Dívida com garantia da União chega a R$ 336,65 bilhões, com estados concentrando quase 70%

Relatório do Tesouro Nacional mostra que operações internas e externas somam R$ 336,65 bilhões em garantias da União, com São Paulo e Rio de Janeiro liderando entre os estados e destaque para aporte aos Correios

27/01/2026 às 12:35 por Redação Plox

Relatório do Tesouro Nacional sobre os quatro últimos meses de 2025 mostra que o saldo devedor de garantias concedidas pela União em operações de crédito chegou a R$ 336,65 bilhões ao fim do período.


Tesouro aprova empréstimo para Correios de R$ 12 bilhões com garantias da União

Tesouro aprova empréstimo para Correios de R$ 12 bilhões com garantias da União

Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Pela legislação, a União pode oferecer garantia a empréstimos contratados por estados, Distrito Federal e municípios, desde que sejam observadas contrapartidas e limites de endividamento. A cobertura também pode ser estendida a entidades controladas, direta ou indireta­mente, por esses entes, como as empresas estatais.

Do total apurado, R$ 153,33 bilhões correspondem a operações de crédito internas, o que representa 45,5% do montante. Já as operações de crédito externas somam R$ 183,32 bilhões, equivalentes a 54,5% do saldo.

As chamadas operações de crédito internas são contratadas com instituições financeiras nacionais, como bancos federais, bancos estaduais e credores privados. As operações de crédito externas envolvem recursos de organismos multilaterais e agências governamentais internacionais, entre outros.

Perfil das operações internas e externas

Entre os credores, os bancos federais concentram a maior parte das operações internas. Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste respondem por 93,5% dessas operações, o equivalente a R$ 143,33 bilhões.

Nas operações externas, os principais credores são organismos multilaterais como BIRD, BID, CAF e NDB, entre outros, que detêm 95,4% dos contratos, somando R$ 174,94 bilhões.

Estados concentram maior parte do endividamento

Os estados respondem pela maior parcela do saldo devedor total, com 68,8%, ou R$ 230,99 bilhões. Em seguida aparecem os municípios, com 17,5% do total (R$ 59,02 bilhões), e os próprios bancos federais, com 7,2% (R$ 24,34 bilhões).

Entre os entes federativos, São Paulo lidera o ranking de saldo devedor de operações de crédito com garantia da União, com 11,3% do total, o equivalente a R$ 38,05 bilhões. Na segunda posição está o estado do Rio de Janeiro, com 8,3% (R$ 28,04 bilhões).

Participação das estatais federais

As estatais federais respondem por 3,8% do saldo total das garantias concedidas pela União. Dentro desse grupo, os Correios concentram a maior parcela, com 3% do total, ou R$ 10 bilhões. Em seguida aparecem a Eletronuclear, com 0,8% (R$ 2,68 bilhões), e a Eletrobrás, com 0,1% (R$ 197,39 milhões).

Em dezembro de 2025, diante do risco de colapso financeiro dos Correios, o Tesouro assinou contrato de garantia da União para uma operação de crédito de R$ 12 bilhões em favor da estatal.

O financiamento foi contratado junto a um consórcio formado por Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Caixa Econômica Federal. Desse total, R$ 10 bilhões foram liberados pelos bancos ainda em 2025 e passaram a integrar o saldo devedor das operações de crédito garantidas pela União no período.

Pagamento de dívidas garantidas pela União

O Tesouro informou que honrou, em 2025, R$ 11,08 bilhões em dívidas de estados cobertas por garantias da União. Foram contemplados os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Rio Grande do Norte.

Entre os municípios, tiveram dívidas honradas Taubaté (SP), São Gonçalo do Amarante (RN), Sobral (CE), Parauapebas (PA), Iguatu (CE), Santanópolis (BA), além de Porto Nacional e Paranã, ambos no Tocantins.

No acumulado desde 2016, a União efetuou o pagamento de R$ 86,52 bilhões em dívidas garantidas.

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