Estudante de medicina da Universidade de São Paulo acusada de desviar R$ 1 milhão é condenada a 3 anos por golpe de R$ 192 mil em lotérica

Segundo a acusação, Alicia Dudy Muller Veiga tentou registrar R$ 891,5 mil em apostas e pagar apenas R$ 891,53; sentença prevê 3 anos de reclusão em regime semiaberto e multa

27/02/2026 às 08:28 por Redação Plox

Alicia Dudy Muller Veiga, médica formada pela Universidade de São Paulo (USP) e investigada pelo desvio de quase R$ 1 milhão do fundo da festa de formatura de uma turma de Medicina, foi condenada a 3 anos de reclusão, em regime inicial semiaberto, por aplicar um golpe de R$ 192,9 mil em uma lotérica na Zona Sul de São Paulo.

A sentença é da 32ª Vara Criminal do Foro Central Criminal da Barra Funda e foi proferida nesta quarta-feira (26) pela juíza Adriana Costa. Além da pena de 3 anos de prisão em regime semiaberto, Alicia também foi condenada ao pagamento de uma multa no valor de um salário mínimo.


Alicia Dudy Müller Veiga é acusada de golpe na USP

Alicia Dudy Müller Veiga é acusada de golpe na USP

Foto: Reprodução


Golpe em lotérica na Zona Sul

A então estudante se tornou ré nesse processo após denúncia do Ministério Público, que apontou que ela obteve vantagem ilícita ao tentar registrar R$ 891,5 mil em apostas e pagar apenas R$ 891,53 — valor mil vezes inferior ao devido.

De acordo com a acusação, Alicia solicitou inicialmente R$ 891,5 mil em apostas e afirmou que faria transferências via Pix para quitar os valores. Quando o montante apostado já chegava a R$ 193,8 mil, a gerente da lotérica desconfiou da transação e verificou que havia apenas um agendamento de transferência, e não o pagamento efetivo.

Funcionários pediram o comprovante do Pix, e Alicia apresentou um extrato de transferência de R$ 891,50 antes de deixar o local. Segundo a investigação, após breve discussão, ela saiu da lotérica levando cinco apostas de R$ 38,7 mil cada.

Na decisão, a magistrada apontou que há prova da materialidade do crime e indícios suficientes da autoria. O golpe efetivamente consumado foi calculado em R$ 192,9 mil, valor correspondente às apostas liberadas sem o pagamento integral.


Alicia Dudy, aluna da USP acusada de desviar dinheiro da formatura dos colegas

Alicia Dudy, aluna da USP acusada de desviar dinheiro da formatura dos colegas

Foto: Reprodução/TV Globo


Escalada nas apostas e investigação da origem do dinheiro

As apurações indicam que, em abril de 2022, Alicia passou a apostar com frequência na Lotofácil, realizando quase R$ 20 mil em jogos pagos via Pix. Em seguida, começou a elevar os valores das apostas, chegando a cifras cada vez mais altas.

No total, segundo a polícia, ela teria movimentado R$ 461 mil em apostas. Em julho de 2022, solicitou novamente R$ 891,5 mil em jogos. Após a operadora de caixa registrar R$ 193,8 mil, a gerente questionou o pagamento, e a estudante afirmou que havia feito um agendamento de transferência.

Ainda segundo a investigação, Alicia realizou uma movimentação de R$ 891,53, valor muito inferior ao devido, em tentativa de induzir os funcionários ao erro e simular que o montante corresponderia aos R$ 891,5 mil informados inicialmente.

A polícia também apura se o dinheiro usado nessas apostas não pagas tem relação com os valores desviados da festa de formatura da turma de Medicina da USP.


A estudante Alicia Dudy Muller, do curso de Medicina da Universidade de SP (USP).

A estudante Alicia Dudy Muller, do curso de Medicina da Universidade de SP (USP).

Foto: Reprodução/TV Globo


Desvio de quase R$ 1 milhão da formatura da USP

Paralelamente ao caso da lotérica, Alicia responde a denúncia do Ministério Público por oito crimes de estelionato e um de estelionato tentado, relacionados ao desvio de quase R$ 1 milhão do fundo de formatura dos colegas de Medicina da USP.

Segundo a comissão de formatura, quando o caso veio à tona, a suspeita afirmou, em mensagens enviadas por WhatsApp, que havia transferido a quantia para uma conta pessoal. O desvio só foi percebido em 6 de janeiro deste ano, e uma das vítimas registrou boletim de ocorrência no dia 10.

De acordo com apuração do g1, o Instituto de Criminalística analisou ao menos dois celulares, um smartwatch, cartões bancários e um HD externo. Nessas mídias, foram recuperadas conversas em que Alicia relatava gastos e mudanças de versão sobre os fatos.

Após a repercussão do caso, ela comentou com conhecidos sobre a situação, demonstrando, nas mensagens, um suposto arrependimento e relatando que estaria “vivendo o próprio inferno”, além de mencionar tentativas de recuperar o dinheiro por meio de apostas na Lotofácil.

Um carro de luxo alugado por ela com o dinheiro dos estudantes já havia sido devolvido à empresa responsável em fevereiro.

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