Lula demonstra incômodo com atuação de Toffoli em inquérito sobre Banco Master

Presidente teria cobrado apuração completa e chegou a sugerir que ministro deixasse o STF após revelações sobre possíveis vínculos de familiares com fundos ligados ao banco e sigilo rígido no processo

27/01/2026 às 08:14 por Redação Plox

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria demonstrado forte incômodo com a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), na condução do inquérito que investiga o Banco Master. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo com base em relatos de auxiliares presidenciais, Lula fez críticas duras ao ministro e chegou a dizer que ele deveria considerar deixar a Corte.

José Antonio Dias Toffoli, juiz-relator no Supremo Tribunal Federal do caso das fraudes no Banco Master

José Antonio Dias Toffoli, juiz-relator no Supremo Tribunal Federal do caso das fraudes no Banco Master

Foto: (STF/Divulgação)


Lula vê conflito e teme desfecho sem punições

De acordo com esses relatos, o desconforto do presidente está ligado sobretudo às revelações sobre possíveis vínculos de familiares de Toffoli com fundos associados ao banco investigado. Soma-se a isso o rigoroso sigilo imposto ao processo, que teria alimentado, entre aliados de Lula, a desconfiança de que o caso possa terminar em uma “grande pizza”.

Em dezembro, Lula e Toffoli se reuniram no Palácio do Planalto, em encontro descrito como cordial. Na conversa, o presidente teria manifestado a expectativa de que todas as irregularidades fossem investigadas até as últimas consequências, enquanto o ministro assegurou que nada seria abafado.

Toffoli resiste a deixar o caso

Apesar da pressão nos bastidores e das críticas atribuídas a Lula, Toffoli tem dito a interlocutores que não vê razões para abandonar a relatoria do inquérito. Segundo esses relatos, o ministro sustenta que não há impedimentos capazes de comprometer sua imparcialidade.

Toffoli também rejeita qualquer ligação entre viagens, contatos pessoais ou eventuais negócios envolvendo familiares e sua atuação no caso. Para ele, esses elementos não configurariam conflito de interesse no processo.

Relação marcada por indicações e frustrações

Lula foi o responsável por indicar Dias Toffoli ao STF, mas a relação entre ambos acumula desgastes ao longo dos anos. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em 2019, quando o ministro não autorizou que Lula, então preso em Curitiba (PR), deixasse a prisão para comparecer ao velório do irmão.

O episódio só foi revisitado em 2022, após a vitória de Lula na eleição presidencial. Naquele momento, Toffoli pediu desculpas ao petista pela decisão tomada à época, em um gesto visto como tentativa de reaproximação, mas que não teria sido suficiente para eliminar todas as ressalvas e frustrações acumuladas na relação entre os dois.

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