Banco Master mantém contratos milionários com bancas ligadas a Lewandowski e Moraes
Serviços jurídicos à instituição financeira seguiram mesmo após Lewandowski se afastar formalmente da banca, que permaneceu sob comando da esposa e do filho
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria demonstrado forte incômodo com a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), na condução do inquérito que investiga o Banco Master. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo com base em relatos de auxiliares presidenciais, Lula fez críticas duras ao ministro e chegou a dizer que ele deveria considerar deixar a Corte.
José Antonio Dias Toffoli, juiz-relator no Supremo Tribunal Federal do caso das fraudes no Banco Master
Foto: (STF/Divulgação)
De acordo com esses relatos, o desconforto do presidente está ligado sobretudo às revelações sobre possíveis vínculos de familiares de Toffoli com fundos associados ao banco investigado. Soma-se a isso o rigoroso sigilo imposto ao processo, que teria alimentado, entre aliados de Lula, a desconfiança de que o caso possa terminar em uma “grande pizza”.
Em dezembro, Lula e Toffoli se reuniram no Palácio do Planalto, em encontro descrito como cordial. Na conversa, o presidente teria manifestado a expectativa de que todas as irregularidades fossem investigadas até as últimas consequências, enquanto o ministro assegurou que nada seria abafado.
Apesar da pressão nos bastidores e das críticas atribuídas a Lula, Toffoli tem dito a interlocutores que não vê razões para abandonar a relatoria do inquérito. Segundo esses relatos, o ministro sustenta que não há impedimentos capazes de comprometer sua imparcialidade.
Toffoli também rejeita qualquer ligação entre viagens, contatos pessoais ou eventuais negócios envolvendo familiares e sua atuação no caso. Para ele, esses elementos não configurariam conflito de interesse no processo.
Lula foi o responsável por indicar Dias Toffoli ao STF, mas a relação entre ambos acumula desgastes ao longo dos anos. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em 2019, quando o ministro não autorizou que Lula, então preso em Curitiba (PR), deixasse a prisão para comparecer ao velório do irmão.
O episódio só foi revisitado em 2022, após a vitória de Lula na eleição presidencial. Naquele momento, Toffoli pediu desculpas ao petista pela decisão tomada à época, em um gesto visto como tentativa de reaproximação, mas que não teria sido suficiente para eliminar todas as ressalvas e frustrações acumuladas na relação entre os dois.