Polícia Civil prende fotógrafo em Coronel Fabriciano após denúncias de exploração de menores

Investigação aponta aliciamento via Instagram, manipulação psicológica e produção de conteúdo íntimo com jovens no Vale do Aço

27/02/2026 às 09:54 por Redação Plox

A Polícia Civil prendeu o fotógrafo Manoel Querino na manhã desta sexta-feira (27), em cumprimento a mandados relacionados a denúncias de exploração de menores, manipulação psicológica e produção de conteúdo íntimo na região do Vale do Aço. O investigado, que comandava uma suposta agência de influenciadores em Coronel Fabriciano, é apontado por usar as redes sociais para atrair vítimas com promessas de crescimento profissional e, em seguida, forçá-las a participar de atos sexuais gravados e sessões fotográficas explícitas.



Os relatos que embasaram a operação ganharam força após depoimentos de ex-integrantes do grupo, como Yasmim Carvalho e Luiz Santos. Segundo as denúncias, Manoel abordava jovens e adolescentes pelo Instagram, oferecendo inicialmente ensaios casuais que, com o tempo, se tornavam cada vez mais coercitivos. Um dos denunciantes afirmou que, durante encontros em hotéis da região, o fotógrafo pressionava modelos — incluindo menores de idade — a tirar a roupa e manter relações sexuais enquanto eram filmadas sob sua orientação direta. 

Esquema de coação e manipulação psicológica

A atuação do suspeito descrita nas investigações envolvia manipulação emocional e promessas de engajamento nas redes sociais. Vítimas relataram que Manoel recorria a argumentos sobre “fortalecimento da autoestima” e “visibilidade” para vencer resistências e convencer jovens a produzir conteúdo sensual e explícito.


Quando os alvos se recusavam a participar desse tipo de material, eram submetidos a pressão psicológica, ouvindo que não teriam espaço nem destaque no mercado de influenciadores sem esse conteúdo. Depoimentos apontam que o suposto ambiente profissional era gradualmente transformado em um contexto de controle e abuso, com regras rígidas e exigências constantes.

Relatos de abuso sexual e atuação em espaços públicos

Além dos casos de exploração envolvendo grupos, depoimentos individuais detalham suspeitas de crimes de abuso sexual. Uma adolescente de 17 anos relatou ter sido assediada e tocada sem consentimento pelo fotógrafo em provadores de lojas e estabelecimentos comerciais no centro de Coronel Fabriciano, no ano passado. Segundo o relato, o investigado insistia para que ela posasse apenas de peças íntimas em via pública, ignorando as negativas frequentes.

Investigação aponta esquema de coação, produção de conteúdo íntimo envolvendo menores e abusos em hotéis da região.

Investigação aponta esquema de coação, produção de conteúdo íntimo envolvendo menores e abusos em hotéis da região.

Foto: Reprodução / Redes sociais.


Rotina de exploração e possível número de vítimas

A estrutura da suposta agência, segundo depoimentos, funcionava sem qualquer pagamento financeiro aos participantes. Jovens e adolescentes eram submetidos a longas jornadas de gravação, enfrentando privação de alimentação e um tratamento descrito como autoritário. Há suspeita de que o número de vítimas possa ultrapassar 150 pessoas ao longo de cerca de seis anos, incluindo desde crianças até mulheres adultas.

Tentativa de apagar rastros antes da prisão

Após a exposição pública dos casos nas redes sociais no último domingo (22), Manoel teria passado a tentar eliminar indícios de sua atuação, apagando mensagens em grupos e conversas em chats temporários. Mesmo assim, o conjunto de relatos, registros e depoimentos levou à deflagração da ação policial que resultou na prisão do fotógrafo, que agora responderá às acusações em inquérito conduzido pelas autoridades competentes.

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