Inmet alerta para chuvas intensas em 24 estados; Minas está em “grande perigo”
Frente fria no oceano e atuação da ZCIT devem manter a sexta (27/2) com precipitações volumosas em grande parte do país, enquanto o Sul tende a ter tempo mais firme.
A disputa em torno da falta de leitos e de UTI em Minas Gerais voltou ao centro do debate, mas o dado de que o problema atingiria 63% das cidades mineiras, atribuído a secretários municipais de saúde, ainda não pôde ser confirmado de forma documental. Até o momento, não foi localizado um relatório público com metodologia detalhada nem a lista de municípios que sustente esse percentual.
Enquanto esse número específico segue em apuração, documentos oficiais e reportagens recentes indicam que a discussão sobre capacidade assistencial e, sobretudo, sobre regulação de vagas continua sendo um dos pontos mais sensíveis do SUS em Minas Gerais, com impacto direto em transferências, filas de espera e judicialização.
Secretários dizem que falta de leitos hospitalares sobrecarrega as unidades de saúde municipais
Foto: Pixabay
Nos últimos meses, a pauta da disponibilidade de leitos, incluindo UTI, ganhou força em Minas a partir de dois movimentos paralelos.
De um lado, o governo estadual e gestores municipais tratam de mudanças e da modernização do sistema de regulação, com a promessa de reduzir o tempo de espera por vagas. De outro, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) tem registrado críticas e preocupações em relação a deficiências e a uma possível centralização do sistema, com questionamentos sobre transparência e sobre a capacidade de resposta da rede.
Nesse cenário, a alegação de que a falta de leitos e de UTI afetaria 63% dos municípios mineiros reforça a percepção de pressão sobre a rede, mas não pode ser tratada como estatística consolidada sem a divulgação do levantamento completo: quem o realizou, em que período, quantos municípios responderam, quais critérios foram adotados e se o problema apontado é a ausência de UTI no próprio município ou a dificuldade de acesso e regulação para UTI em cidades de referência.
Informações recentes ajudam a compor o quadro da assistência, ainda que não confirmem o percentual de 63%. Em novembro de 2025, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) divulgou que a espera por leitos no estado seria reduzida com a implementação do projeto “Regulação 4.0”, apresentado em reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB-SUS/MG), com participação do Cosems-MG.
De acordo com a pasta, a iniciativa integra um conjunto de medidas para qualificar o atendimento e fortalecer o SUS em Minas, com foco na melhoria da regulação e na diminuição do tempo de espera por vagas.
No campo institucional, a ALMG registrou, em maio de 2025, uma audiência pública na qual foram apontadas “sérias deficiências” no sistema de regulação e discutida a eventual centralização das centrais macrorregionais. Os relatos indicam que mudanças na arquitetura da regulação, por si só, não seriam suficientes para resolver problemas estruturais de oferta de leitos, fluxo de pacientes e transparência.
Na rotina dos serviços de saúde, a falta de leitos e UTI em Minas Gerais — ou a dificuldade de acesso a eles — costuma se traduzir em três frentes principais.
A primeira é a de transferências e espera por vaga. Pacientes em situação grave podem aguardar, por tempo significativo, a regulação para hospitais de referência, dependendo da disponibilidade de leitos clínicos e de terapia intensiva.
A segunda é a sobrecarga de polos regionais. Cidades que concentram hospitais de maior porte acabam recebendo pacientes de municípios vizinhos, o que pressiona prontos-atendimentos, serviços de urgência e internações. Em Juiz de Fora, por exemplo, reportagem local descreve o acúmulo de filas, a sobrecarga de unidades e a judicialização ligada à internação e transferência para leitos de UCI e UTI em Minas, em recorte até junho de 2025.
A terceira frente são as medidas emergenciais e a abertura temporária de leitos. Em períodos de maior demanda — como picos de doenças respiratórias —, estado e municípios anunciam reforços pontuais, com abertura de novos leitos. Em 2025, foram noticiadas ampliações em Belo Horizonte e repasses a municípios em situação de emergência, na tentativa de aliviar gargalos imediatos na assistência.
Apesar de a percepção de pressão sobre a rede estar amplamente documentada por fontes oficiais e reportagens, o dado de que “63% das cidades de Minas Gerais” seriam afetadas por falta de leitos e UTI ainda carece de comprovação por meio de documento público rastreável.
Entre os próximos passos de apuração indicados estão identificar com precisão a origem do percentual — se de um levantamento do Cosems-MG, de uma amostra de secretários municipais, de uma pesquisa aplicada em evento ou de um relatório técnico — e solicitar o material completo, incluindo questionário, período de coleta, número de respondentes, definição de “falta de leitos/UTI”, recorte entre SUS e setor privado e o detalhamento sobre UTI adulto, pediátrica e neonatal.
Também é apontada como necessária a checagem junto à SES-MG sobre a existência de painéis ou indicadores oficiais que permitam comparar a “falta de leitos” com os gargalos de regulação, medidos por fila, tempo médio de espera e taxa de ocupação por macrorregião. Além disso, ouvir hospitais, consórcios e gestores regionais pode ajudar a qualificar o problema, distinguindo entre ausência física de leito, falta de equipes para operar essas estruturas ou travas no fluxo de regulação.
Até que essas informações sejam confirmadas, a referência de que a falta de leitos e UTI afeta 63% das cidades de Minas Gerais deve ser tratada como ainda em apuração — sem descartar o alerta, mas evitando transformar um número não documentado em estatística oficial.
(3) BLOCO TÉCNICO (OBRIGATÓRIO, SEM TEXTO EXTRA ANTES/DEPOIS)