndrome de Guillain-Barré, uma doença rara e autoimune que causa fraqueza muscular e pode levar à paralisia do corpo. Kellen permanece internada na UTI.

Uma vez que ocorre um efeito colateral, não é possível saber com precisão se ele foi causado pelo medicamento, por outra substância, por um contaminante ou por má conservação. Esses efeitos colaterais podem ser tão severos que podem levar o paciente ao óbito Felipe Henning, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia

A Anvisa informou, em nota, que medicamentos sem registro no Brasil não podem ser comercializados. A única exceção é a importação excepcional por pessoa física, para tratamento da própria saúde e com prescrição médica.

Uso médico X risco de produtos clandestinos

Para a Sociedade Brasileira de Endocrinologia, o tratamento com canetas emagrecedoras representa um divisor de águas no combate à diabetes e à obesidade. No entanto, esses medicamentos devem ser produzidos por laboratórios autorizados pela Anvisa e passar por rigorosos testes de qualidade e pureza antes de chegar ao mercado.

O risco cresce quando o uso é feito sem orientação médica e com produtos de origem desconhecida. Nessas condições, não há garantia de que a substância seja realmente aquela anunciada, nem de que tenha a qualidade adequada ou esteja livre de contaminação.

São medicamentos muito bons. O grande problema está no uso inadequado, sem orientação médica, e na compra em fontes duvidosas, onde o produto pode não ser aquele, ter qualidade ruim ou estar contaminado Henning

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