Inmet alerta para chuvas intensas em 24 estados; Minas está em “grande perigo”
Frente fria no oceano e atuação da ZCIT devem manter a sexta (27/2) com precipitações volumosas em grande parte do país, enquanto o Sul tende a ter tempo mais firme.
Associado há anos ao chamado “rosto de cortisol” e, mais recentemente, à “barriga de cortisol”, o hormônio costuma ser apontado como o grande vilão do estresse crônico. Nas redes sociais, ganhou fama de responsável direto pelo ganho de peso, em especial na região abdominal.
Mas, diferentemente do que circula nas redes sociais, os especialistas explicam que, de maneira geral, o cortisol não é o responsável direto pelo ganho de peso
Produção excessiva de cortisol leva causa uma síndrome que pode gerar ganho de peso.
Foto: Freepik
O cortisol é um hormônio essencial para o funcionamento do organismo. Ele participa da regulação do metabolismo, ajuda a controlar a quantidade de açúcar no sangue e atua no estímulo do sistema imunológico, entre outras funções.
Rafael Buck, endocrinologista e diretor do Departamento de Adrenal e Hipertensão da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que o cortisol é conhecido como hormônio do estresse porque prepara o corpo para reagir em situações de perigo e também no combate a doenças.
O estresse crônico pode aumentar um pouco os níveis de cortisol, mas ele não tem a capacidade direta de fazer a pessoa ganhar muita gordura abdominal. Isso porque o ganho de peso ligado ao estresse é multifatorial
Rafael Buck
Segundo o especialista, em uma rotina marcada por tensão constante, há vários fatores que contribuem para a alta na balança, independentemente do hormônio. Entre os principais estão o sedentarismo, a falta de tempo para preparar e fazer as refeições com calma e o alto consumo de produtos ultraprocessados.
Uma alteração realmente significativa na quantidade de gordura corporal relacionada ao cortisol só costuma ocorrer em condições médicas específicas, em que há excesso na produção desse hormônio.
O cortisol é produzido pelas glândulas suprarrenais (ou adrenais) a partir de comandos enviados por estruturas do cérebro: o hipotálamo e a hipófise. Quando o hipotálamo, que faz a ponte entre os sistemas endócrino e nervoso, recebe um sinal de estresse, ele estimula a hipófise a liberar outro hormônio, que por sua vez orienta as suprarrenais a despejarem cortisol na corrente sanguínea.
Esse estresse pode ter origem física — lesões, doenças, exercícios físicos intensos — ou emocional, como ansiedade, medo, traumas e pressões do dia a dia. Também pode ser agudo, em situações imediatas de perigo ou susto, ou crônico, como em casos de estresse profissional prolongado, problemas financeiros e ansiedade persistente.
Nesse cenário, Buck explica que o nível de cortisol de fato se eleva, mas lembra que a concentração do hormônio varia naturalmente ao longo do dia. A produção é maior pela manhã e vai diminuindo gradualmente até a madrugada, quando atinge níveis bem baixos. A partir de cerca de 4h ou 5h, volta a subir.
Por isso, a qualidade do sono é considerada peça-chave para manter essa curva de secreção em equilíbrio. Quando o padrão de sono é interrompido de forma constante, esse ritmo se desorganiza, o que pode provocar uma série de alterações no corpo.
Quando os níveis de cortisol permanecem altos por longos períodos, instala-se a chamada síndrome de Cushing. A síndrome de Cushing é um distúrbio hormonal provocado pela exposição crônica a concentrações elevadas de cortisol, geralmente como consequência de um tumor na hipófise ou do uso excessivo de medicamentos corticoides.
Nesses casos, há acúmulo de gordura principalmente no abdômen e no rosto, além de perda de massa muscular, aumento da glicose no sangue e maior suscetibilidade a infecções. Segundo os especialistas, esse é o tipo de situação em que está comprovado que o cortisol leva, de fato, ao ganho de peso.
Fora desses quadros, mesmo com aumento do estresse diário, as oscilações no nível de cortisol não são suficientes, sozinhas, para provocar aumento significativo de peso corporal.
De acordo com Buck, não é possível atribuir o ganho de peso apenas ao fato de estar mais estressado. O ganho de gordura em contextos de maior estresse e ansiedade é considerado multifatorial e envolve hábitos de vida, rotina, ausência de exercício físico e alimentação inadequada.
Para reduzir os impactos do estresse no organismo, especialistas reforçam que mudanças no estilo de vida são fundamentais. Ajustes na rotina podem atenuar o estresse crônico e, indiretamente, ajudar no controle do peso.
Entre as principais recomendações para lidar melhor com o estresse estão encontrar uma atividade física que também proporcione prazer e praticá-la com regularidade, manter uma alimentação balanceada e incluir na rotina práticas que ajudem a acalmar a mente, como meditação ou outros momentos de relaxamento.
Dormir bem, com foco em um sono de qualidade, também é apontado como medida central para o equilíbrio hormonal. Além disso, especialistas sugerem limitar a agenda de trabalho, desativar notificações do celular durante os períodos de descanso e reservar tempo para conviver com família e amigos.