Flávio Bolsonaro lidera crescimento de seguidores e supera Lula nas redes sociais

Levantamento da Bites mostra avanço de 40% do senador entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, acima do crescimento de Lula, e expõe assimetria digital entre direita fragmentada e esquerda isolada na pré-campanha de 2026

27/01/2026 às 10:49 por Redação Plox

O pré-candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) superou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no crescimento de seguidores nas redes sociais entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, tanto em números absolutos quanto proporcionais. O movimento evidencia a capacidade de mobilização do bolsonarismo no ambiente digital, espaço em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) consolidou parte central de seu capital político.

Flávio aposta em força do bolsonarismo sem Bolsonaro na disputa contra Lula

Flávio aposta em força do bolsonarismo sem Bolsonaro na disputa contra Lula

Foto: Redes Sociais/Agência Senado


O levantamento foi feito pela consultoria Bites a pedido de O TEMPO Brasília e analisou a evolução das bases de seguidores dos presidenciáveis considerados mais competitivos na soma de quatro plataformas: Instagram, TikTok, YouTube e X (antigo Twitter). O estudo levou em conta indicadores de crescimento ao longo de um período de um ano.

Flávio cresce mais que Lula em todas as métricas

No recorte direto entre os dois principais nomes, o senador leva vantagem. Flávio ganhou 4,98 milhões de seguidores em 2025, o maior crescimento absoluto entre os avaliados, o que corresponde a uma alta de 40% em relação à sua base inicial. Lula, por sua vez, somou 3,28 milhões de novos seguidores, mas avançou proporcionalmente bem menos: 9,7%.

O contraste reforça um padrão já observado em disputas anteriores. Enquanto Lula mantém uma presença digital mais estável, Flávio exibe um ritmo de expansão mais acelerado, associado a estratégias próximas às do pai, como forte mobilização de apoiadores e uso intensivo das redes como instrumento de disputa política.

Caiado lidera alta proporcional; Leite tem pior desempenho

Além de Flávio e Lula, o levantamento mostra que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), foi o presidenciável com maior crescimento proporcional no período considerado. Ele ampliou sua base em 60,4%, com ganho de 1,69 milhão de seguidores, desempenho que o coloca na liderança quando o critério é ritmo de expansão, ainda que permaneça distante dos primeiros colocados em volume total.

Na sequência aparece o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), com alta proporcional semelhante à de Caiado, de 60,2%, e ganho de 970 mil seguidores. Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), avançou 30,9% ao acrescentar 905 mil seguidores, ocupando a quarta posição no ranking proporcional.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), registrou crescimento de 1,75 milhão de seguidores, mas com variação proporcional mais moderada, de 19,1%. Na outra ponta da tabela está o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), que somou 201 mil seguidores no período e teve o menor crescimento proporcional, de 8,4%.

Seguidores não significam engajamento automático

Especialistas ponderam que o número de seguidores, isoladamente, não equivale a engajamento efetivo. Curtidas, comentários, compartilhamentos e alcance das publicações são métricas distintas — e nem sempre caminham na mesma direção. As bases digitais também podem reunir perfis inativos ou até robôs, o que relativiza a leitura dos números brutos.

Para o advogado especialista em direito eleitoral Guilherme Barcelos, embora o avanço no total de seguidores seja um indicativo relevante de popularidade, ele não pode ser analisado de forma isolada, em especial em um ambiente de propaganda política cada vez mais sofisticado nas redes sociais.

Barcelos ressalta que o engajamento continua sendo o elemento central: mais do que acumular seguidores, é crucial que o conteúdo alcance e mobilize o público. Ainda assim, a expansão das bases digitais segue sendo um ativo importante nas disputas eleitorais contemporâneas, sobretudo em períodos de pré-campanha.

Assimetria entre esquerda e direita na pré-campanha

O cenário traçado pelo levantamento também evidencia a assimetria entre os campos ideológicos. À esquerda, Lula aparece isolado na tentativa de viabilizar um quarto mandato presidencial, sem concorrentes relevantes em seu próprio campo político.

À direita, o quadro é mais fragmentado. Embora Flávio seja visto como um possível herdeiro político do bolsonarismo, o grupo enfrenta dificuldades para construir unidade em torno de seu nome. Lideranças regionais mantêm projetos próprios para 2026, o que adiciona mais incerteza à disputa e torna a força digital um componente ainda mais estratégico na corrida eleitoral.

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