Polícia Civil detalha investigação que levou à prisão de suspeito por crimes sexuais no Vale do Aço

Homem de 30 anos compareceu à delegacia com advogada para cumprir mandado de prisão preventiva; Polícia Civil apura denúncias envolvendo adolescentes em três cidades

27/02/2026 às 20:40 por Redação Plox

Um fotógrafo de 30 anos, investigado por crimes contra a dignidade sexual no Vale do Aço, foi preso na manhã de sexta-feira (27) ao se apresentar espontaneamente na delegacia de Coronel Fabriciano, acompanhado de uma advogada. Contra ele havia um mandado de prisão preventiva em aberto, que foi cumprido sem resistência.


Investigações tiveram início após vídeos nas redes sociais

A Polícia Civil detalhou o caso em coletiva de imprensa realizada em Ipatinga e informou que o investigado optou por permanecer em silêncio durante o cumprimento do mandado.


As apurações começaram em 22 de fevereiro, após vídeos com denúncias passarem a circular nas redes sociais. A partir da repercussão, vítimas procuraram delegacias da região e formalizaram seus relatos. Até o momento, foram instaurados três procedimentos distintos: um em Ipatinga, referente a uma vítima que relata fatos ocorridos há cerca de sete anos; outro em Timóteo, envolvendo três vítimas; e um em Coronel Fabriciano, onde 11 vítimas já foram identificadas.


Segundo a Polícia Civil, em 2024 já havia sido instaurado um inquérito a partir de uma notícia de crime. Na ocasião, porém, não foi possível localizar as vítimas para depoimento, o que impediu o avanço das investigações e a formalização da autoria. Com o surgimento de novas denúncias e a apresentação de provas, a autoridade policial representou pela prisão preventiva do suspeito.

Abordagem pelas redes sociais e uso de “Mansão” para atrair vítimas

Conforme apurado pela Polícia Civil, o investigado utilizava principalmente as redes sociais para abordar adolescentes, oferecendo oportunidades de trabalho como fotógrafo e prometendo visibilidade e impulsionamento em plataformas digitais. Inicialmente, realizava ensaios fotográficos considerados casuais, mas, em seguida, induzia as vítimas à produção de imagens sensuais e, em alguns casos, de conteúdo sexual.


A Dra. Talita Martins, delegada regional, explica quais crimes estão sendo investigados e o número de vítimas que formalizaram denúncia até o momento.



Dra. Talita Martins - Delegada Regional da Polícia Civil.

Vídeo: Stella Dutra / Plox Brasil.

Há registro de pelo menos uma vítima do sexo masculino, além de relatos de pessoas maiores de idade que afirmam ter sido enganadas ou coagidas. As investigações também apontam que o suspeito não agia sozinho: outros homens teriam participado de atos sexuais com adolescentes, e suas identidades estão sendo apuradas.


Na sequência, a Dra. Talita Martins reforça a importância de registrar as denúncias formalmente nas delegacias, destacando que relatos feitos apenas em redes sociais não substituem o boletim de ocorrência e não permitem o avanço das investigações.



Dra. Talita Martins - Delegada Regional da Polícia Civil.

Vídeo: Stella Dutra / Plox.

Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava uma estrutura chamada “Mansão”, apresentada como um coletivo de influenciadores digitais, para atrair vítimas. Ainda conforme as apurações, o investigado ameaçava divulgar imagens íntimas quando as vítimas se recusavam a participar de novos ensaios ou encontros. Em parte do material analisado, há indícios de consumo de maconha por adolescentes, o que também é alvo de investigação.


A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Coronel Fabriciano também participa da condução do caso. Segundo a Polícia Civil, o padrão de abordagem e de execução dos crimes indica planejamento e repetição do comportamento por parte do suspeito.


Dra. Izabella Menegassi, delegada titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher em Coronel Fabriciano, explica o modus operandi do suspeito, detalhando como ele se aproximava das vítimas, de que forma cometia os crimes e apontando que não atuava sozinho.



Dra. Izabella Menegassi - Delegada titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher em Coronel Fabriciano.

Vídeo: Stella Dutra / Plox Brasil.

Delegacias especializadas e continuidade das denúncias

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Coronel Fabriciano também atua na condução do caso. De acordo com a Polícia Civil, o padrão de abordagem e de execução dos crimes indica planejamento e repetição de comportamento por parte do suspeito.


Segundo as informações já levantadas, a maioria das vítimas identificadas até agora é composta por adolescentes, e o caso segue em investigação para apurar novas denúncias e a possível participação de outros envolvidos.


A delegada Dra. Izabella Menegassi também informa que a maior parte das vítimas identificadas até o momento é composta por menores de idade. Na entrevista, ela orienta sobre os canais adequados para o registro das denúncias, explica como as vítimas ou responsáveis podem procurar a Polícia Civil e apresenta os próximos encaminhamentos da investigação, que segue em andamento para apurar novas possíveis ocorrências e identificar outros envolvidos.



Dra. Izabella Menegassi - Delegada titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher em Coronel Fabriciano

Vídeo: Stella Dutra / Plox Brasil.



A Polícia Civil orienta que possíveis vítimas procurem as delegacias de Timóteo, Coronel Fabriciano ou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, em Ipatinga, para registrar ocorrência e apresentar provas que possam contribuir com as investigações.

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