Inmet alerta para chuvas intensas em 24 estados; Minas está em “grande perigo”
Frente fria no oceano e atuação da ZCIT devem manter a sexta (27/2) com precipitações volumosas em grande parte do país, enquanto o Sul tende a ter tempo mais firme.
Entre vídeos que prometem emagrecimento rápido com chás e alimentos “milagrosos” e o avanço das chamadas canetas contra obesidade, quem tenta perder peso costuma esbarrar na mesma pergunta: o que realmente funciona?
Do ponto de vista do funcionamento do corpo, a resposta dos especialistas é direta: uma pessoa emagrece quando gasta mais energia do que consome, ou seja, quando o organismo usa mais calorias do que recebe pela alimentação.
Quando esse déficit de energia acontece, o corpo recorre às reservas de gordura, especialmente a gordura armazenada, o que leva à redução do peso corporal. Esse processo, porém, não é simples nem automático e envolve um sistema sofisticado de regulação, comandado pelo cérebro e por vários hormônios e sinalizadores que interferem na fome, na saciedade e no gasto de energia.
O tempo necessário para emagrecer varia e depende de fatores como genética e metabolismo. E, na tentativa de acelerar esse processo, muita gente acaba adotando estratégias ineficazes ou que podem ter efeitos negativos para o organismo.
Ao longo desta matéria, você vai entender:

Os chás podem trazer saciedade, mas não ajudam a emagrecer.
Foto: Freepik
Apesar da popularidade e da enxurrada de anúncios na internet, nenhum chá ou produto “natural” isolado é capaz de promover emagrecimento significativo.
A ideia de que um chá, suplemento ou produto “natural” sozinho possa queimar gordura de forma significativa e permanente é um mito Fábio Trujilho
Esses produtos não fazem o corpo queimar gordura de forma consistente sem que exista, ao mesmo tempo, um balanço energético negativo – isto é, gastar mais energia do que se ingere.
Mesmo os chás vendidos como “emagrecedores” não têm evidência científica de que, sozinhos, aumentem o gasto calórico. No máximo, podem ter um efeito complementar, ajudando a promover sensação de saciedade, mas não são responsáveis pela perda de gordura.
Além disso, diversos chás comercializados com promessa de emagrecimento constam na lista da Anvisa de emagrecedores irregulares e proibidos, divulgada em 2022 e constantemente atualizada.
Assim como os chás, suplementos, cápsulas e termogênicos vendidos com a promessa de perda de peso não demonstram efeitos clinicamente significativos em pessoas com sobrepeso ou obesidade.
De acordo com especialistas, a maior parte dos suplementos avaliados – incluindo fibras, cafeína e chá verde – está associada apenas a pequenas reduções de peso, geralmente inferiores a 2 kg, o que é considerado irrelevante para o manejo da obesidade.
Além de não entregarem o resultado esperado, esses produtos podem trazer riscos à saúde. Entre os principais efeitos adversos, estão problemas gastrointestinais, como:
Há ainda relatos de eventos graves, como:
Assim como ocorre com chás irregulares, diversas cápsulas e suplementos supostamente emagrecedores também aparecem na lista de produtos proibidos pela Anvisa.
Entre tantas técnicas questionadas e fórmulas sem comprovação científica, as canetas contra obesidade surgem como uma alternativa com respaldo para perda de peso – desde que usadas com indicação correta e acompanhamento médico.
Entre os principais componentes dessas medicações estão a semaglutida (presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy), a liraglutida e a tirzepatida (substância do Mounjaro). Boa parte dessas moléculas foi inicialmente desenvolvida para o tratamento do diabetes e, mais tarde, mostrou eficácia na redução de peso.
Esses remédios atuam em hormônios que regulam fome e saciedade e podem ser muito úteis quando bem indicados e monitorados. Ainda assim, não são indicados para todos os pacientes e seu uso envolve riscos.
Sociedades médicas recomendam que essas medicações só sejam utilizadas diante de indicação clara, com prescrição e acompanhamento regulares. O uso por conta própria, sem avaliação clínica e sem ajuste adequado da dose, pode provocar efeitos colaterais como náusea, vômitos, diarreia, constipação e dor abdominal.
Também aumentam as chances de complicações mais graves, incluindo inflamação do pâncreas, problemas na vesícula biliar e, em pessoas com diabetes, piora de alterações na retina.
Recentemente, a Anvisa emitiu um alerta após registrar casos de pancreatite associados ao uso das canetas emagrecedoras no país. Com a popularização desses injetáveis, cresceu também a oferta de produtos vendidos ilegalmente.
O uso sem indicação adequada ainda pode mascarar doenças não diagnosticadas ou atrasar a investigação de outros problemas de saúde. Além disso, a perda de peso muito rápida ou excessiva pode levar à perda de massa muscular, desnutrição e fraqueza, especialmente em idosos, aumentando o risco de quedas e fraturas.

Canetas emagrecedoras podem ajudar no combate da obesidade, mas devem ser utilizadas com acompanhamento médico.
Foto: Freepik
Em meio a tantas promessas de resultados imediatos, especialistas reforçam que emagrecimento saudável não vem de dietas extremamente restritivas nem de soluções rápidas.
Perder peso de forma consistente significa, basicamente, criar gradualmente um consumo de energia menor do que o gasto pelo corpo. Isso é feito com mudanças de hábitos, não com atalhos.
Entre os comportamentos mais importantes estão:
O acompanhamento com profissional qualificado é considerado essencial para que a perda de peso ocorra com segurança, respeitando as particularidades de cada pessoa e preservando a massa muscular.
Desconfiar de “tratamentos milagrosos” é parte fundamental desse cuidado: além de não oferecerem resultados duradouros, podem colocar em risco a saúde ou, no mínimo, levar a gastos desnecessários com promessas vazias.