Desembargador insinua que vítima é sonsa em caso de assédio com pastor

As declarações ocorreram no contexto de um processo envolvendo Passamani, fundador da igreja A Casa, em Goiânia, e previamente acusado por crimes sexuais

Por Plox

27/03/2024 13h35 - Atualizado há 3 meses

Durante uma sessão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) que discutia acusações contra o pastor Davi Passamani, desembargadores fizeram comentários que causaram grande polêmica. Um deles chamou a suposta vítima de "sonsa", enquanto outro classificou as acusações de assédio moral, sexual e racismo como "modismo".

As declarações ocorreram no contexto de um processo envolvendo Passamani, fundador da igreja A Casa, em Goiânia, e previamente acusado por crimes sexuais.

Foto: Reprodução/Redes Sociais 

Comentários geram debate:

Silvânio Divino de Alvarenga e Jeová Sardinha, desembargadores do TJGO, expressaram visões que minimizam as acusações de assédio e racismo. Alvarenga questionou a autenticidade das alegações da vítima, enquanto Sardinha mostrou ceticismo quanto à prevalência dessas questões, considerando-as uma tendência passageira.

 

Mudança de postura após repercussão

Após a repercussão negativa das declarações, Alvarenga mudou seu voto em uma sessão subsequente, favorecendo a vítima no caso contra Passamani. O julgamento concluiu com três votos a dois pela condenação do pastor, evidenciando uma virada significativa motivada, possivelmente, pela reação pública e midiática.

Defesa da liberdade de expressão:

 Em defesa de suas declarações iniciais, Alvarenga lamentou o que considera um período de "trevas", onde até a liberdade de pensamento estaria sendo ameaçada. Reiterou a importância do contraditório e da preservação da Constituição.

Resposta da advocacia e das vítimas

A advogada da vítima, Taísa Steter, expressou satisfação com o desfecho, destacando o julgamento moral sofrido pela cliente e criticando a desqualificação da vítima em favor do agressor. Essa prática, segundo Steter, contraria o dever de imparcialidade esperado dos desembargadores.

Histórico de acusações contra o pastor

O caso contra Davi Passamani não é isolado. Outras mulheres já haviam denunciado o pastor por importunação sexual, com relatos de comportamentos inapropriados e avanços sexuais não consentidos. Apesar da negação dos crimes pelo pastor e da falta de provas que levou ao arquivamento de algumas denúncias pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), a discussão sobre o tema persiste, refletindo a complexidade e a sensibilidade das questões de assédio e violência de gênero na sociedade.

 

 


 

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