Delação no INSS cita Carlos Lupi em escândalo de descontos associativos indevidos

Ex-dirigentes do instituto mencionam o ex-ministro da Previdência no contexto da Operação Sem Desconto, que apura cobranças ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas, segundo o Brado Jornal.

27/02/2026 às 09:50 por Redação Plox

Delações premiadas de ex-integrantes da cúpula do INSS passaram a citar o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT) no contexto das investigações sobre descontos associativos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. A informação, divulgada nesta sexta-feira (27), adiciona um novo elemento político ao caso que levou o governo federal a suspender acordos entre o INSS e entidades após operação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU).

Ex-ministro de Lula, Carlos Lupi é citado em delação como o responsável por ignorar alertas de fraudes que fizeram os descontos ilegais saltarem para R$ 248 milhões

Ex-ministro de Lula, Carlos Lupi é citado em delação como o responsável por ignorar alertas de fraudes que fizeram os descontos ilegais saltarem para R$ 248 milhões

Foto: Ricardo Stuckert/PR


Delações ligam ex-ministro a esquema de descontos

Segundo reportagem do Brado Jornal, os ex-dirigentes do INSS André Fidelis e Virgílio de Oliveira Filho mencionaram Carlos Lupi em acordos de colaboração premiada relacionados à Operação Sem Desconto. De acordo com o texto, os relatos abordariam alertas sobre o aumento dos descontos e uma suposta demora na adoção de medidas durante a gestão de Lupi à frente do Ministério da Previdência.

O caso dos descontos associativos indevidos ganhou alcance nacional após a deflagração da Operação Sem Desconto, conduzida pela PF e pela CGU, focada em cobranças não autorizadas em aposentadorias e pensões. A citação de um ex-ministro de Lula em delações sobre o esquema de descontos ilegais no INSS reacende a pressão política em torno do escândalo, especialmente sobre a atuação do governo e o momento em que as irregularidades teriam sido identificadas.

Ponto de atenção: até agora, o conteúdo integral das delações e sua validação judicial não constam em fontes oficiais públicas consultadas nesta apuração. A extensão e o contexto exato das citações a Lupi seguem como informação em apuração, o que mantém em aberto o alcance político e jurídico das revelações.

Reação do governo e medidas oficiais

Em abril de 2025, o governo federal anunciou a suspensão de todos os acordos de cooperação técnica entre o INSS e entidades envolvidas em descontos considerados suspeitos. A iniciativa foi apresentada como forma de impedir novas cobranças não autorizadas e reorganizar o sistema de descontos em benefícios previdenciários.

Segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom), a medida foi adotada com atuação coordenada de CGU, Advocacia-Geral da União (AGU), INSS e outros órgãos federais, em resposta direta aos indícios levantados pela Operação Sem Desconto e às reclamações de aposentados e pensionistas afetados pelos débitos indevidos.

Depoimento de Lupi na CPMI do INSS

Em setembro de 2025, ao prestar depoimento à CPMI do INSS, Carlos Lupi afirmou, conforme relato da Agência Brasil, que o governo vinha acompanhando denúncias sobre descontos desde 2023, mas que não teria plena dimensão do volume das fraudes. Ainda segundo essa cobertura, ele reconheceu que faltou uma ação mais firme para frear o problema.

Na mesma ocasião, constou também que Lupi declarou não ter sido denunciado nem citado nas investigações naquele momento. A Câmara dos Deputados registrou oficialmente a oitiva do ex-ministro, destacando que ele foi chamado a depor por ter comandado a pasta justamente no período em que o escândalo dos descontos ilegais ganhou maior visibilidade pública.

Efeitos para beneficiários e cenário político

Para aposentados e pensionistas, o principal reflexo do caso foi a mudança no tratamento dos descontos associativos e a abertura de canais administrativos específicos para contestação e pedido de ressarcimento, conforme comunicações oficiais e serviços de orientação ao público ao longo de 2025.

No campo político, a menção a um ex-ministro em delações tende a intensificar a disputa em torno da responsabilização pela crise no INSS. A tendência é que aumente a pressão por novas convocações e pedidos de esclarecimento no Congresso, amplificando o desgaste para o governo e aliados, a depender do teor e da futura comprovação dos relatos que envolvem Lupi.

Esse movimento também reforça a disputa narrativa sobre quando o problema foi de fato conhecido, quais alertas teriam sido feitos internamente e que tipo de resposta foi adotada pela gestão no Ministério da Previdência e pelo comando do INSS.

Próximos passos e pontos em aberto

Entre os desdobramentos esperados está a divulgação, assim que houver acesso público ou confirmação oficial, dos trechos específicos das delações que mencionam Carlos Lupi, bem como o contexto dessas citações e eventuais documentos ou provas anexadas aos acordos de colaboração.

Também deve seguir no radar a manifestação de órgãos como Ministério da Previdência, INSS, CGU e AGU, além de eventuais posicionamentos da defesa de Lupi sobre o conteúdo das delações. No Congresso, a CPMI do INSS e outras frentes de investigação podem avançar com novos requerimentos de convocação, pedidos de documentos e definição de cronogramas de depoimentos à medida que surgirem novas informações.

Delação no INSS: ex-ministro de Lula, Carlos Lupi é citado em escândalo de descontos ilegais permanece, assim, no centro da disputa política e institucional sobre a responsabilização pelas fraudes e a proteção dos direitos de aposentados e pensionistas.

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